quarta-feira, setembro 20, 2017

Eu Li: Filha da Tempestade - Richelle Mead

Título:
Filha da Tempestade

Autora:
Richelle Mead

Editora:
Agir

Ano:
2011

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Eugenie Markham foi contratada para resolver um novo caso: o rapto de uma adolescente. O problema é que a menina não está presa no mundo dos humanos: ela foi levada para o Outro Mundo, habitado por nobres, criaturas mitológicas e almas perdidas, um lugar desconhecido e traiçoeiro. Mas Eugenie é uma poderosa xamã e já está mais do que acostumada a combater espíritos.
Antes de fazer essa perigosa transição, ela acaba conhecendo Kiyo, por quem fica atraída de forma incomum. Após uma noite tumultuada e excitante, seus sentimentos estão confusos. Sem conseguir tirá-lo da cabeça, mesmo depois de dias, Eugenie parte para o Outro Mundo.
O que era para ser uma missão breve e tranquila se torna uma grande reviravolta em sua vida. Contra a vontade, ela percebe que está cada vez mais conectada ao mundo que sempre odiou e também aos nobres — em especial a Dorian, um rei sedutor e ambicioso. Mas seu corpo ainda deseja Kiyo, e ela se vê mergulhada num ardente triângulo amoroso.
Em Filha da Tempestade, Richelle Mead começa a apresentar uma nova face mágica de sua literatura: uma terra dividida em reinos, embates entre monarcas, uma profecia de guerras e conquistas, e uma herança revelada, com ambientes carregados de magia, sensualidade e luta pelo poder. Nesta nova série, a autora se volta para um público mais maduro, com um texto cheio de referências ao mundo pop contemporâneo, mas sem abrir mão de altas doses de fantasia e humor.

Desde que li “Academia de Vampiros”, Richelle Mead me cativou. A autora chama atenção com suas mocinhas lindas, fortes e sexys. E, obviamente, seus mocinhos sexys, fortes e lindos. Com uma leitura leve e moderna, Richelle nos transporta para ambientes fantásticos e nos faz devorar seus livros como se não houvesse amanhã.

“Filha da tempestade” é o livro um da série Dark Swan. E nela a autora nos faz interagir com personagens interessantes, como fadas (que nem sempre são boazinhas), metamorfos, reis poderosos (no sentido literal) e coisas do gênero.
O mundo paralelo que essa série vai nos apresentar é de tirar o folego!

Eugenie Markham é uma poderosa xamã conhecida como Odile Cisne Negro. O trabalho divertido dela é mandar criaturas que invadem nosso mundo de volta seu mundo de origem. No entanto, atualmente as criaturas sabem seu nome verdadeiro e ela tem recebido umas propostas audaciosas. Eugenie tem sido molestada pelos seres do outro mundo que ela captura e isso não a agrada nada.
Antes de uma nova missão de trabalho, que a força ir para o outro mundo para resgatar uma garotinha sequestrada, e onde Eugenie não é nada bem vinda, ela conhece Kiyo. Eles tem um envolvimento bem forte (tanto emocionalmente quanto físico) e esse estranho e lindo homem não sai da sua cabeça. 

Quando Eugenie começa a interagir mais diretamente com o outro mundo ela descobre coisas novas a  seu respeito e grande parte disso é culpa de um rei bem charmoso e singular, chamado Dorian. Sua perspectiva sobre tudo que sempre conheceu começa a mudar quando ela descobre que seu pai biológico era um poderoso e impiedoso rei do outro mundo. E de quebra, Eugenie é surpreendida com uma profecia referente à ela, que diz que seu filho dominará o mundo das fadas e o mundo humano. 
Todos os habitantes do outro mundo sabem dessa profecia e todos os homens querem ser o pai do primeiro filho de Eugenie; mas nem todos vão propor flores e rosas (na verdade, nenhum). Cuidar de sua integridade sexual será uma tarefa árdua, mas enfim, às vezes alguns homens (leia-se Kiyo e Dorian) são difíceis de resistir. 

A magia que Eugenie herdou de seu pai começa a fluir e ela realmente não sabe o que fazer com isso. O poder a agrada, mas ela teme usa-lo demais. 
A história guarda muitas surpresas do meio para o final e já nos encaminha direitinho para a continuação.

O livro é em primeira pessoa (fato que, particularmente, gosto pois é impossível não se pôr no lugar do personagem depois que você se acostuma como o “eu”) e a leitura é bem simples e prazerosa . “Filha da tempestade” é um livro beeeeeeeeeeem quente. O bom humor negro e a forma sagaz de sempre de Richelle Mead é bem apreciado nos monólogos da protagonista e nos diálogos com os demais personagens.

Richelle Mead é viciante!
Passei por isso com as séries “Vampire Academy”, “Georgina Kincaid” e com “Dark Swan” não foi diferente. A conclusão dos livros da autora são uma regra para a leitura do próximo. É impossível não querer. 
O que me leva a questionar o fato que "A filha da tempestade" é o único livro da série publicado no Brasil, mesmo que os livros já tenham saído na gringa há séculos!
Eu já li os quatro livros de "Dark Swan" e SÃO TÃO BONS! Claro que tenho alguns poréns, principalmente para a conclusão, no entanto é uma série que vale muito a pena ser lida. 
E obviamente que não sou ingênua então, provavelmente, o livro não vendeu tão bem quanto merecia. 

*Insira gritos revoltados*

Aparentemente, os direitos desta série (e de "Academia de Vampiros") é da editora Agir, que há algum tempo atrás veio com uma proposta nova com a Agir Now. Ouvi boatos na época que a continuação de "Filha da tempestade" iria sair e ainda estou na fé! Nada é impossível para um fã com fé, como diz a palavra do Senhor. 

Para que curte fantasia, muita ação e - digamos que - um texto hot, recomendo demais "Filha da Tempestade”. Talvez se mais gente conhecer, a Agir Now decida publicar de vez os demais para minha estante ficar feliz, rssssss. 

Leiam pelamordi

terça-feira, setembro 19, 2017

Eu li: Jardins da Lua - O Livro Malazano dos Caídos #1 - Steven Erickson

Amei e Odiei resume bem...
Título:
Jardins da Lua

Autor:
Steven Erickson

Editora:
Arqueiro

Série:
O Livro Malazano dos Caídos

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Desde pequeno, Ganoes Paran decidiu trocar os privilégios da nobreza malazana por uma vida a serviço do exército imperial. O que o jovem capitão não sabia, porém, era que seu destino acabaria entrelaçado aos desígnios dos deuses, e que ele seria praticamente arremessado ao centro de um dos maiores conflitos que o Império Malazano já tinha visto.
Paran é enviado a Darujhistan, a última entre as Cidades Livres de ­Genabackis, onde deve assumir o comando dos Queimadores de Pontes, um lendário esquadrão de elite. O local ainda resiste à ocupação malazana e é a joia cobiçada pela imperatriz Laseen, que não está disposta a estancar o derramamento de sangue enquanto não conquistá-lo.
Porém, em pouco tempo fica claro que essa não será uma campanha militar comum: na Cidade do Fogo Azul não está em jogo apenas o futuro do Império Malazano, mas estão envolvidos também deuses ancestrais, criaturas das sombras e uma magia de poder inimaginável.
Em Jardins da lua, Steven Erikson nos apresenta um universo com­plexo de cenários estonteantes e ações vertiginosas que mostram por que esta é considerada uma das maiores sagas épicas.


Provavelmente essa é a resenha mais difícil que eu já escrevi até hoje (isso levando em consideração de que eu não vou ter que resenhar Outlander). Passei dois meses para ler Jardins da Lua (o livro tem quase 600 páginas) e quando terminei não tinha entendido direito o sentimento que eu tive com a leitura. Pra começar, esqueçam a sinopse oficial do livro. Ganoes Paran, até é um personagem importante da trama, mas não é nem de longe o protagonista. É difícil, inclusive resumir o que acontece em Jardins da Lua, mas, vamos tentar. 

O livro apresenta um universo fantástico diferente de qualquer coisa que você já viu. Existem aqui inúmera raças de seres inteligentes, mas nada muito do lugar comum das mitologias clássicas. Você não vai ver elfos, anões ou fadas aqui. A única raça que você entende exatamente o que é, são os humanos. 

Nesse mundo há um grande império (o Império Malazano) que hoje é comandado por uma cruel e poderosas imperatriz, a Laseen. Ela, no passado, traiu o antigo imperador e tomou o governo para si, atacando logo em seguida o continente de Genabackis (uma terra composta por nove cidades livres) para incorporá-lo ao seu império. No início de Jardins da Lua a maior parte dessas cidades caiu frente a guerra, restando apenas duas: Pale e Darujhistan. A trama toda vai envolver a batalha por Pale (que cai logo nas primeira páginas); a intriga política dentro do Império Malazano, dentro de Darujhistan e envolvida nos exércitos que estão em batalha; o envolvimento de várias divindades nessa guerra, que possuem as mais diversas motivações e poderes; e como a magia vai influir nesse mundo. Há ainda mais uma porção de tramas paralelas que são meio complicadas de explicar sem dar spoilers.

Continente de Genabackis e a campanha Malazana
O livro em si se desenvolve em núcleos de personagens (mais ou menos como em Game of Thrones), sendo que cada personagem tem lá sua importância. Não há de fato um protagonista ou um vilão: todo mundo tem motivações e age de acordo com elas. Há uma quantidade absurda de personagens em destaque (mais de trinta), mas vale destacar alguns:

Imperatriz Laseen: como falei lá em cima, ela traiu o antigo governo e o assumiu. Seu primeiro ato foi mandar assassinar qualquer herdeiro que existisse e/ou família nobre que pudesse tentar derrubá-la. Ela não chega a aparecer tanto na trama desse primeiro livro, mas seu poder é uma sombra sobre todos os personagens.

Conselheira Lorn: braço direito da imperatriz. É enviada para Darujhistan para avaliar o andamento da guerra, analisar movimentos suspeitos de uma parte especial do exército (os Queimadores de Pontes) e possui mais uma missão secreta.

Sargento Whiskeyjack: Líder dos Queimadores de Pontes, uma tropa lendária que atendia diretamente ao antigo Imperador. Após o golpe de Laseen, essa tropa ficou relegada a funções menores e está aos poucos sendo descartada. Entretanto a imperatriz teme seu poder e uma rebelião.

Ganoes Paran: nobre pertencente a uma das poucas famílias que não foi executada após o golpe da Imperatriz. Abandonou sua vida na corte para se tornar um oficial do Império Malazano. Ganha a confiança de Laseen e é enviado para ser o novo líder dos Queimadores de Pontes.

Tattersail (minha personagem preferida): Feiticeira que trabalha no segundo exército. Logo no inicio participa da batalha de invasão a Pale. Acaba se envolvendo na trama dos Queimadores de Ponte e o medo deles de estarem sendo descartados.

Hairlock: Também componente do segundo exército junto com Tattersail e acaba sendo mortalmente ferido logo no início durante a invasão a Pale. É "salvo" pelos Queimadores de Pontes, mas sua alma tem que ser transferida para o corpo de uma marionete, para que continue vivo.

Anomander Rake (personagem da capa): Uma divindade pertencente a uma antiga raça e senhor da Cria da Lua (uma montanha voadora com grande poder mágico que influi diretamente nas batalhas do Império Malazano). 

Baruk: Alto Alquimista com grande influência em Darujhistan que tentará usar seu poder e até uma aliança com Anomander Rake para proteger a cidade contra o Império Malazano.

Ataque a Pale e a Cria da Lua
Ao longo das quase 600 páginas Steven Erickson desenvolve uma das tramas mais fora da caixa que eu já vi até hoje. O universo que ele criou é extremamente rico e complexo. Junte a isso várias batalhas épicas que ocorrem ao longo da trama (uma invasão a uma cidade, com uma montanha sobrevoando-a e um ataque massivo de corvos ao exército é realmente algo muito diferente), vários personagens bem complexos e temos um ótimo exemplar de fantasia, como ainda não visto antes. Vale destacar também dois conceitos bem interessantes e diferentes: 
- as divindades são uma realidade nesse mundo, ao ponto de que os estrategistas de guerra consideram os deuses antes de montar sua ideia para ataque. 
- o sistema de magia dos labirintos que é um tanto difícil de entender, mas traz algumas cenas de batalhas mais loucas que eu já vi em mundos fantásticos;

Por outro lado, o livro tem alguns problemas estruturais um tanto graves. Primeiramente, o texto é completamente desconexo e difícil de entender, assim como o poder descritivo de Erickson extremamente limitado. Isso prejudica muito o entendimento do leitor de um universo tão fantástico como esse. Complica-se também a quantidade de personagens, todos com quase o mesmo destaque. São tantos, que em dado momento você esquece de onde cada um veio e sua motivações e, quando eles ressurgem, é muito fácil perder a linha de pensamento. Além disso, a quantidade absurda de tramas paralelas atrapalha bastante, pois várias delas são inúteis, não levando a lugar nenhum (as vezes nem ao desenvolvimento de um personagem). Como falei acima, o sistema de magia de labirintos é algo completamente diferente de qualquer coisa relacionada em outros livro de fantasia, mas lendo apenas esse livro, é impossível entender realmente como ele funciona. Ao final da leitura, eu sabia que tinha gostado do livro, mas tinha a sensação de que poderia ser muito melhor se o texto foi um pouco mais consistente.

Enfim, por isso que eu falei lá em cima que amei e odiei Jardins da Lua: é um ótimo universo fantástico, mas com um texto bem difícil de engolir.


segunda-feira, setembro 18, 2017

Eu Li: Os Leões de Bagdá - Brian K. Vaughan e Niko Henrichon

Título:
Os leões de Bagdá

Autor:
Brian K. Vaughan e Niko Henrichon

Editora:
Panini

Em seus premiados Y: O Último Homem e Ex Machina (eleito pela revista Entertainment Weekly como um dos melhores títulos de ficção de 2005), o roteirista Brian K. Vaughan mostrou-se capaz de entender tanto o instinto de sobrevivência quanto as nuances políticas do mundo moderno. Agora, nesta surpreendente graphic novel, Brian retrata as ruas destroçadas pela Guerra do Iraque.
Na primavera de 2003, um bando de leões escapou do Zoológico de Bagdá durante um bombardeio norte-americano. Perdidos, confusos, famintos e finalmente livres, os quatro leões perambularam pelas ruas destruídas de Bagdá numa batalha pela sobrevivência. Retratando o drama dos animais, Os Leões de Bagdá levanta algumas questões sobre o verdadeiro significado da liberdade - ela pode ser presenteada ou apenas conquistada por meio de luta e sacrifício?
Inspirado-se numa história real, Brian K. Vaughan e Niko Henrichon criaram um ponto de vista único sobre a vida durante a guerra, lançando luz sobre esse conflito como apenas uma graphic novel é capaz.

Olá, pessoal! 
Me chamo Juliana Dias (@jubs_chan) e faço parte de um grupo de leitores do PA Book Club em Belém. Fui convidada por uma das garotas pai d'égua para expor sobre uma HQ que AMEI e que já li há alguns anos. Vamos lá? 

Em "Os Leões de Bagdá" acompanhamos a jornada de quatro Leões (o macho Zili, as fêmeas Noor e Safa, e o filhote Ali) que, uma vez libertados do zoológico onde viviam em Bagdá - devido à bombardeios - lutam para sobreviver ao mesmo tempo em que tentam compreender o desconhecido que lhes é apresentado: uma cidade totalmente destruída, tanques de guerra (alegoricamente chamados "leões da Babilônia"), cadáveres e outras coisas que se possa imaginar em um cenário de guerra.

Muitos questionamentos são levantados através do conflito entre ideias e a necessidade de sobrevivência dos leões, de modo que é inevitável ao leitor se colocar no lugar deles em vários momentos. Afinal: quem são os verdadeiros predadores? Até que ponto podemos chegar para garantir nossa sobrevivência? Pelo quê e por quem vale à pena lutar? A liberdade é dada ou conquistada?


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A HQ de volume único é lindíssima em todos os sentidos. Brian K. Vaughan aborta o tema guerra no Iraque com certa sensibilidade que, por mais que a linha dos acontecimentos seja cruel, a história consegue se manter lindíssima. Confesso que sou uma leiga nesses assuntos de HQ, traços, desenhos e afins... mas do pouco de já li nesta mídia, Leões de Bagdá foi o que mais me fez perceber a importância dos desenhos/cores; as imagens não são apenas bonitas (bonitas não... LINDAS), mas são o complemento PERFEITO para a história, em diversas situações... não foi preciso balões de diálogo para expressar um turbilhão de mensagens e emoções.

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Meus sentimentos foram pisoteados do início ao fim e concluí esta HQ besuntada nas minhas próprias lágrimas. Abraço grupal em Brian, Niko, Vertigo e todos os responsáveis por esta obra maravilhosa!
R e c o m e n d a d í s s i m o!


Resenha produzida originalmente para o blog Nem te conto.

Leiam 

quinta-feira, setembro 14, 2017

Quinta em Outra Língua #58 - Webcomics, Uma Lista Do Que Eu Tenho Lido

Há alguns anos atrás, em mais um episódio de Nana persegue autores na internet eu descobri uma resenha do John Green de Elenor & Park no blog da Stephanie Perkins. O que me levou ao blog da Rainbow que estava muito feliz com a capa do seu novo livro Fangirl, que foi feito por uma ilustradora que ela admirava muito: Noelle Stevens. E o que isso importa? Bem, foi nesse fatídico dia que conheci Nimona. A minha primeira webcomic, e como muitas outras coisas legais na internet, foi totalmente por acaso.

De forma geral webcomics são quadrinhos publicados na internet de forma independente pelos próprios autores. É um mercado crescente e ajuda muito a começar a carreira de ilustradores. A magia desse formato é quanto ele permite a experimentação e ir além do formato clássico dos quadrinhos, e, é claro, uma interação bem direta entre autores e leitores. Existem webcomics que são simplesmente tirinhas, outras seguem o modelo clássico de uma página de quadrinhos, há ainda o uso de vídeos e gifs. Ou seja, a regra é que não tem regras indo além do que o papel pode oferecer.

A lista de hoje é uma compilação de tudo que eu tenho lido e de forma alguma envolveu qualquer critério. ¯\_(ツ)_/¯

Depois de Nimona é o meu amor mais antigo. É escrito de uma forma experimental como se fosse um script para um filme. Eu fui atraída para essa belezinha por causa do traço e das cores. Admito que tenho dificuldades de ler coisas com o desenho ruim. 
A história é de uma garota que passou a vida toda com uma demônia chamada Wrathia que só ela pode ver. A Wrathia era uma imperatriz de um mundo perdido e procura vingança e reencontrar o seu marido e generais para realizar o seu plano mas ficou presa com uma garota que ela considera inadequada para seus planos. E se a vida da Ava já não era boa com a Wrathia perturbando ela, o planeta em que ela vivia é atacado e ela tem que fugir para sobreviver. 
Os quadros são lindos e volta e meia tem um Kickstarter para financiar vídeos, vender os volumes e, é claro, dar sustento à autora. 
Atualização: toda quinta feira, e normalmente com 10 painéis.


Check, Please
Uma das coisas mais fofas que eu já li é essa webcomic. Eric Brittle — antigo campeão júnior de patinação no gelo da Georgia, vlogger extraordinário, e fazedor compulsivo de tortas — está começando o seu primeiro ano jogando hóquei na prestigiosa Samwell University em Samwell, Massachusetts. E o hóquei na universidade não é nada como o que ele jogava na Geórgia, principalmente por causa das marcações que literalmente fazem o Brittle desmaiar de medo. É uma história sobre hóquei e amizade e bros, e sobre tentar se encontrar durantes os seus melhores quatro ano de vida. Já foi comprado por uma editora, e em breve vai sair em papel. (o ship é canon, dá pra ler tranquilo)
Atualiazação: quando dá na telha da autora -.-


Eu comecei a ler esse por indicação da C. S. Pacat, a princesa autora de Captive Prince. Num futuro indeterminado, estamos em uma estação espacial que abriga uma frota de caças, cada nave é tripulada por um lutador e um navegador. Abel é um navegador e é atribuído ao notório Cain, logo de cara, marca Abel com uma cicatriz na boca para que todos saibam que ele é sua propriedade. Forçados a ficar juntos pelo comando militar, Abel tenta fazer o melhor da situação e ser profissional mas acaba entrando numa relação brutal com Cain, que o confunde e lhe parece ser mais perigoso do que aparenta. É um romance meio inconvencional, o Cain não é exatamente delicado com o Abel e temos vários momentos NSFW (cuidado onde vocês abrem isso aí, galera)(sério).
Atualização: outro que eu não faço a miníma ideia, mas consigo saber pelo twitter. 
Achei em português aqui


Menção honrosa:

Tecnicamente, 19 Days, é uma webtoon, que, de forma geral, são as webcomics orientais. Eu conheci por causa da minha irmã e não sei se agradeço ou xingo ela.
É a história de dois melhores amigos de infância Zhan Zheng Xi e Jian Yi (carinhosamente chamados de Suave e Revolts), sendo que um deles ressurgiu agora depois de sumir por anos sem dar qualquer explicação. No início é somente ilustrações dos dois e dias aleatórios, mas aos poucos vamos conhecendo melhor o que aconteceu nos 19 dias antes do Suave desaparecer. É bem engraçado, mas tem horas que a gente fica com pena do Suave e do crush dele no Revolts. E é claro, tem o mistério ainda não resolvido de o porquê de que o Suave sumiu por anos. 
Atualização: quando dá na telha da titia chinesa lá ;-;
Disponível também em português aqui

Então essa lista acabou se tornando uma lista de webcomics gays, mas fazer o que né? Eu fico aqui me segurando pra não reler tudo (já reli todos esses muitas vezes, é o efeito da espera de atualizações). Espero que vocês tenham gostado, tem algo que vocês não entenderam? Falei alguma besteira? E o mais importante quem já lê webcomics ou webtoons quais vocês indicam? *-*

Isso é tudo pessoal!

quarta-feira, setembro 13, 2017

Nerdice PaiD'egua #20: O Universo Expandido Overwatch


E vamos novamente para o mundo dos games. Eu já falei pra você o quanto eu amo a Blizzard? Já falei AQUI e AQUI um pouco sobre o mundo de Warcraft (aliás, ainda não entendi como esse roteiro genial virou aquele filme bem meia boca...), mas hoje vamos focar no lançamento mais recente (recente? tem um ano... mas tudo bem) dessa produtora de jogos que está no coração de grande parte dos nerds. Overwatch é um jogo de estratégia/tiro em primeira pessoa que tem (atualmente) 25 heróis diferentes, cada um com sua habilidade, arma e poder diferentes. Totalmente online, o jogo foca em batalhas em times de 6 variando entre missões de dominação de ponto e escolta de cargas. Mas o grande diferencial aqui é a história desse universo e de cada um dos personagens jogáveis.

Muita gente não sabe (muito jogadores, inclusive), mas Overwatch tem uma história bem rica e um universo expandido até bem extenso. Há inúmeros curtas de animação, várias HQ's e um site que funciona como um portal de notícias, todos eles explicando a história desse universo. Vamos saber um pouco mais dela?

1 - História
A Crise Ômnica

O mundo de Overwatch é uma Terra futurística onde uma empresa (a Omnica Corp.) começou a produzir máquinas altamente inteligentes que tinha o poder de se replicar e evoluir. A promessa para o futuro era de algo revolucionário, mas a Omnica Corp. acabou caindo devido a processos envolvendo corrupção e fraude. Entretanto, a tecnologia ômnica criada chegou a um nível tão avançado que passou a se replicar automaticamente e a controlar todas as fábricas remanescentes. Os Ômnicos mais inteligente declararam guerra a humanidade e se aproveitaram do poderio de fogo do maquinário para derrubar todas as defesas da humanidade.

Daí iniciou-se a Crise Ômnica, uma guerra sem precedentes na história. Os exércitos humanos não eram páreo para o maquinário de guerra e estavam sendo derrotados aos poucos. Então, a ONU resolveu montar um equipe de soldados com habilidade especiais que pudessem fazer frente ao Omnicos: nascia a Overwatch.

Da esquerda para a direita: Torbjörn Lindholm, Reinhardt Wilhelm, Ana Amari, Jack Morrison e Gabriel Reyes
Através de várias missões, desde infiltrações a batalhas em campo aberto, a Overwatch conseguiu deter os Ômnicos e por fim a crise. Entretanto o trabalho não estava completo. Várias unidades de inteligências artificiais ainda continuaram tentando derrubar várias cidades humanas em pequenos focos de batalha. A Overwatch então se tornou uma organização maior, estabelecida tanto para defender a humanidade, quanto com pesquisas científicas e para integrar os Ômnicos restantes a sociedade.

A Dissolução da Overwatch

Who Watches the Watchmen? Depois de defender a humanidade, a Overwatch passou a ser vista com olhos desconfiados. Uma organização com seres extremamente poderosos e articulados poderia a qualquer momento tentar tomar o poder em algum lugar. Além disso, começaram a surgir boatos de missões secretas, assassinatos e conspirações estavam sendo executadas pela organização. 



Tudo piorou quando foi revelada a existência da Blackwatch, um braço da Overwatch responsável por várias missões secretas e não aprovadas. Além disso, após a explosão da sede da organização na Suíça (justificada como um acidente, mas posteriormente revelada como resultado de um briga interna), a ONU e os governos mundiais resolveram dissolver a equipe. 

Sociedade Ômnica

Apesar da dissolução da Overwatch, a paz reinava na sociedade. Não totalmente, claro. As marcas da guerra deixaram um rastro de problemas de convivência entre os humanos e as máquinas. Apesar dos líderes Ômnicos da crise estarem todos derrotados e provada a inocência da grande maioria dos outros, o sentimentos contra as máquinas era extremamente negativo.

Mesmo assim, a sociedade estava meio que se organizando para um convivência com ambos. Várias iniciativas foram surgindo em torno dos direitos civis da máquinas, a economia global melhorava cada vez mais e várias boas notícias surgiam. Até começarem a ocorrer vários incidentes. Ataques inexplicados, assassinatos, fugas de prísões, culminando na ocorrência do assassinato de Tekhartha Mondatta, um líder espiritual entre os Ômnicos.


A Talon e o retorno da Overwatch

Eis que surge a Talon, uma organização suspeita, cujo o objetivo é desconhecido, mas está causando vários transtornos pelo mundo. Desde atentados a figuras importantes (tanto humanos, como máquinas) e ataque em campo aberto em cidades que onde a convivência já é pacífica. Até que, em um ataque da organização a sede da Overwatch em Gibraltar, onde um dos componentes restantes da organização permanecia fazendo pesquisas, um alerta é dado.


Finalmente, após o Ataque, Winston resolve convocar os integrantes da Overwatch novamente e é onde as missões do jogo se desenrolam.


2 - O universo expandido.
A história desse mundo do jogo vai se desenvolvendo em várias mídias ao mesmo tempo. No jogo, periodicamente temos a revelação de novos personagens e vários eventos especiais que vão narrando novos capítulos da trama. Recentemente ocorreu um evento com missões especiais chamado Insurreição. Na trama descobrimos que se passa na época do passado quando a Overwatch venceu a Crise Ômnica e está tentando acabar com os últimos focos de guerra em Londres. Ao mesmo tempo, a Blizzard liberou uma HQ contando alguns detalhes da trama.

O destaque dessa HQ é para a Tracer
Da mesma forma, um novo personagem foi liberado nas últimas semanas, o Doomfist. Automaticamente descobrimos nos curtas de animação e nas HQ's liberadas que ele na verdade é o líder da Talon que acabou de escapar ta prisão.




No site da Overwatch (https://playoverwatch.com/pt-br/media/) é possível ler todas as HQ's (que são bem curtinhas) e assistir todos os curtas de animação. O nível das produções é muito bom. Animações como O Último Bastion e Rise and Shine, lembra muito a qualidade de produtoras como a Pixar.








3 - Representatividade
Uma das coisas mais legais da produção de Overwatch é que dá para ver que os desenvolvedores se preocuparam em representar as mais diversas classes e minorias no jogo. Começando pela própria capa:

Não é exatamente comum termos uma personagem feminina na capa de um game de tiro. Além disso, descobrimos depois numa HQ posterior que a personagem representada (Tracer) tem uma namorada.

Melhor casal que você respeita
Temos também personagens de diversas etnias e países na trama do jogo. Lúcio é um DJ brasileiro que usou sua influência para acabar com a opressão da Corporação Vishkar durante a reconstrução do Rio de Janeiro


Zarya era uma atleta russa que, após um ataque a sua vila, se alistou no exército e virou uma das melhores soldados, se tornando um símbolo. Após a Crise, ela se tornou guarda costas de uma grande empresária russa.

Symmetra é uma cientista que possui uma doença do espectro autista e trabalha com experimentos de luz sólida. Ela é uma peça importante de Corporação Vishkar.

Enfim, dá pra ver que os produtores do jogo quiseram que as pessoas pudessem se identificar com os heróis e isso é realmente muito bom. Há vários outros exemplos entre os personagens, cada um tem sua história e, com certeza, é possível se identificar com um deles.

E aí? Curtiu? Aguardem as próximas postagens do Nerdice Pai d'égua. Vem mais coisa por aí.

quinta-feira, setembro 07, 2017

Quinta em Outra Língua #57 - The Gentleman's Guide to Vice and Virtue - Guide #1 - Mackenzi Lee



Título:
The Gentleman's Guide to Vice and Virtue
Autor:
Mackenzi Lee
Série:
Guide #1
Editora:
Katherine Tegen Books


Henry “Monty” Montague nasceu e foi criado para ser um cavalheiro, mas ele nunca foi fácil de domar. Os mais finos colégios internos na Inglaterra e a reprovação constante do seu pai não conseguiram aplacar nenhuma das suas paixões vis —não por salões de apostas, nem por noites passadas com garrafas de bebida, ou por acordar nos braços e mulheres e homens.
Mas enquanto Monty embarca no seu Grande Tour pela Europa, a sua busca por uma vida cheia de prazeres e vícios corre perigo de terminar. Não só o seu pai espera que ele tome conta da propriedade da família quando voltar, mas Monty está nutrindo uma paixão impossível por seu melhor amigo e companheiro de viagem, Percy.
Entretanto Monty não é do tipo que desiste. Mesmo com sua irmã mais nova, Felicity, na sua aba, ele jurou fazer a sua escapadela de um ano uma última farra hedonística, e flertar com Percy de Paris a Roma. Mas quando uma das decisões inconsequentes de Monty torna a viagem deles no exterior numa brutal caçada que se estende por toda a Europa, ele questiona tudo que conhece, incluindo a sua relação com o garoto que ele adora.

Nesse feriado em que eu estou em casa vendo Netflix,mas que tal viajar nessa gracinha de livro que nos leva numa viagem de aventura e autoconhecimento pela Europa?
Meses há trás eu me deparei com uma descrição um tanto que animada desse livro (x). Me prometeram piratas, uma road trip histórica que eu nunca pensei que precisava, a trope de melhores amigos a a amantes, e mais importante, um final feliz, entre muitos outros clichês gostosos. Então se esse livro fosse ruim eu ia ficar muito decepcionada. Ele não só atendeu às expectativas, como s excedeu. A melhor parte desse livro — além do ship não dá pra negar por que sou dessas — é como os personagens são bem construídos e se desenvolvem tanto. No fim do livro eu me senti uma mãe orgulhosa dessas lindas crianças que estavam prontas para dominar o mundo (principalmente a Felicity).

O nosso herói (?), Monty é especialista em meter os pés pelas mãos. Com tendências narcisistas e egoístas, ele parece incapaz de fazer algo certo. Pelo menos é isso que o pai dele acredita. A primeira vista, Monty é só mais um bêbado e galinha que tem tudo que se pode querer, mas o quanto isso é o reflexo de algo pior? Apesar dele ter o toque de Midas ao contrário, eu só queria dar um abraço nele. E ele sofrendo pelo Percy é realmente muito bom, ele pode até ser um galinha, mas é o nosso galinha de coração de ouro.

ninguém consegue resistir as essas covinhas, sério

Percy é o famoso filhote humano. Ele é literalmente um cachorrinho fofo, não dá pra discutir. Melhor amigo do Monty, é a pessoa que sempre o ajudou nos seus piores momentos. A pesar de ser aristocrata, é birracial e volta e meia acham que ele é o lacaio do Monty. Percy tem um segredo, e a relação dele com isso é ótima e refrescante. Percy quer muito Monty ao seu lado, mas não quer pena, somente ser compreendido.

uma imagem real do Percy
Por último, e não menos importante, temos a rainha Felicity, também conhecida como a pessoa que resolve as paradas. A primeira vista, Felicity é a irmã sem graça de Monty, mas secretamente ela é uma médica autodidata. Assim como Monty, a sua família não conseguiu domá-la. Dos três ela é quem consegue melhor reagir aos desafios encontrados na estrada, e mais de uma vez ela salva a vida do grupo. A relação dela com o irmão evolui lindamente quando os dois começam a compreender um ao outro melhor. Para coroar tudo, Felicity vai ganhar uma continuação só para ela.

Além dos nossos protagonistas, temos piratas, nobres franceses e até alquimia (Alô, alô, os fãs de FMA). Com um romance incrível (eu não marquei parágrafos, marquei paginas inteiras desse livro)(o nome do ship por sinal e Mercy, e não, eles não tem pena da gente), uma evolução de personagens que é excepcional esse livro se tornou o mais novo dos meus favoritos.

cinco gôndolas de Veneza

quarta-feira, setembro 06, 2017

Eu Li: As Vantagens de Ser Invisível - Stephen Chbosky

Título:
As vantagens de ser invisível 

Autor:
Stephen Chbosky

Editora:
Rocco 

Cartas mais íntimas que um diário, estranhamente únicas, hilárias e devastadoras - são apenas através delas que Charlie compartilha todo o seu mundinho com o leitor. Enveredando pelo universo dos primeiros encontros, dramas familiares, novos amigos, sexo, drogas e daquela música perfeita que nos faz sentir infinito, o roteirista Stephen Chbosky lança luz sobre o amadurecimento no ambiente da escola, um local por vezes opressor e sinônimo de ameaça. Uma leitura que deixa visível os problemas e crises próprios da juventude.

Olá, leitores!
Hoje trago um livro que me envolveu de uma forma deliciosa e mesmo depois de anos lido, ainda me toca. 
Ele tem aquele tom meio melancólico que deixa um gosto agridoce no leitor. 
Sua primeira edição no Brasil também saiu pela editora Rocco, em 2007, com uma capa verde e branca bem bonita, no entanto, quando a adaptação chegou as capas mudaram para esta acima, que eu também gosto pois tem várias pessoas que amo me olhando, rsss. 
Mesmo sendo um livro que já está no mercado há muito tempo, talvez alguém ainda não o conheça, portanto, amigos, venham comigo! 

“As vantagens de ser invisível” é um livro singular de várias maneiras, a começar por sua narrativa. Charlie, nosso protagonista, envia cartas contando sobre sua vida para alguém que o leitor não é apresentado, a quem ele chama de “amigo”.
E são através dessas cartas que Charlie nos expõe sua rotina, suas experiências, suas dúvidas, seus medos... É um sentimento crível e palpável ler sobre sua família, seus poucos amigos, seu professor de literatura e os livros que ele indica.

“Você vê as coisas. Você guarda silêncio sobre elas. E você compreende.”

Charlie é um adolescente solitário e diferente. A solidão é bem exposta em suas cartas, mas sua singularidade é perceptível em sua narrativa. E não que ele seja do tipo deprimido ou recluso. Charlie simplesmente é diferente e as pessoas não conseguem encará-lo de forma positiva, então ele não participa. 

Ele é um bom garoto, porém esquisito e bastante emotivo (o moço chora o tempo todo), cujo livro favorito é sempre o ultimo que leu e seu melhor amigo acabou de cometer suicídio. Não é uma perspectiva muito animadora, como se percebe. Então Charlie conhece Patrick e Sam, eles são gentis e esquisitos aos seus próprios modos e com a proximidade, ele começa interagir e participar.

STOP CRYING, CHARLIE

É interessante visualizar a perspectiva de Charlie justaposto a perspectiva dos outros personagens. Ele parece tão ingênuo, tão cru, porém suas novas experiências vão provocar sensações exclusivas. Seu primeiro amor, seu primeiro baseado, seu primeiro beijo... Charlie nos conta a respeito de sua vida de uma forma realmente única. Suas constatações são simples sobre a vida ou pessoas.
Simples, fascinantes, engraçadas, tristes e emocionantes. 

“Estou me sentido ótimo! De verdade. Tenho que me lembrar disso da próxima vez em que tiver uma semana ruim. Já aconteceu com você? Já se sentiu mal, depois tudo passar e você não saber por quê? Eu tento me lembrar, quando me sinto ótimo como agora, que haverá outra semana terrível algum dia, então procuro guardar o maior número de detalhes que posso, e assim, na próxima semana terrível, vou poder lembrar esses detalhes e acreditar que vou me sentir bem novamente. Não funciona muito, mas acho muito importante tentar.”

“As vantagens de ser invisível” é um livro muito bonito que me despertou muitas reflexões e sentimentos bons. Sem falar que está repleto de citações de livros, musicas e poesias.
Sua adaptação para o cinema também é muito bonita e respeita a obra. O livro não tem um enredo definido ou fatos lineares; são lembranças, anseios e, sobretudo, sentimentos em prosa. 

“... Eu realmente estava ali. E foi o suficiente para que eu me sentisse infinito.”

Leiam ♥



terça-feira, setembro 05, 2017

Eu li: Pesadelos Infaustos - Breno Torres

Que capa fofa!
Título:Pesadelos Infaustos
Autor: Breno Torres

Editora: Arwen

Ano: 2017
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Nevoeiros povoam as utopias e cotidianos das infaustas criaturas dos mundos desde as remotas eras. Caminhando no tênue limiar entre pesadelos e triunfos, os peregrinos dos universos, em suas eternas buscas por conquistas e glórias, confrontam os enredos obscuros que Algo ou Alguém – Deus? – tece para cada um de seus passos, deparando-se com as sombras, melancolias e temores inevitavelmente encontrados no caminho. O que de profano, ultrarromântico, caótico e celestial ecoa nas narrativas dos andarilhos dos mundos? Há espaço para a contraditória natureza angélica e demoníaca do ser? Há salvação para os mais miseráveis e condenados errantes das raças?
Descubra através das páginas de Pesadelos Infaustos, a obra de estreia de Breno Torres no mundo do Terror.


Pesadelos Infaustos é o primeiro livro solo do autor Breno Torres e lançamento da editora Arwen. Suas páginas reúnem um antologia de contos de terror e fantasia com diversas criaturas fantásticas, desde as clássicas como bruxas e lobisomens até algumas mais obscuras e menos conhecidas como o Upir e a Érato. São, no total, dez contos, todos envolvendo alguma criatura mística, com um texto altamente poético, inspirado e descritivo, com toques de terror vitoriano e um certo sadismo em algumas cenas mais violentas.

Racionalidade. A assassina mordaz da loucura saudável que é a criatividade na camadas mais profunda de sua essência. Assassina que não só matou os que valorizaram sua loucura, como também o que de gigantesco provinha dela.

O terror aqui é bem diferente do que estamos acostumados com um contemporâneo e visceral do Stephen King ou perturbador como Lovecraft ou ainda o sadomasoquista de Clive Barker (apesar de ter sentido alguns toques desse estilo nos contos). Aqui tudo é bem mais sutil, lembrando o estilo mais clássico. Os personagens inclusive parecem muito inspirados nos clássicos de terror, sem contar as várias menções as obras de Anne Rice, Robert Louis Stevenson, Bram Stoker e outros. Em alguns momentos me senti assistindo Penny Dreadful de novo. 


Dos dez contos queria destacar aqui quatro:

O Canto do Querubim: o primeiro conto do livro. É bem curtinho e narra as desventuras de um padre tentando resistir as tentações de um demônio. Aliás, é bem complicado você ser padre ou altamente religioso nos contos desse livro.

Aos vales dos condenados: não vou revelar exatamente qual a criatura desse conto, pois o spoiler poderia estragar a experiência. Mas o que eu achei extremamente interessante é que há um trecho inicial que funciona quase como um monólogo e você inicialmente não entende qual a ligação dele com a história, até que se entenda a trama. Quando eu finalmente liguei o pontos, funcionou quase como um plot twist para mim.

Érato, a última: sem dúvida o mais poético de todos. Ele se apresenta quase que inteiramente como um monólogo (o trecho citado acima é desse conto), narrando a tristeza do esquecimento de Érato (uma musa da mitologia grega) e de suas irmãs. É bem interessante analisar o texto detalhadamente para se entender todas as metáforas.

Bolero de sangue: esse foi o que me deixou mais intrigado. Primeiro por apresentar essa figura que eu não conhecia, o Upir (tá, quem assistiu Hemlock Grove sabe do que eu estou falando). Ele é como se fosse um vampiro das lendas ucranianas, mas, diferente do clássico, esse pode andar sob o Sol sem sem queimar (ou brilhar). Nesse conto ele se apresenta como uma figura pansexual, estando a procura de prazer carnal e um servo. Vale muito pela referência a O Médico e o Monstro.

Enfim, Pesadelos Infaustos é um ótimo exemplar de terror clássico e poético. Realmente recomendo para todos.


E não percam, hoje as 18:00hs, o lançamento do livro na Livraria Fox da Dr. Moraes:

segunda-feira, setembro 04, 2017

Eu Li: O Apanhador no Campo de Centeio - J.D. Salinder

Título:
O apanhador no campo de centeio

Autor:
J.D. Salinder

Editora:
Editora do autor 

Ano:
2012

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À espera no centeio (O Apanhador no Campo de Centeio na edição brasileira) narra um fim-de-semana na vida de Holden Caulfield, jovem de 16 anos vindo de uma família abastada de Nova York. Holden, estudante de um reputado internato para rapazes, volta para casa mais cedo no inverno depois de ter recebido más notas em quase todas as matérias e ter sido expulso. No regresso a casa, decide fazer um périplo adiando assim o confronto com a família. Holden vai refletindo sobre a sua curta vida, repassa sua peculiar visão de mundo e tenta definir alguma diretriz para seu futuro. Antes de enfrentar os pais, procura algumas pessoas importantes para si (um professor, uma antiga namorada, a sua irmãzinha) e tenta explicar-lhes a confusão que passa pela sua cabeça. Foi este livro que criou a cultura-jovem, pois na época em que foi escrito, a adolescência era apenas considerada uma passagem entre a juventude e a fase adulta, que não tinha importância. Mas esse livro mostrou o valor da adolescência, mostrando como os adolescentes pensam.

Um livro pode conter vários significados. Cada pessoa é única e cada olhar é único para uma obra. Isso explica como o livro favorito do José é o que João mais odiou ler na vida, ou o livro que marcou a vida de Maria, Joana sequer conseguiu terminar de ler.
Com esses argumentos em mente, apresento-lhes “O apanhador no campo de centeio”.
Lançado em 1951, esta obra é considerada um dos livros mais impactantes da literatura americana do século XX. 

O livro conta a história de Holden Caulfield. Bem, não conta uma história em si. É mais um relato de seus dias em “liberdade” logo depois que ele é expulso da escola por ter um baixo rendimento. Ele quer aproveitar esses dias enquanto a carta que a escola mandou para seus pais não chega.
Holden é a figura do “adolescente em crise”. Ele tem 16 anos de idade e uma perspectiva de vida realmente deprimente. Nascido em uma família rica, com alguns problemas emocionais por conta da morte de seu irmão caçula, ele teria tudo para ser um típico adolescente superficial, mas NADA agrada Holden. Ele passa os dias maldizendo a vida, as pessoas, suas lembranças, mas de uma maneira realmente cômica para o leitor. 
Confesso que ao ampliar minha própria perspectiva, percebi que não era apenas um super pessimismo. Era mais. Era ultra realismo.
Pessoas falsas, pessoas superficiais, pessoas cretinas... Holden Caulfield as aponta com uma revolta digna de nota. Claro que ele também vê pessoas boas, e é legal constatar que nem todos são cretinos (ele adora esse termo).

Com a narrativa em 1° pessoa, cheia de expressões coloquiais, como gírias (dos anos 50, não esqueçam) e uma leitura de fácil entendimento, o livro é cheio de confusão e rebeldia com um teor angustiante. Se existisse o gênero "tragi-cômico", "O apanhador no campo de centeio" certamente corresponderia à esse quesito. 
E interessante: Holden tem plena consciência que suas atitudes são erradas, mas não faz questão nenhuma de mudar. Ao ser confrontado por sua irmã sobre o que quer ser “assim como cientista, ou advogado, ou coisa parecida”, Holden diz que quer ser um apanhador.

"Fico imaginando uma porção de garotinhos brincando de alguma coisa num baita campo de centeio e tudo. Milhares de garotinhos, e ninguém por perto - quer dizer, ninguém grande - a não ser eu. E eu fico na beirada de um precipício maluco. Sabe o que tenho que fazer? Tenho que agarrar todo mundo que vai cair no abismo. Quer dizer, se um deles começar a correr sem olhar para onde está indo, eu tenho que aparecer de algum canto e agarrar o garoto. Só isso que eu ia fazer o dia todo. Ia ser só o apanhador no campo de centeio e tudo. Sei que é maluquice, mas seria a única coisa que eu queria fazer. Sei que é maluquice...." 

Há um tempo atrás, li um artigo no site da Abril dizia que Holden Caulfield é a “personificação dos jovens da geração do pós-guerra à procura de uma identidade”. Pelo sim ou pelo não, o livro alcançou grande sucesso em sua época de lançamento, vendendo mais de 15 milhões de exemplares em apenas poucas semanas. 
Porém, o autor J. D. Salinger, mesmo aclamado, não reagiu ao sucesso da forma que se espera socialmente. Ele se tornou um eremita até o fim de seus dias. Morreu em 2010, ainda isolado, em sua casa em New Hampshire. 

E as curiosidades sobre o livro “O apanhador no campo de centeio” vão além da reclusão de seu autor. O livro foi censurado em diversos países do mundo por causa de “palavreado chulo, incitação à prostituição e à rebeldia”. Desnecessário? Vejamos: especialistas afirmam que o livro “seria uma espécie de gatilho para assassinatos”. 

Em 1980, Mark David Chapman assassinou o eterno beatle John Lennon. Ele foi encontrado com um exemplar de “O apanhador no campo de centeio”, e afirmou que o personagem do livro o inspirou a cometer o crime. “Grande parte de mim é Holden Caulfield. Outra parte deve ser o demônio”, ele afirmou à polícia.

Nem preciso comentar o quão frenéticas ficaram as vendas do livro depois do acorrido. As pessoas queriam saber o que tinha naquele livro que poderia inspirar um assassinato. Natural. Tive a mesma curiosidade a respeito de “Os sofrimentos do Jovem Werther”, livro que levou uma grande onda de suicídio na Alemanha no século XVIII, mas isso talvez fique para outra resenha. 
O presidente Ronald Reagan sofreu uma tentativa de homicídio, em 1981, e a atriz Rebecca Schaeffer foi assassinada, em 1989. Ambos os crimes, de acordo com os acusados, foram inspirados pelo livro de J. D. Salinger. 

É no mínimo curioso que este livro esteja intrinsecamente ligado à atos violentos. Não consegui localizar em momento nenhum apologia à qualquer tipo de crime em seu enredo.
Claro que o autor não pregou a paz mundial, mas acredito que acusar o livro de “gatilho para assassinos” já é exagero. Não se pode generalizar. Aquela questão da subjetividade faz muito sentido aqui. 
Holden Caulfield é claramente revoltado com o mundo a sua volta mas, acreditem, ele não mata ninguém. 

As teorias de conspiração sobre “O apanhador no campo de centeio” são muitas. Li vários artigos interessantes a respeito do livro (fiquei tensa com alguns, inclusive), e não posso deixar de olhá-lo com olhos mais respeitosos depois de saber mais sobre ele.
Diversos autores contemporâneos, de diversos gêneros, o citam em seus livros, como “The Indigo Spell”, de Richelle Mead e o próprio “O Teorema Katherine”, de John Green. 
Holden Caulfield é um personagem amado, apesar de suas revoltas juvenis e seu mau humor sem fim e “O apanhador no campo de centeio” é um livro com uma bagagem, no mínimo, interessante. 
Vai encarar? 


Leiam

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