quinta-feira, março 23, 2017

[ESPECIAL] Trilogia As Peças Infernais - Cassandra Clare


"O amor pode ser a magia mais perigosa de todas."

Mesmo depois de alguns anos, continuo entregue e obsessiva por essa trilogia do amor.
"As Peças Infernais" chegou do nada e virou minha perspectiva sobre os shadowhunters do avesso. A trilogia é maravilhosa e ouso dizer que bem melhor que os 6 livros de "Os Instrumentos Mortais". 
Neste post vou explicar a relação entre as séries e tentar sanar algumas dúvidas que possam surgir eventualmente, sem spoilers. Qualquer coisa, se manifestem nos comentários. 
Acompanhem meu resumo: 

"The Mortais Instruments"

"As Peças Infernais" é o prequel da série "Os Instrumentos Mortais". Ou seja, é uma história que se passa antes da série inicial que contém elementos do mesmo universo. 
"As Peças Infernais", diferente de "Os Instrumentos Mortais" que se passa em Nova York na contemporaneidade, se passa na Londres Vitoriana, no século XIX, e trabalha o que conhecemos anteriormente em TMI: caçadores de sombras que tem como função proteger o mundo e os mundanos de ataques demoníacos. Bem na superfície as duas séries trabalham basicamente a mesma coisa. O grande diferencial é: o enredo, os personagens e a ambientação. Ou seja: praticamente tudo. 
Um ponto interessante que me enlouqueceu: os personagens da trilogia "As Peças Infernais" são ancestrais dos personagens de "Os Instrumentos Mortais". E, acreditem, isso dá muito pano para manga. 

Vamos esclarecer séries e livros: 
Os Instrumentos Mortais - 6 livros (The Mortal Instruments): Cidade dos Ossos, Cidade das Cinzas, Cidade de Vidro, Cidade dos Anjos Caídos, Cidade das Almas Perdidas e Cidade do Fogo Celestial. 
As Peças Infernais - 3 livros (The Infernal Devices): Anjo Mecânico, Príncipe Mecânico e Princesa Mecânica. 
Porém, a ordem aconselhável de leitura é um pouco mais complexa. Os primeiros livros são: Cidade dos OssosCidade das Cinzas Cidade de Vidro. Depois é recomendável alternar o prequel com o a história contemporânea: Anjo MecânicoCidade dos Anjos CaídosPríncipe Mecânico, Cidade das Almas PerdidasPrincesa Mecânica e Cidade do Fogo Celestial. Em algum momento no meio das publicações surgiu O Códex de Caçadores de Sombras, que é um livro histórico sobre todo o universo shadowhunter. Não pensem que isso foi aleatório, amigos. A autora é uma bruxinha do mal e vamos constatar isso mais à frente.
A arte das capas brasileiras são iguais as da americana, só para constar. (Se tivéssemos hardcover eu seria mais feliz, mas ok.) 

Enfim, "As Peças Infernais":

The Infernal Devices

A trilogia TID, como supracitado, se passa no século XIX, em Londres, e toda a ambientação é digna de nota: a Londres cinzenta, suja, com carruagens, cavalheiros de ternos, damas de vestidos, linguagem culta, inclinação para beijar a parte de trás da mão. Tem tudo! A narrativa é maravilhosa, sensorial e emocionante. Claro que também há os aspectos de humor. A autora foi impecável, do meu ponto de vista. Já li alguns clássicos da época e tudo se mostrou bastante crível; tirando o fato dos shadowhunters atrás dos demônicos, é claro. 
Mesmo com os elementos clássicos, a história pode ser apontada como steampunk. O termo "mecânico" dos títulos é imprescindível para o enredo. 

Tessa Gray é uma jovem americana que, após perder a tia nos EUA, parte para Londres atrás do irmão Nathaniel. Ao chegar na cidade, ela é recebida pelas Irmãs Sombrias, duas feiticeiras que a mantém presa em um treinamento insano. Tessa descobre que tem o estranho poder de mudar de forma. Ela pode se transformar, literalmente, em qualquer pessoa; basta que tenha algo pessoal em que segurar. 
O tormento de Tessa não diminui quando descobre que está prometida em casamento para o Magistrado. Um ser cujo o título denota o poder que exerce no submundo com seus autômatos infernais. 
Tudo que Tessa não esperava era ser resgatada por um lindo rapaz cheio de marcas (ah, como esse termo é propício) que luta corpo a corpo com as Irmãs Sombrias. 
Sei o que vocês estão pensando. "Mimim lá vem romance mimimi". Sim, lá vem romance. Lá vem amor! Lá vem dor!
Dor, amigos. Nem uma palavra melhor resume as relações nessa história. 

Ao ser resgatada por Will e uma equipe de shadowhunters, Tessa é hospedada no Instituto de Londres, onde a jovem e gentil diretora, Charlotte Branwell, faz de tudo para ajudá-la. Tessa passa vários momentos na defensiva, afinal, seu primeiro contato com estranhos em Londres não foi nada positivo. Porém, logo ela vai descobrir que essas estranhas pessoas, com hábitos singulares da etiqueta da época, são incríveis. 
Quero constar isso com muita clareza: todos os personagens de "As Peças Infernais" são incríveis. TODOS. Eles são fortes, cheios de personalidade e suas histórias são bem abordadas, diferentemente de "Os Instrumentos Mortais" onde o foco é no romance passional de Clary e Jace. 
Em TID, a autora vai dar um novo significado ao termo ~triangulo amoroso~. Sei que algumas pessoas estão cansadas disso. Não aguentam mais essa história de indecisão e team e panz. Porém-todavia-contudo, Cassandra Clare vai pegar o leitor e arrancar o coração fora com as mãos, à la Once Upon a Time. 
Vejam bem, o termo parabatai, nessa série, ultrapassa qualquer tipo de intenção romântica que a autora supôs propor.

Will e Jem são parabatai. Os dois são shadowhunters e, eventualmente, os dois se apaixonarão por Tessa. Porém eles estão dispostos a se sacrificar um pelo outro. Não consegui ver nenhuma sugestão homoafetiva entre os dois (antes que alguém pergunte), apenas a amizade mais incrível e linda que já tive o prazer de ler. 
Mas o que é parabatai? Ser parabatai é ser ligado irremediavelmente ao outro. É um selo. Um juramento.

.
"Você me é tão caro quanto a metade da minha alma. Eu não poderia ser feliz se você fosse infeliz. (...) Rogo não deixá-lo ou voltar após segui-lo: pois para onde você for, eu irei." 

O termo parabatai é usado em "Os Instrumentos Mortais", mas só pude perceber sua grandeza em "As Peças Infernais". É impossível (caso tenhas um coração) não ficar tocado pela amizade dos dois. Tessa é apenas um elemento há mais. Ela não veio causar contenta ou ruptura, mas complementar. Os três se amam mutuamente, mas apenas um poderá ficar com ela. Eu queria cortá-la ao meio para dar sua metade para cada um. É impossível ter um team nesse caso. E é impossível não sofrer com o rumo que as coisas tomam. 

CHOROSAAAA
O magistrado é um cão. E ele é responsável pelo ar steampunk que a história tem. Suas criaturas mecânicas são assustadoras e implacáveis. Ele tem a intenção de criar um exercíto de autômatos para combater os shadowhunters. As criaturas são do tamanho de homens adultos, cobertos com pele humana, com alguns órgãos feitos de mecanismos de engrenagens. Alguns conseguem até falar. Essa tecnologia ~futurista~ no ambiente do passado é descrita de forma genial e Cassandra Clare soube dar um ar sombrio que combinou muito bem com a proposta da história.

À priori, o grande questionamento é saber o que Tessa é e qual é a importância de sua participação nos planos do magistrado. Mas logo o leitor é enredado pelas complexidades dos personagens e das relações entre eles, o que dá uma super-valorização à história. 
Tudo nessa trilogia é incrível. Dentre vários elementos, há o modo como a ciência vai se desvendando aos olhos do leitor através de Henry, um shadowhunter inventor (e teremos acesso a algumas suas invenções na contemporaneidade de "Os Instrumentos Mortais", inclusive), a participação especial de nosso conhecido Magnus Bane, a forma como as relações se dão entre os personagens (não apenas entre Will, Tessa e Jem, mas entre todos!) e, sobretudo, os sobrenomes. 

Eu mesma gritando pela casa
Preciso confessar que uma das coisas que mais me empolgou foram os sobrenomes. É muito legal (e meio doentio, ok) criar teorias e tentar desvendar como as séries se interligam. Herondale, Lightwood, Fairchild, Carstairs, dentre outros, são apenas uma ponta da rede que Cassandra Clare criou para prender o leitor. E, no meu caso, conseguiu com louvor. 
Já como prometi guardar os spoilers, vou expôr apenas mais uma coisa: há mais personagens, já incluindo Magnus Bane, que dão ar da graça nas duas séries! 
Acontecem tantas coisas, amigos! É de tirar o folego e de jorrar lágrimas. Quase me jogo da escada de tanto amor/dor.

A maldita da autora escreveu de forma que o último livro de "Os Instrumentos Mortais" explicasse os detalhes do final de "As Peças Infernais". Genial. E cruel. 
Eu tinha parado de ler TMI em 2012. Mas quando comecei TID, tive que voltar. Percebem? Foi imperativo. Fiquei TÃO apaixonada pela trilogia que, para não perder nada, voltei para uma série que eu tinha dado um tempo. Gosto de TMI mas os protagonistas me irritam. O que me fez continuar foram os personagens secundários. Acreditem, Cassandra Clare evoluiu perceptivelmente nos últimos livros de "Os Instrumentos Mortais" mas NADA que se compare a qualidade de "As Peças Infernais". N-A-D-A. 

Preciso comentar uma das coisas mais legais que me pegou pelo pé em TID: Tessa e Will são bookaholics. Eles conversam sobre livros, dão dicas sobre livros, citam fragmentos de livros. Tessa vive com um livro na mão. Minha lista de leitura aumentou consideravelmente depois dessa trilogia.  "As Peças Infernais" é repleta de referências e amo isso. A autora cita Charlotte Brontë, Jane Austen, e Charles Dickens dentre outros autores clássicos. Só complementa o fantástico que a trilogia é no todo. 

ATUALIDADE: Para quem pensou que o universo shadowhunter iria parar por aí, Cassandra Clare mandou um recado: 

Beijos

A autora publicou em 2016 o livro 1 da série "The Dark Artifices". Os eventos desta série se passam 6 anos depois dos eventos de "Os Instrumentos Mortais" e tem como protagonista um membro da família Carstairs! (Isso significa MUITO para quem leu "As Peças Infernais", acreditem.) (Ainda bem que ela não é chata como Clary.). 
"Dama da Meia-Noite" também foi publicado pela Editora Galera Record e já tem resenha aqui no blog
Agora estamos no aguardo de "The Last Hour", que será basicamente sobre os descendentes dos que sobreviveram em "As Peças Infernais", que provavelmente será lançado ainda este ano. 
Ao que parece (me corrijam se estiver errada), o ciclo shadowhunter fechará em 18 livros, sem contar "As Crônicas de Bane", que são pequenas histórias sobre o alto feiticeiro. Não tenho muito interesse nas crônicas do homi, mesmo o adorando. Achava que estaria fadada a caçar fragmentos de meus personagens de "As Peças Infernais" mas, recentemente, Cassandra Clare publicou contos sobre Simon. E, bem, Simon é meu personagem favorito de TMI, então aguardem resenha! 

É!
INCLUSIVE, teremos evento sobre o livro de Simon, vulgo "Contos da Academia dos Caçadores de Sombras", dia 08 de abril, aqui em Belém e nós, do blog Garota Pai D'Égua, vamos mediar!
Confirmem presença aqui e acompanhem todas as novidades na página do evento.
Vai ter brinde, vai ter brincadeira e teremos nós, surtando ♥ 

Simon rainha, Jace nadinha.

Enfim, meus amigos leitores, não acho que tenha conseguido passar todos os sentimentos apropriados sobre "As Peças Infernais" mas, oh: a favoritei para a vida! Me apeguei tanto a esses livros que tive que fazer um textão e até me surpreendi de não ter tantos caps lock, rsss. Não entrei em detalhes de nenhum personagem senão o post ficaria maior ainda (e eu não conseguiria me segurar com os supracitados caps locks).
QUERO TANTO QUE TODOS LEIAM ESSES LIVROS! Esta trilogia é verdadeiramente incrível em todos os aspectos e espero que vocês tenham a oportunidade de constatar isso pessoalmente.
Quem já leu e entende meus sentimentos, vem me abraçar. Quem não leu, corre! E depois vem me abraçar. 
Aviso desde já que depois do epílogo de "Princesa Mecânica" a DPL é braba! Sério.



Post criado originalmente para o blog Nem te conto


quarta-feira, março 22, 2017

Eu Li: Um Martíni com o Diabo - Cláudia Lemes


Título:
Um Martíni com o Diabo
Autora:
Cláudia Lemes
Editora:
Empíreo
Ano:
2016

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O jovem Charlie Walsh está em Las Vegas. Não para tentar a sorte, e sim para matar seu pai, um chefe da máfia italiana, Tony Conicci.
O plano era infiltrar-se no restrito grupo de confiança da família Conicci e se aproximar do chefão, mas Las Vegas corrompe. E o desejo de vingança de Charlie é posto em prova quando ele se vê seduzido pelas amizades, o poder, drogas e dinheiro que a máfia oferece.
Com o FBI em sua cola, e secretamente apaixonado pela enigmática esposa do pai, ele precisará decidir onde apostar sua lealdade.

Cláudia Lemes está fazendo seu caminho na literatura abordando algumas temas fortes, sempre envolvendo doses de violência e sexo. 
Seu primeiro livro lançado pela Editora Empíreo, em 2015, se chama “Eu Vejo Kate” e causou muito burburinho entre os leitores, portanto, foi natural a espera ansiosa por seu segundo livro, “Um Martíni com o Diabo”.
Nesta nova história, Cláudia vai nos mostrar o mundo da máfia. Em seus comentários, ela explica que já escrevia sobre a temática há alguns anos e que este livro é o resultado desse trabalho.

“Um martíni com o diabo” conta a história de Charlie Walsh. Criado com a mãe irlandesa em Chicago, ele sempre teve uma pré-disposição para problemas. No seu aniversário de 18 anos, sua mãe finalmente revela o segredo que fez parte de toda a sua vida: quem é o seu pai. Infelizmente, para Charlie, Tony era um homem que fazia parte da máfia italiana que abusou de sua mãe e, enfim... essa história de paternidade não teve nenhuma parte feliz. Charlie, em plena fúria de seus 18 anos, segue seus instintos e vai atrás de vingança.

O protagonista parte para Las Vergas e planeja cuidadosamente como irá se implantar na máfia que seu pai, durante esses anos, conseguiu chefiar. Tony agora é o don da área de Las Vegas e comanda tudo com mãos de ferro; Charlie, aos poucos, consegue ganhar a confiança de outros capangas e até um certo respeito de Tony. 
Seu plano inicial era chegar perto o suficiente para vingar sua mãe, no entanto, o mundo da máfia é atrativo demais para Charlie. Ele se envolve de tal forma que, em pouco tempo, é difícil de sair. 
O leitor conhece toda a trajetória de Charlie, desde seus impulsivos 18 anos à sua vida adulta como um mafioso conhecido e temido.

A partir do momento que o livro trata da convivência de Charlie com a máfia, fica impossível parar ler (e deve começar no 2 ou 3° capítulo, hein). A autora trabalha todo o horror que uma organização criminosa pode criar com riquezas de detalhes. Sem falar que a história transpassa vários temas que ficaram interessantes na trama: privação de liberdade, vícios, drogas, prostituição, sadismo, etc. Ou seja: pesado, amigos.

A narrativa de Cláudia Lemes é maravilhosa. Fui totalmente transportada para aquelas casas de jogos de Las Vegas em sua prosa de clima noir; tudo absolutamente perfeito para a temática do livro. Seu enredo, por mais que tenha muita informação, é bem construído e os personagens fascinantes. Charlie tem todos os conflitos de um homem comum ao lidar com situações marcantes. Tony é uma incógnita, tanto para os personagens, como para os leitores, até que a história toma um rumo onde começamos a compreender que quando uma alma se corrompe é difícil modifica-la. Também temos Graeme e Marion, duas presenças femininas essenciais que irão mexer completamente com Charlie através dos anos e o ajudam, de certa forma, a mudar o rumo da sua história (e dependendo do ponto de vista, isso pode ser bom ou ruim). 

A Editora Empíreo, como sempre, fez um lindo trabalho com a edição do livro, com uma capa com condiz muito com o que vamos encontrar na história: tiros. 
“Um Martíni com o Diabo” é um convite aos leitores para penetrar no mundo da máfia no melhor do gênero policial. Para os fãs de “O poderoso chefão”, será um banquete. E se discordarem, podem colocar uma cabeça de cavalo na minha cama.

E tenho dito.
Tem que ler!

terça-feira, março 21, 2017

Eu Li: Escândalos na primavera - Lisa Kleypas

Título:
Escândalos na Primavera
Autora:
Lisa Kleypas
Editora:
Arqueiro
Série:
As quatro estações do amor #4
Ano:
2017

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Daisy Bowman sempre preferiu um bom livro a qualquer baile. Talvez por isso já esteja na terceira temporada de eventos sociais em Londres sem encontrar um marido. Cansado da solteirice da filha, Thomas Bowman lhe dá um ultimato: se não conseguir arranjar logo um pretendente adequado, ela será forçada a se casar com Matthew Swift, seu braço direito na empresa.
Daisy está horrorizada com a possibilidade de viver para sempre com alguém tão sério e controlador, tão parecido com seu pai. Mas não admitirá a derrota. Com a ajuda de suas amigas, está decidida a se casar com qualquer um, menos o Sr. Swift. Ela só não contava com o charme inesperado de Matthew nem com a ardente atração que nasce entre os dois. Será que o homem ganancioso de quem se lembrava era apenas fachada e ele na verdade é tão romântico quanto os heróis dos livros que ela lê? Ou, como sua irmã Lillian suspeita, o Sr. Swift é apenas um interesseiro com algum segredo escandaloso muito bem guardado.
Fechando com chave de ouro a série As Quatro Estações do Amor, Escândalos na primavera é um presente para os leitores de Lisa Kleypas, que podem ter certeza de uma coisa: embora as estações do ano sempre terminem, a amizade desse quarteto de amigas é eterna.

Oi gente... ainda estou no clima de romances de época, então vamos nessa?

Preciso dizer que foi uma delícia entrar em contato novamente com alguns personagens marcantes e paisagens que me encantaram tanto na série anterior da autora, Os Hathaways. Você deve estar se perguntando: o que está série tem em comum com a outra? Bom para quem ainda não pegou a gancho, deixem explicar que esta é uma espécie de prequel da série Os Hathaways. Mas não se preocupe que As quatro estações do amor pode ser lido separadamente da série anterior.

Achei muito perspicaz da autora deixar a primavera por último, pois é uma estação em que tudo floresce, até mesmo o amor entre duas pessoas que escolheram não chegar muito perto uma da outra. Desta vez temos nossa pequena, romântica e incompreendida Dayse como protagonista nessa história e um heroico mocinho, o Sr. Swift. Como eu disse tudo é propicio a florescer nesta estação... até mesmo a verdade, doa ela quem doer.

O pai de Dayse quer o Sr. Swift como parte da família para que possa assim ter uma justificativa para quando for nomear ele como seu herdeiro, pois nenhum de seus filhos tem o dom de tocar os negócios adiante como esse jovem. O Sr. Bowan lidera seus negócios com mãos de ferro, e conseguiu fazer do jovem Sr. Swift seu pupilo mais promissor, e já que Dayse não consegue tirar a cara de dentro dos livros para agarrar um nobre inglês, e ele precisa que o Sr. Swift seja seu herdeiro, por que não juntar ambos então? Desta forma ele e sua esposa começam uma campanha para casar os dois. O primeiro passo que eles dão é trazer o Sr. Swift para a Inglaterra.

Dayse e Lilian ficam revoltadas com essa possibilidade, casar a doce Dayse com um replicante de seu pai é inadmissível. A imagem que elas têm do Sr. Swift é de um homem horroroso, magro e sem atrativo nenhum e frio. Como juntar a doce Dayse com alguém assim?

Ele chega na Inglaterra e uma das primeiras coisas que faz é encontrar a Sr. Dayse na beira de um pequeno lago, e quando a abordada ela não o reconhece pois o magrelo americano agora está musculoso e com ombros largos. Os olhos tão penetrantes que a fez esquecer de tudo.  Ela ficou super surpresa de o ver ali e tão mudado fisicamente. Quando questionada ela disse que estava fazendo um desejo na fonte, e ele então brincando pegou uma moeda com um valor alto e jogou no lago também para fazer seu desejo.

O preconceito de Dayse e as broncas que Lilian dá nela a faz se afastar dele cada vez mais. Eis aí uma outra questão que está deixando Dayse cada vez mais chateada, a irmã dela desde que está gravida não a ouve mais, ela vive brigando e se impondo a Dayse, e com isso afasta Dayse cada vez mais. Todas as suas 3 amadas amigas estão casadas e preocupadas com Dayse. Lilian está tão insuportável nesse livro que consegue fazer com que seu marido selecione alguns solteiros respeitáveis em idade para casar para ir a Stonecross para que assim Dayse possa escolher.

Enquanto sua irmã intolerante está falando mal pelos cantos sobre o Sr. Swift para suas amigas, mal ela sabe que Dayse e ele vão aos poucos e silenciosamente se conhecendo ainda mais até que se torna irreversível um na vida do outro. Dayse descobre que ele não é como o pai, ele só aprendeu melhor que ninguém a como lidar o Sr. Bowan.

Quando tudo parece um conto de fadas para Dayse alguém horrendo invade Stonecross e pode colocar tudo a perder quando trás o passado do Sr. Swift para o salão. Será que as verdades expostas são terreno fértil para continuar florescendo o amor deles? Isso aí você só vai descobrir lendo o livro!

A autora conseguiu dar um plot twist no final do livro que quase não deu para respirar direito com tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo...noooossaaaaa!




Espero que vocês leiam essa série incrível e fica aqui a dica...e não esqueçam que estarei esperando vocês no dia 9 de abril na livraria Saraiva de Belém par nosso Encontro de fãs de Romances de Época da editora Arqueiro às 15h.


segunda-feira, março 20, 2017

Eu Li: Escândalo de cetim - Loretta Chase

Título:
Escândalo em cetim
Autora:
Loretta Chase
Editora:
Arqueiro
Série:
As Modistas #2
Ano:
2016

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Irmã do meio entre as três proprietárias de um refinado ateliê de Londres, Sophia Noirot tem um talento inato para desenhar chapéus luxuosos e um dom notável para planos infalíveis. A loura de olhos azuis e jeito inocente é na verdade uma raposa, capaz de vender areia a beduínos. Assim, quando a ingênua lady Clara Fairfax, a cliente mais importante da Maison Noirot, é seduzida por um lorde mal-intencionado diante de toda a alta sociedade londrina, Sophia é a pessoa mais indicada para reverter a situação.
Nessa tarefa, ela terá o auxílio do irmão cabeça-dura de lady Clara, o conde de Longmore. Alto, musculoso e sem um pingo de sutileza, Longmore não poderia ser mais diferente de Sophia. Se a jovem modista ilude as damas para conseguir vesti-las, ele as seduz com o intuito de despi-las. Unidos para salvar lady Clara da desonra, esses charmosos trapaceiros podem dar início a uma escandalosa história de amor... se sobreviverem um ao outro.
Em Escândalo de Cetim, segundo livro da série As Modistas, Loretta Chase nos presenteia com um dos casais mais deliciosos já descritos. Além de terem uma inegável química, Sophia e Longmore são divertidos como o rodopiar de uma valsa e sensuais como um corpete bem desenhado.
Oi gente...tendo em vista que dia 9 de abril teremos encontro de fãs de romances de época da editora arqueiro aqui em Belém... mediado por mim... anotem aí essa data e espero ver todos lá, resolvi começar a entrar logo no clima... vamos de romances de época então? 


Já conhecemos a autora Loretta Chase de livros como ´´O príncipe dos canalhas``, ´´O último dos canalhas`` e sua nova série As Modistas com o primeiro livro ´´Sedução da seda`` e hoje vou apresentar para você o segundo: ´´Escândalo de cetim``. Mas, para quem ainda não está familiarizado com a autora, vale ressaltar que ela consegue mostrar os bastidores das interações românticas do período de forma muito única.

No primeiro livro entramos em contato com a singularidade que são as mulheres da família Noroit. Estas mulheres, Marcelline, Sophia e Leonie tem uma história de grandes lutas para chegar a conquistar tanto o mercado de moda em Londres como se manterem unidas como família. Juntas elas abrem em Londres a ´´Maison Noroit`` com vestidos únicos, onde elas tentam ressaltar a beleza das mulheres através da elegância de trajes e acessórios. Mostrando que todas as mulheres podem ser belas, quando devidamente vestidas.

O alvo principal delas é Lady Clara Fairfax, a irmã caçula do Conde de Longmore. No primeiro livro ela era noiva não oficialmente do sumido Duque de Clevedon. Digo sumido pois há anos que ele está refugiado na França e só se corresponde com Clara por cartas. Eles foram criados desde pequenos juntos, e foi inevitável a sociedade associar eles ao matrimonio. E no primeiro livro vemos como os planos de Marcelline vão por água abaixo quando ele se apaixona por ela.

Nesse segundo livro já temos uma Marceline que agora é Duquesa de Clevedon, com sua loja ´´Maison Noroit`` ainda tentando se estabelecer depois do escândalo que foi o casamento dela. E além de estabelecer a loja as irmãs Noroit agora tem uma nova missão: Achar um pretendente à altura de Lady Clara Fairfax. Pois além delas terem se afeiçoado muito a jovem Lady, elas também precisão que Lady clara leve seus vestidos para os altos salões de bailes e salas de chá.

Então elas decidem ir a procura do par ideal para a Clara nas altas rodas da sociedade. Para isso elas vão dispor da agilidade e pericia de Shopie Noroit para se disfarçar e investigar. Além de sua habilidade em escrever artigos cativantes no jornal a favor de Clara, para despertar o interesse e os olhares da sociedade sobre a moça.

O que Sophie não poderia imaginar era que o irmão de Clara, o Conde de Longmore fosse ficar no pé dela. Era inevitável encontrar com ele durante o café da manhã pois ele tinha o habito terrível de ir tomar café na casa do Duque de Clevedon. Assim como ela. E quando ele fica ciente do plano das modistas decide que deve acompanhar de perto esses planos. O que permite a ele um motivo para estar perto da intrigante Shopie.

Shopie é ótima em conseguir se tornar invisível perante a alta sociedade, mas começa a ficar complicado se manter nos personagens quando um certo Conde começa a saber onde procurar ela, e a comparecer aos eventos sociais só para ficar encarando ela. Na mente de Sophie ele poderia estar tomando conta d vida da irmã, ou ajudando elas a encontrar um par ideal a Lady Clara. Mas isso se passa só na mente dela, o corpo dela tem uma opinião diferente sobre o apetitoso Conde.

Ambos são a personificação do termo ´´As aparências enganam`` pois Sophie é de uma constituição toda angelical mas na verdade é uma trapaceira. E o Conde é todo músculos e muito antissocial e tudo que ele vê nas mulheres é sempre uma forma de levar elas para a cama.  Mas eles começam a se focar mais intensamente um no outro durante a jornada deles.

Achei o livro ainda mais delicioso que o primeiro. E fiquei super frustrada que ele terminou tão rápido. A cada nova página eu me viciava ainda mais nos entraves entre eles dois. Hilária é a forma como eles ficam medindo forças. Ele consegue ser tão simples e direto, um paradoxo para um nobre com a aparência dele.


sábado, março 18, 2017

Eu Li: Os Invernos da Ilha - Rodrigo Duarte Garcia

Título:Os Invernos da Ilha
Autor:
Rodrigo Duarte Garcia

Editora:
Record

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Romance de estreia do jovem autor Rodrigo Duarte Garcia tratado desde já como o Conrad brasileiro
Os invernos da ilha é um livro de aventura, como não há no Brasil, que reúne um herói atormentado (e logo apaixonado), uma ilha fria e hostil escolhida como exílio (num convento misterioso), a descoberta de um diário de piratas (e, assim, a reconstrução de uma incrível história de corsários) e a busca por um tesouro escondido. Como diz Martim Vasques da Cunha no texto de orelha: Rodrigo já pertence à categoria dos mestres. Os invernos da ilha costura Wallace Stevens, Melville, Conrad, Patrick OBrien, os filmes de Indiana Jones, Os Goonies sobrando até mesmo para o compositor Rachmaninoff , com tamanha habilidade, que o leitor ficará atônito ao perceber que, no meio disto tudo, há a alegria de narrar uma verdadeira história.

É um pouco difícil classificar exatamente o que Os Invernos da Ilha é. Primeiramente dá pra dizer que são dois livros em um. Sem dúvida tem um pouco de aventura e mistério, mas está muito longe de ser o foco principal da trama.

O personagem principal é Florian Links, um professor que está fugindo de um doloroso passado, visitando um amigo de faculdade que se tornou monge no mosteiro de Santa Cruz, localizado na ilha de Sant'Anna Afuera (local fictício). Links tem aspirações de se tornar monge desse mosteiro e está passando por um período de experiência, até que possa tomar sua decisão final. Lá, ele conhece Philippe Rousseau, um professor francês que está ali para analisar alguns relatos históricos e traduzir o diário de Olivier van Noort, um corsário holandês (personagem histórico real) que visitou a ilha de Sant'Anna durante a época das grandes navegações.

A primeira parte do livro alterna capítulos entre os acontecimento do presente, (sobre como Links lida com seu passado, com a experiência vivida no mosteiro e apresentando os personagens secundários da trama) e de um passado distante, através dos relatos do diário de Olivier van Noort, a medida que Rousseau o traduz. As duas tramas se entrelaçam no momento em que Links e Rousseau começam a analisar a trilha de navegação de Noort e desconfiam da existência de um tesouro escondido na ilha de Sant'Anna, fruto das pilhagens do corsário e enredo que leva adiante a segunda parte do livro.

Eu agradeci, coloquei as folhas no bolso e desejei-lhe boa noite. Rousseau virou-se e a cinco passos de distância já era indistinguível na escuridão.
Um acúmulo de nuvens havia coberto o céu e as poucas estrelas agora pareciam muito distantes, opacas. O vento soprava com força e carregado de sal.
Fiquei ali mais um tempo pensando em nada muito importante, sem fazer a menor ideia de que aqueles papéis amassados no bolso traseiro da minha calça jeans guardavam uma descoberta extraordinária, e iriam mudar tudo.

A primeira coisa que me chamou a atenção no texto é que ele tem um "q" de lírico. A trama toda é escrita em primeira pessoa e tanto Florian Links, quanto Philippe Rousseau são altamente intelectuais (o segundo até bastante pedante), trazendo para o texto muito desse estilo de fala poético. Links fala o tempo todo como se estivesse num poema, coisa que faz funcionar muito bem toda a descrição do cenário, mas em dado momento acaba fazendo a trama ficar um tanto repetitiva.

Nesse ponto, há um problema extra: a trama inteira é extremamente simples, mas desenvolvida ao longo de 462 páginas. O livro realmente é muito maior do que precisava ser, num ponto que, após ter lido metade eu estava com sensação de que ainda não tinha acontecido nada. A divulgação também não ajuda, citando referências a Indiana Jones, Goonies e outros clássicos de aventura, quando na verdade a primeira parte do livro quase não tem nada a ver com esse tipo de trama. 

A primeira parte da trama (e a maior, ocupando mais da metade do livro) se passa exclusivamente no mosteiro e na cidade próxima. Somos apresentados a Florian Links (inicialmente não se sabe exatamente o que ele faz ali), sabendo apenas que eles está interessado na tradução do diário de Olivier van Noort. Aos poucos vamos conhecendo os personagens secundários: o próprio Philippe (que desde o primeiro momento se mostra bastante irritante e pedante), a enfermeira Cecília (que em dado momento vira interesse amoroso de Links, apesar de ser companheira de Philippe) e Viviana (uma garota que Links salva de um afogamento e com quem acaba tendo um caso). 

A medida que as páginas do diário são traduzidas e revelam a história na época das Grandes Navegações, o personagem principal também é desenvolvido e vamos descobrindo também seu passado em específico. Um ponto a se destacar é a capacidade do autor de desenvolver bem os personagens: todos (incluindo uns até bem secundários) evoluem em resposta aos acontecimentos da trama. O grande problema aqui é a lentidão com que a história avança: pistas vão aparecendo sobre o tesouro e sobre o que exatamente Links está buscando no mosteiro, mas tudo é muito desconexo. 

Já a segunda parte (que abandona o cenário do mosteiro) tem um inversão completa do que vinha sendo mostrado até então, parecendo até outro livro. As descrições se tornam mais rasas e a história avança bem mais rápido. Apesar de ainda bastante desconexa, a parte aventuresca entrega bem mais do que é vendido na sinopse e o texto se torna dinâmico. Os enigmas apresentados são bem instigantes e as soluções, bem legais. Talvez um único pecado tenha sido o final que culmina num baita clichê dos filmes de aventura. 

A única coisa que acabou sendo extremamente irritante para mim nessa segunda parte foi a pedância de Philippe Rousseau. Apesar de muito convencido, na prática, ele não sabe de nada. Mas, mesmo assim ele é sempre tratado como o lider, a despeito de Cecília e Viviana que são personagens bem mais inteligentes e articuladas. Achei essa abordagem desnecessária e ficava o tempo toda torcendo para uma das duas tomarem as rédeas da situação, coisa que infelizmente não aconteceu.  

No final das contas, apesar de ter me enrolado bastante no início do texto e achá-lo um tanto repetitivo e cansativo, no final curti o livro. Talvez se ele fosse um tanto mais curto a experiência fosse melhor.


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