terça-feira, setembro 19, 2017

Eu li: Jardins da Lua - O Livro Malazano dos Caídos #1 - Steven Erickson

Amei e Odiei resume bem...
Título:
Jardins da Lua

Autor:
Steven Erickson

Editora:
Arqueiro

Série:
O Livro Malazano dos Caídos

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Desde pequeno, Ganoes Paran decidiu trocar os privilégios da nobreza malazana por uma vida a serviço do exército imperial. O que o jovem capitão não sabia, porém, era que seu destino acabaria entrelaçado aos desígnios dos deuses, e que ele seria praticamente arremessado ao centro de um dos maiores conflitos que o Império Malazano já tinha visto.
Paran é enviado a Darujhistan, a última entre as Cidades Livres de ­Genabackis, onde deve assumir o comando dos Queimadores de Pontes, um lendário esquadrão de elite. O local ainda resiste à ocupação malazana e é a joia cobiçada pela imperatriz Laseen, que não está disposta a estancar o derramamento de sangue enquanto não conquistá-lo.
Porém, em pouco tempo fica claro que essa não será uma campanha militar comum: na Cidade do Fogo Azul não está em jogo apenas o futuro do Império Malazano, mas estão envolvidos também deuses ancestrais, criaturas das sombras e uma magia de poder inimaginável.
Em Jardins da lua, Steven Erikson nos apresenta um universo com­plexo de cenários estonteantes e ações vertiginosas que mostram por que esta é considerada uma das maiores sagas épicas.


Provavelmente essa é a resenha mais difícil que eu já escrevi até hoje (isso levando em consideração de que eu não vou ter que resenhar Outlander). Passei dois meses para ler Jardins da Lua (o livro tem quase 600 páginas) e quando terminei não tinha entendido direito o sentimento que eu tive com a leitura. Pra começar, esqueçam a sinopse oficial do livro. Ganoes Paran, até é um personagem importante da trama, mas não é nem de longe o protagonista. É difícil, inclusive resumir o que acontece em Jardins da Lua, mas, vamos tentar. 

O livro apresenta um universo fantástico diferente de qualquer coisa que você já viu. Existem aqui inúmera raças de seres inteligentes, mas nada muito do lugar comum das mitologias clássicas. Você não vai ver elfos, anões ou fadas aqui. A única raça que você entende exatamente o que é, são os humanos. 

Nesse mundo há um grande império (o Império Malazano) que hoje é comandado por uma cruel e poderosas imperatriz, a Laseen. Ela, no passado, traiu o antigo imperador e tomou o governo para si, atacando logo em seguida o continente de Genabackis (uma terra composta por nove cidades livres) para incorporá-lo ao seu império. No início de Jardins da Lua a maior parte dessas cidades caiu frente a guerra, restando apenas duas: Pale e Darujhistan. A trama toda vai envolver a batalha por Pale (que cai logo nas primeira páginas); a intriga política dentro do Império Malazano, dentro de Darujhistan e envolvida nos exércitos que estão em batalha; o envolvimento de várias divindades nessa guerra, que possuem as mais diversas motivações e poderes; e como a magia vai influir nesse mundo. Há ainda mais uma porção de tramas paralelas que são meio complicadas de explicar sem dar spoilers.

Continente de Genabackis e a campanha Malazana
O livro em si se desenvolve em núcleos de personagens (mais ou menos como em Game of Thrones), sendo que cada personagem tem lá sua importância. Não há de fato um protagonista ou um vilão: todo mundo tem motivações e age de acordo com elas. Há uma quantidade absurda de personagens em destaque (mais de trinta), mas vale destacar alguns:

Imperatriz Laseen: como falei lá em cima, ela traiu o antigo governo e o assumiu. Seu primeiro ato foi mandar assassinar qualquer herdeiro que existisse e/ou família nobre que pudesse tentar derrubá-la. Ela não chega a aparecer tanto na trama desse primeiro livro, mas seu poder é uma sombra sobre todos os personagens.

Conselheira Lorn: braço direito da imperatriz. É enviada para Darujhistan para avaliar o andamento da guerra, analisar movimentos suspeitos de uma parte especial do exército (os Queimadores de Pontes) e possui mais uma missão secreta.

Sargento Whiskeyjack: Líder dos Queimadores de Pontes, uma tropa lendária que atendia diretamente ao antigo Imperador. Após o golpe de Laseen, essa tropa ficou relegada a funções menores e está aos poucos sendo descartada. Entretanto a imperatriz teme seu poder e uma rebelião.

Ganoes Paran: nobre pertencente a uma das poucas famílias que não foi executada após o golpe da Imperatriz. Abandonou sua vida na corte para se tornar um oficial do Império Malazano. Ganha a confiança de Laseen e é enviado para ser o novo líder dos Queimadores de Pontes.

Tattersail (minha personagem preferida): Feiticeira que trabalha no segundo exército. Logo no inicio participa da batalha de invasão a Pale. Acaba se envolvendo na trama dos Queimadores de Ponte e o medo deles de estarem sendo descartados.

Hairlock: Também componente do segundo exército junto com Tattersail e acaba sendo mortalmente ferido logo no início durante a invasão a Pale. É "salvo" pelos Queimadores de Pontes, mas sua alma tem que ser transferida para o corpo de uma marionete, para que continue vivo.

Anomander Rake (personagem da capa): Uma divindade pertencente a uma antiga raça e senhor da Cria da Lua (uma montanha voadora com grande poder mágico que influi diretamente nas batalhas do Império Malazano). 

Baruk: Alto Alquimista com grande influência em Darujhistan que tentará usar seu poder e até uma aliança com Anomander Rake para proteger a cidade contra o Império Malazano.

Ataque a Pale e a Cria da Lua
Ao longo das quase 600 páginas Steven Erickson desenvolve uma das tramas mais fora da caixa que eu já vi até hoje. O universo que ele criou é extremamente rico e complexo. Junte a isso várias batalhas épicas que ocorrem ao longo da trama (uma invasão a uma cidade, com uma montanha sobrevoando-a e um ataque massivo de corvos ao exército é realmente algo muito diferente), vários personagens bem complexos e temos um ótimo exemplar de fantasia, como ainda não visto antes. Vale destacar também dois conceitos bem interessantes e diferentes: 
- as divindades são uma realidade nesse mundo, ao ponto de que os estrategistas de guerra consideram os deuses antes de montar sua ideia para ataque. 
- o sistema de magia dos labirintos que é um tanto difícil de entender, mas traz algumas cenas de batalhas mais loucas que eu já vi em mundos fantásticos;

Por outro lado, o livro tem alguns problemas estruturais um tanto graves. Primeiramente, o texto é completamente desconexo e difícil de entender, assim como o poder descritivo de Erickson extremamente limitado. Isso prejudica muito o entendimento do leitor de um universo tão fantástico como esse. Complica-se também a quantidade de personagens, todos com quase o mesmo destaque. São tantos, que em dado momento você esquece de onde cada um veio e sua motivações e, quando eles ressurgem, é muito fácil perder a linha de pensamento. Além disso, a quantidade absurda de tramas paralelas atrapalha bastante, pois várias delas são inúteis, não levando a lugar nenhum (as vezes nem ao desenvolvimento de um personagem). Como falei acima, o sistema de magia de labirintos é algo completamente diferente de qualquer coisa relacionada em outros livro de fantasia, mas lendo apenas esse livro, é impossível entender realmente como ele funciona. Ao final da leitura, eu sabia que tinha gostado do livro, mas tinha a sensação de que poderia ser muito melhor se o texto foi um pouco mais consistente.

Enfim, por isso que eu falei lá em cima que amei e odiei Jardins da Lua: é um ótimo universo fantástico, mas com um texto bem difícil de engolir.


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