quarta-feira, abril 20, 2016

Eu li: Moscow - Edyr Augusto


Título: Moscow

Autor: Edyr Augusto

Editora: Boitempo

Um jovem marginal envolvido com gangues, sexo, drogas e crimes é o personagem central deste romance ambientado na praia do Mosqueiro, no Pará. O ritmo bem marcado, a linguagem seca e por vezes dura de Edyr Augusto chegam a asfixiar, de tão reais. O autor nos apresenta sem paternalismo personagens cruéis, verdadeiros, sem compaixão. Gente que poderia ser encontrada em Belém, São Paulo ou Rio de Janeiro, cuja força dramática impregna todas as páginas do livro. Moscow é uma história de suspense, narrada com uma oralidade singular - a linguagem falada em Belém do Pará. Um livro para ser lido de um fôlego só.
Se você leu a resenha da Fernanda sobre "Pssica" (leia aqui) já deve estar imaginando um pouco sobre o conteúdo desse livro. Moscow foi o primeiro livro que eu li do Edyr Augusto e em um resumo simples, pode-se dizer que é uma facada rápida no estômago. É um livro curtíssimo (65 páginas); que você não consegue parar de ler por causa do ritmo com que as coisas vão acontecendo com o protagonista; e extremamente violento.

Para quem não sabe, há uma ilha próxima de Belém, que é um distrito e é muito popular por suas praias de rio e água doce. É a ilha de Mosqueiro ou "Moscow" para os mais chegados. Toda a ação do livro se passa por lá, daí o título. O protagonista é um jovem sem nome de Belém que possui alguns problema com sua família (seus pais o ignoram) e está passando sua férias em Mosqueiro. Mas o conceito dele de férias na ilha envolve muito mais que simplesmente passar os dias na praia. Ele passa o tempo andando com seus amigos pelas  praias e realizando desde pequenos delitos, furtos e roubos, até assassinato. Edyr Augusto já mostra a que veio logo no primeiro capítulo onde o protagonista conta como ele e seus amigos estupraram e roubaram um casal que namorava a beira praia.
Aquela brisa tinha um sabor especial. A gente sempre fazia isso. Às vezes nem dava certo. Hoje ia. Os barrancos perto da Praia Grande. Ficava para trás sempre um boy desses, procurando empregada. Era tiro e queda. Lá estava o garoto no escuro. (...) Eu fiquei com a gata. Naquele escuro, eu precisado.
A violência vai crescendo de forma gradual e em pequenos capítulos. O protagonista passa vários dias em que não faz nada além de beber, ir na casa de amigos ou tentar conquistar uma garota. Mas as vezes decide do nada quem está irritado o suficiente para matar a pessoa que está ao lado dele. E não há limites para o que é descrito. O livro é brutal e terrivelmente real, narrando brigas extremamente violentas a estupros de crianças e grávidas. E, a medida que você avança cada vez mais na trama, percebe o quão psicopata e louco é o protagonista. Simplesmente não há objetivo, é a violência pela violência e pelo prazer.
Não sei o que quero, mas não invejo nada. Nem esses mauricinhos que passam de carro, com roupas da moda. Tenho meu jeans, minha bermuda, meu tênis. Tá bom.
A linguagem é um dos pontos altos do texto. Bem regionalista, suja e com frases curtas, marcas registradas do texto de Edyr Augusto. Se você pensar na realidade que filmes como Cidade de Deus e Tropa de elite trouxeram para as telas, essa mesma realidade pesada está impressa nas página de Moscow. A diferença aqui é que, apesar de lembrar muito os filmes brasileiros com violência urbana, há um certo prazer na violência praticada pelo protagonista. Muitos dos assaltos e delitos praticados nem valem pelo lucro em si, mas pela agressão que foi realizada.
Passei lá na Praia Grande sem nem ligar se o casal da véspera estava por lá. A galera já estava no Barba. Ficamos de boba até umas duas. Apareceu o Tomás. Ele precisava da gente. Um cara mexeu com a irmã dele. Mais forte. Apanhou. Agora queria uma forra. O cara é de uma gangue, mas a gente não bota fé. Vamos?
Em resumo, Moscow é um livro bem cruel, brutal e, infelizmente, totalmente real. A narrativa, apesar de terrível prende e o final é imprevisível. Se você curte esse tipo de leitura, é altamente recomendado. Minha nota final:


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