segunda-feira, junho 27, 2016

Lançamento de Luz, o Deus do Horror - Andrei Simões


Andrei Simões é um autor singular. Ele não quer apenas nos contar histórias; Andrei que nos causar estranheza. Concordamos que a literatura existe para transformar o leitor e os livros de Andrei Simões costumam causar um impacto interessante. Também pudera! Seus temas são profundos, reflexivos e até mesmo assustadores. 
Em "Putrefação", o protagonista está morto, mas sua consciência não. Ou seja, ele consegue sentir toda a decomposição de sua carne enquanto recorda de sua existência em vida.

Em "Zon: O Rei do Nada", o personagem se descobre uma criação do chamado "Aquele que lê" e se constrói uma especie de embate entre criatura e criador. A partir daí, Zon parte em busca de outras consciências - e outros personagens - desvendando vidas e reinando sobre o... nada. 

A próxima obra de Andrei Simões será publicada pela Editora Twee e se chama "Luz, o Deus do Horror". O lançamento já tem data marcada e espero ansiosa para conhecer os conflitos dessa nova história. 

SINOPSE:
"E se o regente deste mundo não se chamasse Amor?            E se o medo fosse o alimento e instrumento de controle de um deus humano, demasiadamente humano?
            Obras de terror vão muito além do susto e do medo. A ficção, a fantasia, o terror de seres sobrenaturais podem também servir para nos fazer pensar sobre a nossa realidade e a do mundo.            Dentro deste contexto, um jovem busca vingança de um anjo em forma de palhaço, enquanto sua amiga Nina quer apenas justiça. Entrando em uma espiral descontrolada de seres que habitam os pesadelos mais assustadores da espécie humana, a boneca, o fantasma de uma criança, o monstro da estrada, o quadro mal-assombrado e outros arquétipos do gênero, as personagens deste livro se depararão com o mais puro horror e descobrirão verdades que poderão alterar o curso da própria vida humana.            Em cada capítulo, histórias de um terror absoluto serão contadas, através de gritos ecoantes em vários lugares do mundo, de uma capital na Amazônia brasileira a um esquecido vilarejo chinês; todas diretamente interligadas, em um romance seriado que se direciona a um clímax épico, surtado, filosófico e inesquecível.
            Afogando-se no próprio sangue, o ser humano conseguirá se libertar das correntes que ele mesmo criou para si?
            Na intensidade de um soco literário, Luz é um retrato atualíssimo sobre a ausência de crença em nossas existências, diante de um mundo de alienação social e religiosa que nos impõe nada além de medo e controle, o vigiar e punir de cada dia.            Divertido. Apavorante. Reflexivo.            Uma homenagem e ao mesmo tempo uma profunda e original subversão ao gênero de terror e horror.            Permita-se. Abra este livro e entenda que só amamos a luz porque temos medo do escuro."
Confiram aqui o perturbador booktrailer de "Luz, o Deus do Horror"

INFORMAÇÕES SOBRE O AUTOR:

Utilizando filosofia, ciência e ocultismo, navegando entre o realismo mágico e o horror, Andrei Simões procura instigar e provocar o leitor, com literatura minimalista e direta, mas profunda, utilizando de símbolos obscuros do inconsciente para trazer à tona difíceis, mas necessárias reflexões sobre a vida e a morte.
O biólogo e mestre em comportamento é belenense, tem 39 anos e publicou os livros “Putrefação” (2005), “Zon, O Rei do Nada” (2013), este último em coautoria com Lupe Vasconcelos que colabora com 33 ilustrações e também tem contos nas antologias “Desnamorados” (2014) e “O Corvo: um livro colaborativo” (2015). O primeiro livro foi publicado pela Novo Século enquanto os outros, pela Editora Empíreo, editoras paulistas com distribuição nacional de suas obras. 
Antes disso, Andrei, que escreve desde os 13 anos, foi ensaísta em diversos blogs, revistas eletrônicas, autor de projetos artísticos na internet e publicou um livro de modo inteiramente virtual, intitulado “A Espiral”, em 2000, onde de maneira vanguardista, disponibilizou-o gratuitamente no site de contracultura paulista “A Barata”.
Os exemplares de seus livros estão à venda em livrarias físicas e virtuais.

MAIS NOVIDADES: 

Ainda este ano também haverá a reedição do livro "Putrefação" com novidades: a nova edição será bilíngue (Português/espanhol) e será lançado como o primeiro volume das "Crônicas da Não-Existência". Tudo isso com o apoio de Flor Di Maria, Publisher da Twee Editora.
São ótimas notícias para as fãs paraenses do gênero terror.

Então, caros leitores, agendem-se:

Lançamento do livro Luz, O Deus do Horror
Data e hora: 04/10/2016 às 17h. 
Local: Livraria da FOX na Tv. Dr Moraes, 584.


sexta-feira, junho 24, 2016

#PensandoBem E esse tal de Crowndfunding?


Você sabe o que é Crowndfunding? Já ajudou alguma campanha? Conhece os sites brasileiros de financiamento coletivo?

Olá, queridos leitores, tudo bem? Tive a ideia de falar um pouco sobre esse assunto pois, o que mais vemos atualmente, são campanhas para financiamento das mais diversas coisas (e muitos livros) e eu percebo que tem muita gente que não faz muita ideia de como funciona esse tipo mercado. Por medo de perder dinheiro ou por não confiar, acaba que muitas oportunidades legais de investimento são perdidas e é sobre isso que nós vamos falar agora. Vamos lá?

O que é?

Crowndfunding é um termo relativamente novo, apesar do conceito ser mais antigo. A ideia de várias pessoas diferentes apoiarem financeiramente um projeto já acontece há muito tempo, mas era focada principalmente em filantropia. Iniciativas como o Teleton ou o Criança Esperança já acontecem há muitos anos e não deixam de ser uma forma de financiamento coletivo. Mas o Crowndfunding em si, como mercado mesmo, começou a aparecer nos idos de 2008 com o surgimento do KickStarter (atualmente o maior site de financiamento coletivo que existe). 

Em 2014 o Kick Starter anunciou
que havia arrecado
mais de 1 bilhão de dólares
 em doações para projetos 
A ideia é que qualquer pessoa pode divulgar um projeto, especificar exatamente o que se espera de resultado dele e exibir opções de pagamento que o publico geral pode fazer para ajudar o projeto a seguir em frente, em troca de algum benefício. No início é estipulado o valor total que o dono do projeto precisa e, se esse valor for atingido em doações, o projeto será executado. Hoje em dia temos várias ferramentas do tipo, desde o próprio KickStarter, ou o Indiegogo e os brasileiros Kickante e Catarse. Você mesmo pode acessar agora qualquer um deles e apoiar um projeto do seu interesse. 
Pebble: um smartwatch 100% finan-
ciado via KickStarter. Quem apoiou,
teve a oportunidade de compar um pela
metade do preço.

Há milhares diferentes e com os mais diversos objetivos. O que mais vemos nas versões americanas são projetos de tecnologia, gadgets, games e filmes. As versões brasileiras já tem um foco bem grande em filantropia e arte. Muitos livros, álbuns musicais e exposições saem de financiamentos desse tipo. 

Por que ajudar?

E é justamente nesse ponto que entra você, querido leitor. O principal foco dessas campanhas de financiamento coletivo é fazer com que o usuário cotidiano da internet possa ajudar algum projeto interessante. Ideias legais é o que não falta, mas muita gente fica com o pé atrás antes de abrir a carteira para apoiar. Mas esse tipo de gasto pode ser até muito interessante para:

- Apoiar alguma ideia que dificilmente conseguiria financiamento através de empresas ou governo;

Tales of Kurgala: Álbum musical OperaRock, inspirado no
livro O Espadachim da Carvão. A recompensa mais cara
custava R$2500,00 e, entre vários prêmios, havia a
oportunidade de ser tornar um personagem do
terceiro livro e de participar de um jantar com o autor.
- Ter a possibilidade de comprar em primeira mão algum item específico de um projeto;

- Ter a possibilidade de comprar algum item com valor de fábrica (em geral, os produtos dos projetos saem mais baratos para os apoiadores)

- Dependendo do valor pago, ter oportunidades únicas;

- Auxiliar à distância projetos que você provavelmente nunca ouviria falar;

- Entre outros.

Claro, sempre vai depender do marketing feito utilizado. Mas muitas campanhas de livros, por exemplo, oferecem desde brindes extras (como posteres, livros autografados, dedicatórias) até oportunidades de você conhecer o autor pessoalmente.

Que cuidados tomar antes de gastar com um projeto?

E é claro que sempre que aparecem essas oportunidades, vai ter algum espertinho tentando ganhar dinheiro. Mas se você prestar bastante atenção não há perigo nenhum em apoiar um projeto. 

O Corvo: livro de contos baseado no
poema de Edgar Alan Poe.
Atingiu o sucesso no projeto e
ainda gerou uma
 versão trilíngue do poema
A primeira coisa a se analisar são as pessoas que estão promovendo. Em geral há sempre uma pessoa pública que controla a página do projeto e pode dar algumas atualizações sobre ele. Na maioria das vezes, essas pessoas possuem perfis em diversas redes sociais e pode ser interessante você conversar com elas e tirar suas dúvidas. 

Vale também avaliar qual o tipo de arrecadação está sendo utilizada. Os sites de financiamento coletivo podem ter campanhas como o tudo ou nada (onde o projeto só recebe os valores arrecadados se o total estipulado foi atingido); ou como as campanhas flexíveis (onde o valor arrecadado é direcionado ao autor da campanha, mesmo que não atinja o objetivo). Sempre é válido dar uma boa lida na página do projeto e adjacentes para se ter certeza de todas as variáveis.

Bel Pesce é uma das maiores
empreendedoras do Brasil e
já lançou vários livros através do
Kickante, além de seu tour de
palestras
As formas de pagamento também são um ponto a se observar. Os sites de Crowndfunding em geral aceitam todos os cartões, mas, dependendo do valor que você deseja pagar para ajudar o projeto, pode ter formas de parcelamento diferentes. Existem também projetos em que o prazo é uma variável: se você quiser ser o primeiro a receber o produto, terá de pagar mais caro e por aí vai.

Projeto Legais

Existem vários projeto abertos atualmente e qualquer pessoa pode acessar um dos sites e apoiá-los como for possível. Segue a indicação de alguns:

- Filme Do Amor: Do Amor foi uma série do canal Multishow exibida em 2 temporadas. O financiamento coletivo é dedicado para tornar a série um filme e existem ótimas recompensas.

"DOAMOR é uma história sem fim. Lulu está dividida entre Pio e Brás. Pio espera por Lulu no aeroporto. Lulu decide ficar com Brás, mas ainda está envolvida com Pio. O que acontece depois? É que o todos nós queremos saber! Por isso, os fãs pediram a continuação da história. Não desistiram de Lulu, Pio e Brás! E nós não desistimos dos nossos fãs e dos personagens. Morremos de saudades de tudo! 

Daí, decidimos colocar todo nosso amor na realização de um longa metragem para arrancar de vez essa falta do nosso coração. Precisamos pegar o Pio no aeroporto!!! E saber se Lena e Eva ficaram juntas. E Bárbara e Tiê, será que seguiram em frente apesar (ou por isso mesmo) de tantas diferenças?"

- Barca dos livros: "Inaugurada em fevereiro de 2007, na Lagoa da Conceição, em Florianópolis, a Barca dos Livros – Porto de Leituras é uma biblioteca comunitária mantida pela Sociedade Amantes, que defende a importância da leitura para o desenvolvimento comunitário e individual. Possui um acervo de mais de 10.000 livros catalogados e um premiado programa de incentivo à leitura.

Situada em Florianópolis, a biblioteca comunitária Barca dos Livros atua como mediadora da leitura e da formação de leitores e busca, por meio de suas ações, ser uma biblioteca referência na área do livro e da leitura no âmbito local e nacional."


- Cão guia: quanto vale o seu olhar? "Os cães-guia são grandes aliados dos deficientes visuais. No entanto, no Brasil há apenas 100 cães-guias enquanto que existem 6 milhões de deficientes visuais. Para conscientizar a população da importância dos animais para os deficientes visuais, nós do Instituto Iris de Responsabilidade e Inclusão Social criamos esta campanha de financiamento coletivo. O IRIS precisa de recursos para treinar e doar cães-guia destinados para as pessoas que irão aposentar os amigos caninos em breve. Junte-se a nós e colabore para transformar a vida de deficientes visuais!"


- Livro: Place Branding:  "Todos temos um café favorito de uma esquina favorita, uma praça na qual sempre nos sentamos, um parque que sempre merece retorno e afeto. Contudo, na maioria das vezes, não sabemos explicar racionalmente o motivo de tais predileções. Seja pelo clima, pelo conjunto de facilidades que oferecem, por uma memória afetiva ou simplesmente pela aparência, nossos locais preferidos são nossos, sempre nossos, misturados a emoções diversas.

Essa relação entre pessoas e lugares é o objeto central do place branding, tema central do nosso livro. A partir dele, identificamos as vocações de um lugar e o DNA de seus moradores, para em seguida trabalharmos elementos e estratégias para fortalecer e alavancar estes lugares."



- Livro Interativo - meu mundo hoje: "Este livro traz a ideia de uma cápsula do tempo, onde você registra como o seu mundo funciona hoje, só que de forma descontraída, através de perguntas e atividades reflexivas, podendo assim, te trazer muito autoconhecimento e te ajudar a observar o seu próprio amadurecimento, além de ter ótimos assuntos para serem conversados com seus amigos ou num almoço em família."

E aí? Curtiu? Vamos apoiar projetos legais? Não deixe de comentar!



quinta-feira, junho 23, 2016

[Quinta em Outra Língua #43] For Darkness Shows the Stars - For Darkness Shows the Stars #1 - Diana Peterfreund



Título:
For Darkness Shows the Stars

Autora:
Diana Peterfreund

Editora:
Balzer + Bray


Várias gerações já passaram desde uma experiência genética que deu errado causou a Redução, dizimando a humanidade e nos dando a ascensão da nobreza Ludita que baniu a maioria da tecnologia.
Elliot North sempre soube o seu lugar neste mundo. Quatro anos atrás Elliot se recusou a fugir com o seu amor de infância, o servo Kai, e escolheu o seu dever com a fazenda da sua família em vez do amor. Desde então o mundo mudou: uma nova classe de Pós-Reducionistas está dando um novo fôlego ao progresso. A fazenda de Elliot está definhando, a forçando, assim, a arrendar a terra à misteriosa Frota das Nuvens, um grupo de construtores de barcos que incluem o renomado explorador Capitão Malakai Wentworth - um praticamente irreconhecível Kai. E enquanto Elliot se pergunta se essa pode ser a segunda chance deles, Kai parece estar determinado a mostrar a Elliot exatamente o que ela abriu mão quando o deixou partir.
Mas Elliot logo descobre que o seu velho amigo carrega um segredo -- um que poderia mudar a sociedade deles... ou destruí-la. E novamente, ela se encontra com uma escolha: se agarrar ao que ela foi criada a acreditar, ou apostar a sua sorte no único garoto que ela já amou, mesmo que ela tenha o perdido para sempre.
Inspirado em Persuasão de Jane Austen, For Darkness Shows the Stars é um romance de tirar o fôlego sobre abrir a sua mente para o futuro e o seu coração para aquela pessoa que você sabe que pode quebrá-lo.

Sou fã de Jane Austen de carteirinha, amo uma adaptação dos clássicos dela. Então nem me importei com resumo nem nada. Só vi que era baseado em Persuasão e essa capa linda (amo coisa de estrela *-*) e me joguei na leitura. Não me arrependi. 

Jane Austen + Ficção Científica = AMOR
A história se passa num futuro onde várias experiências genéticas com o objetivos de criarem seres humanos perfeitos e melhores, resultaram na Redução e em guerras. Com a ajuda da ciência essas pessoas reescreveram o seu DNA, mas deu errado e o seus filhos sofreram a Redução, ficaram quase como crianças. Aqueles que se recusaram a participar, e se esconderam em cavernas para fugir das guerras se tornaram os Luditas, que criaram regras para que nunca mais houvesse outra Redução, os chamados protocolos. (Quem aí lembra das aulas de história? Lembram da galera que era contra a Revolução Industrial e quebrava as máquinas e tudo mais?)

Para alguns Ludistas, os Reduzidos eram crianças, caídos da graça e desamparados, mas ainda humanos. Para outros, eles eram bestas de carga, em sua maioria mudos e incapazes de pensamento racional. A mãe de Elliot havia a ensinado que eles eram o dever dela, como eram o dever de todos os Ludistas.
Elliot, a nossa protagonista, é uma Ludita. Segunda filha do Barão North, que possui uma grande propriedade onde os Reduzidos são os servos e força de trabalho. Além dos Reduzidos e dos Luditas começou a surgir um terceiro grupo, os Pós-Reducionistas, pessoas filhas e descendentes de Reduzidos mas que não sofrem da Redução. Uma dessas pessoas é o nosso outro protagonista, o Kai. Um garoto que cresceu na fazenda da família de Elliot, e que cultivou com ela uma amizade desde a infância. 

Os personagens: Elliot é aquela famosa heroína de Jane Austen que acredita no dever. Ela conhece Kai desde a infância (diferente de que no original de Persuasão). A história em si se passa anos depois dele ter deixado a fazenda da família dela, mas nós vemos os pedaços do que foi a amizade deles, que depois progrediu para romance, através das cartas e dos bilhetes que eles trocaram durante toda uma vida. Algo que é tão Jane Austen que me faz ser ainda mais apaixonada por esse livro.

Elliot, desde que decidiu ficar para trás, dá de tudo que tem e um pouco mais para o bem da fazenda e os seus trabalhadores. Mas todos os seus esforços não são o suficientes. Ela não foi criada para gerir uma grande fazenda, muito menos para plantar, e ainda tem que lidar com o seu pai que só se importa em manter o seu senhorio sobre todos. E ainda, com a produção da fazenda caindo, a mão de obra especializada indo embora, Elliot se vê diante de um desafio que ela não está preparada. Isso não a impede de tentar.

Longe da propriedade dos North, nas grandes cidades cheia de Pós-Reducionistas, surge a Frota das Nuvens. Um grupo de Pós que pretende mudar o mundo. Tudo neles é voltado para o futuro, e sem o medo da Redução que permeia todos os Luditas. Dentre deles, volta Kai, agora Capitão Malakai Wentworth, completamente transformado e cheio de ressentimentos. Para quem conhece Persuasão, sabe o que vai acontecer. Afinal, o romance de Jane Austen, é justamente sobre duas pessoas que costumavam se conhecer e partilhavam uma intimidade, mas que se separaram. Kai, então, volta com raiva de Elliot, e fazendo de tudo para mostrar o quanto está melhor depois que deixou tudo para trás..

"As pessoas são tolas quando se trata de amor"
Elliot não foi. Ela foi racional, lógica e razoável, prudente. Ela foi fria e cruel, e desleal e distante.
Ela não foi tola.
Ela foi a garota mais tola da ilha.

Em meio a segredos, de ambos os lados, Kai e Elliot vão aos poucos se reencontrando. Não mais adolescentes, mas jovens cheios de responsabilidades. O tempo que eles passaram separados mudou os dois. Reconstruir o que eles tinham parece impossível, principalmente porque Kai está frio e distante, ressentido com Elliot. Essa só está feliz em vê-lo novamente. E assim como no original, era excruciante ver os dois. Primeiro eles mal se falavam, para depois começarem a brigar. A intimidade que a gente vê, vinda tão fácil, nas cartas de outrora, agora parece perdida. Essa história acaba comigo.
Por que tudo tem que ser tão complicado?
(dá um dó ver as cartas deles do passado
e agora eles nem sequer olham na cara um do outro)
Mesmo que seja baseado na obra de Jane Austen, a história é boa por si só. Se você é fã de Jane Austen, o fato de ser baseado em Persuasão é um extra. Algo a mais. Como eu sou fã, a cada página eu ficava mais ansiosa em saber o que a Diana Peterfreund ia manter ou mudar em relação ao original. Sou muito crítica com adaptações de coisas que eu amo (vulgo, Orgulho e Preconceito e Zumbis, juro que tentei mas não rolou), e esse livro me convenceu! É a segunda vez que eu li ele, e amei. 

For Darkness Shows the Stars tem uma companion novel, um outro livro dessa mesma série mas que outros personagens são os principais, mas eu ouvi falar que gente desse livro aparece. Vou correr atrás! Além disso, tem uma história extra, que conta como foi o tempo de separação dos dois pelo ponto de vista do Kai. Nesse livro seu coração se parte em ver a Elliot, e no conto, o que restava vira cacos ainda menores ao ver o que o Kai passou antes de se juntar a Frota das Nuvens.

Amei e quero mais!


quarta-feira, junho 22, 2016

Eu li: Trama - Michael Jensen e David Powers King

Título: Trama

Autores: Michael Jensen e David Powers King

Editora: Arqueiro


O sonho de Nels era ser cavaleiro do reino de Avërand. Filho obediente, ajudava como podia os moradores de sua pequena e tranquila aldeia. Querido por todos e tratado como herói, acreditava que logo seria selecionado como escudeiro da cavalaria.

Mas isso foi antes de ser assassinado por uma figura misteriosa.

Nels virou um fantasma, e agora só uma pessoa consegue vê-lo: a princesa Tyra, herdeira do reino e sua única esperança de entender o motivo do crime. A princípio, a jovem mimada não dá a menor confiança para o rapaz, mas, à medida que o mistério da morte dele vai se desenrolando, os dois percebem que têm em comum um segredo e um inimigo terrível, que pode se disfarçar de qualquer pessoa.

Nels e Tyra não têm escolha. Precisam fugir do castelo, desbravar um mundo oculto repleto de magia e espectros sombrios e encontrar uma agulha, a relíquia capaz de remendar o que foi descosturado na Grande Tapeçaria.


Trama foi uma grata surpresa pra mim: é uma história de fantasia infanto juvenil que me lembrou bastante a sensação que eu tive ao ler As Crônicas de Nárnia pela primeira vez. Michael Jensen passou dez anos imaginando o mundo fantástico por trás desse livro e se juntou a David Powers para inserir os personagens e desenvolver a história dentro desse novo universo.

A ideia por trás desse mundo é que o tempo é tecido através da Grande Tapeçaria e cada pessoa existente é uma linha que irá levar o tecido adiante. Ao morrer, o fio de uma pessoa é cortado e destecido da trama, mas suas ações em vida deixam sempre uma marca no tear do tempo. Aqueles que conseguem usar a magia da Urdidura (o poder mágico baseado nos fundamentos da costura e tecelagem da Grande Tapeçaria) obtêm grande poder e se tornam poderoso magos. Mas a Urdidura já se tornou uma arte quase esquecida.
- Paciência - respondeu Bosh - A Urdidura é uma arte tenaz que exige atenção meticulosa. - O velho baixou as mão para os bolsos e tirou um pequeno carretel de linha de um deles e uma tesoura de outro. - Como eu disse, cada pessoa é um fio valiosíssimo no desenho da Grande Tapeçaria, mesmo que pareça insignificante. As escolhas das pessoas fazem o tecido, e o tempo o comprime. - Bosh tirou um fio do carretel e cortou-o com a tesoura. - Quando uma vida acaba, o fio desse indivíduo é cortado e ele deixa para trás um padrão que foi tecido de forma permanente na Grande Tapeçaria durante toda a sua vida.
E nesse universo conhecemos Nels: um garoto obediente, que tem o sonho de se tornar um cavaleiro do reino de Avërand, mas é impedido pela mãe. Essa, cheia de segredos, nunca explicou a Nels sobre seu passado, sobre o porquê de morarem no meio da floresta ou sobre seu pai. Mas quando começamos a conhecer mais sobre o garoto e sua história começa a ser mais desenvolvida, ele é assassinado por uma figura misteriosa (calma, não é spoiler). 

É aí que entra Tyra, a princesa do reino de Avërand. Uma garota extremamente mimada, que tem alguns problemas com seus pais (o rei e a rainha) e, por algum motivo, é a única que consegue enxergar e conversar com o fantasma de Nels. Nenhum dos dois sabe exatamente o que está acontecendo com o garoto, como ele se tornou um fantasma ou porque somente Tyra pode vê-lo. Mas ambos terão que partir em uma jornada atrás de um artefato antigo da magia de Urdidura para poderem remendar a Grande Tapeçaria, uma missão que só eles podem cumprir.

Mapa do Mundo de Trama
Apesar de ter inúmeros (é ótimos) personagens coadjuvantes, a trama de Trama (oi?) é focada principalmente em Nels e Tyra. É até meio difícil determinar quem é o protagonista: no início do livro o foco é totalmente direcionado a Nels, mas ao longo do desenvolvimento, a jornada do herói é totalmente de Tyra. É ela quem recebe o chamado ao dever, a missão e é ela quem precisa evoluir e se tornar a heroína. Funciona muito bem como um conto de fadas as avessas e eu achei isso espetacular.

A dinâmica entre Nels e Tyra é o ponto alto do livro. Eles não se dão muito bem desde o início: Nels é humilde e honesto, mas é um camponês, algo que Tyra despreza. Ela é muito mimada, coisa que o garoto destesta. A relação dos dois tem um pouco de tudo, drama, humor, aventura e por aí vai. Numa parte você até começa a shippar os dois, apesar de um estar morto (eita). Junte a isso uma trama de mestre e aprendiz para explicar exatamente o passado do reino, a história dos pais e do assassinato do garoto e chegamos ao vilão da história: Rasmus. Ele foi a única coisa que realmente me incomodou no livro. Numa história tão boa quanto essa, achei ele genérico demais: parece estar ali só para levar a trama adiante e é bem pouco desenvolvido.

Mas, algo realmente espetacular desse livro, é o universo por trás dessa história. O mapa acima foi minimamente explorado pelos personagens e, mesmo assim já apareceu muita coisa. Por isso que no meu comentário inicial falei que lembrei muito da primeira vez em que li O Sobrinho do Mago (primeiro livro das Crônicas de Nárnia). A história de Trama é muito boa, engraçada e criativa (a ideia por trás da magia de Urdidura e a Grande Tapeçaria foram sacadas espetaculares), mas eu realmente fiquei com a sensação de que todo o universo que está em volta é muito maior e tem muito mais coisas a oferecer. 

O livro Trama em si tem a história fechada e redondinha. Mas eu vou lamentar de verdade se os autores não lançarem outras histórias desse universo. 

Pra mim foi uma ótima leitura. Recomendo de verdade para todo mundo e, minha nota final é:

 

sexta-feira, junho 17, 2016

Nerdice Pai D'égua #14: Injustice: a Guerra Civil da DC Comics


É isso, aí pessoal. Voltamos para mais uma episódio da nossa coluna de cultura nerd e vamos finalmente falar sobre a DC Comics. Hoje falaremos sobre um dos melhores games de luta já lançados e da HQ derivada dele: Injustiça: Deuses Entre Nós. Vamos começar?

O game é de 2013, produzido pela NetherRealm Studios (a mesma de Mortal Kombat), lançado para a 7ª geração de consoles (PS3, Xbox 360 e Wii) e é, basicamente, um jogo de luta entre personagens da DC. Posteriormente a história do jogo foi adaptada para um HQ que atualmente no Brasil está na edição nº 5 e é lançada pela Panini. A trama foi o grande diferencial trazendo uma pergunta que muita gente já fez: o que aconteceria se o Superman resolvesse virar um vilão? 



A história começa numa linha alternativa do tempo, com o Superman descobrindo que Lois Lane está grávida. Só que em meio a toda essa felicidade, um novo plano do Coringa entra em ação. Ele sequestra Lois e toda a Liga da Justiça é convocada para auxiliar nas buscas. O Superman é quem os encontra primeiro: a cena é num submarino e o Coringa e a Arlequina estão realizando alguma experiência com Lois. 

Antes que possa fazer qualquer coisa, o Superman acaba inalando um gás que o Coringa havia colocado no ambiente e, quando consegue se recuperar, percebe que naquele submarino está o Apocalipse e começa uma batalha contra o monstro, levando-o para a atmosfera da Terra. A batalha não dura muito e o vilão logo é derrotado, entretanto, quando volta a si, o Superman percebe que ele não estava lutando com o vilão, mas sim atacando Lois Lane. O gás que ele respirara era uma mistura da toxina do medo do Espantalho (vilão do Batman) misturada com kriptonita que o fez imaginar que sua esposa era o Apocalipse.


Ao mesmo tempo, o Coringa também havia programado uma bomba nuclear para explodir Metropolis assim que o coração de Lois parasse de bater. Com a esposa morta e sua cidade destruída, Superman muda completamente. Ele assassina o Coringa na frente do Batman e decide iniciar uma nova ordem mundial, onde ele define que todas as guerras devem cessar imediatamente. Com a maior parte da Liga da Justiça ao seu lado, o Superman resolve impor uma paz mundial a força, sendo que o Batman (discordando desse posicionamento) resolve fazer frente as suas ações autoritárias.

Batman: "Mas esse vilão era meu!"
No enredo do jogo essa é a cena inicial e logo em seguida somos levados a linha do tempo normal da DC, onde vemos que,após uma briga entre os heróis e os vilões, Aquaman, Batman, Coringa, Mulher-Maravilha, Arqueiro Verde e Hal Jordan são transportados para a dimensão onde o Superman agora é um ditador e governa o mundo. Controlando vários heróis e vilões a trama vai sendo desenvolvida e vamos descobrindo o que aconteceu exatamente com cada um dos personagens após a morte da Lois Lane e a explosão de Metrópolis e, também, vamos jogando para vencer várias lutas diferentes.

Já a HQ continua a trama e demonstra como a Liga da Justiça e os vilões da DC se separaram em dois times diferentes: um liderado pelo Superman com o objetivo de impor a paz mundial e acabar com todas as guerras a força; e o outro liderado pelo Batman tentando impedir que o Superman se torne o ditador do Mundo. 

Vale lembrar algumas partes mais interessantes da trama (e que lembram em muito a Guerra Civil da Marvel);
- O Superman é totalmente tratado como um vilão. Não há limites para o que ele faz, desde que ele consiga manter seu objetivo. Ele não exita em se aliar ao Sinestro, matar centenas de alienígenas que estão invadindo a Terra, espancar qualquer super herói que tente impedi-lo e por aí vai (mais ou menos como o Homem de Ferro); 

Detalhe para o barulho que a coluna do Batman fez...
- Os times são totalmente desbalanceados: a maior parte da Liga da Justiça permaneceu ao lado de Superman, sendo que o time Batman é composto, principalmente de personagens que não possuem poderes especiais (Arqueiro Verde, Arlequina, Aves de Rapina, Mulher Gato entre outros); 
Que time apelão, hein, Superman?
- O Flash é o personagem que fica em cima do muro: ele está do lado do Superman, mas, ao mesmo tempo, percebe que eles estão fazendo muita coisa errada para atingir o objetivo. Em muitas partes é ele quem tenta trazer um pouco de razão ao Superman, funcionando de uma forma muita parecida com o Homem Aranha em Guerra Civil.

Enfim, a HQ e o game são muito bons. A trama tem um pouco de tudo: ação, drama e até um pouco de comédia non-sense por parte da Arlequina (melhor personagem ever). Praticamente todos os personagens da DC vão aparecer até o fim da história. Até aqui já vimos desde Constantine até o Lobo e aparições do Monstro do Pântano e Mister Mxyzptlk estão confirmadas.  É super indicada para todo mundo e, para mim, uma das melhores histórias que estão sendo lançadas no momento.

Para terminar, vale lembrar que a continuação do jogo acabou de ser anunciada na E3. Segue o teaser de Injustice 2


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