#Diferentona 07 - Memória de minhas putas tristes - Gabriel García Márquez

Título:
Memória de minhas putas tristes
Autor:
Gabriel García Márquez
Editora:
Record

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"No ano que completei noventa anos, quis presentear-me com uma noite de amor louco com uma adolescente virgem". E é assim, sem rodeios, que Gabriel García Márquez nos apresenta a história deste velho jornalista que escolhe a luxúria para provar a si mesmo, e ao mundo, que está vivo. Primeira obra de ficção do autor colombiano em dez anos, "Memória de Minhas Putas Tristes" desfia as lembranças de vida desse inesquecível e solitário personagem em mais um vigoroso livro de Gabriel García Márquez. O leitor irá acompanhar as aventuras sexuais deste senhor, narrador dessas memórias, que vai viver cerca de "cem anos de solidão" embotado e embrutecido, escrevendo crônicas e resenhas maçantes para um jornal provinciano, dando aulas de gramática para alunos tão sem horizontes quanto ele, e, acima de tudo, perambulando de bordel em bordel, dormindo com mulheres descartáveis, até chegar, enfim, a esta inesperada e surpreendente história de amor. Escolhido o presente, ele segue para o prostíbulo de uma pitoresca cidade e ao ver a jovem de costas, completamente nua, sua vida muda imediatamente. Quando acorda ao lado da ainda pura ninfeta Delgadina, o personagem ganha a humanidade que lhe faltou enquanto fugia do amor como se tivesse atrás de si um dos generais que se revezaram no poder da mítica Colômbia de Gabriel García Márquez. Agora que a conheceu, ele se vê à beira da morte. Mas não pela idade, e sim por amor. Para uns, "Memória de Minhas Putas Tristes" trata-se de uma reflexão romanceada sobre o amor na terceira idade. Para outros, é um hino de louvor à vida e, por extensão, ao amor, já que um não existe sem o outro no imaginário do Prêmio Nobel de Literatura de 1982. Sempre sublime, Gabriel García Márquez presenteia-nos com esta jóia narrativa repleta de sabedoria, memória e bom humor, que confere ainda mais brilho à sua genialidade literária.

Depois que li "O amos nos tempos do cólera", Gabriel García Márquez deixou uma grande impressão em mim. Refiro sem pestanejar que Gabo é um de meus autores favoritos, apesar das temáticas envoltas à polêmicas. 

Seu estilo é tão intenso e mordaz e consegue descreve sobre coisas pueris de forma incrível. Em "Memória de minhas putas tristes" ele construiu, em uma narrativa sublime, a história de algo repulsivo. 
"No ano de meus noventa anos quis me dar de presente uma noite de amor louco com uma virgem..." Ele consegue sua virgem e ela tinha 14 anos. E na história desse velho jornalista, narrador em primeira pessoa da obra, a virgem Delgadina é a personificação de seu primeiro amor.
O dito amor que o jornalista sempre dispensou repousou no sono dessa ninfeta e o fez começar a viver no dia dos seus 90 anos.
Ele nos apresenta algumas paixões de seu passado, que não ficaram, fazendo uma reflexão sobre a vida em uma narrativa muito envolvente e, sim, como de praxe, deliciosa. 

Gabriel García Márquez escreve sobre os encantos da alma sem nunca perder a noção do real e com um quê preocupante sobre a perspectiva de seus personagens. 
No caso de "O amor nos tempos do cólera" a própria Fermina Daza cumpriu o papel de nos lembrar que o amor nunca são apenas flores.
Em "Memória de minhas putas tristes" temos a figura de Rosa Cabarcas, a velha cafetina (ou "a dona de uma casa clandestina...") que está acima da lei. 
Devo dizer que essa personagem é fenomenal. Sua personalidade é bem destacada na história e é impossível não gostar dela.
O que sabemos da ninfeta Delgadina (e esse sequer é seu nome verdadeiro) é o que as idealizações do velho nos mostra.
E que idealizações... 

O amor que ele deseja sentir se personifica na ninfeta e o atinge com tanta força que é difícil se desvencilhar. O narrador, através de suas percepções, estimula ao leitor a amá-la devagar, e de forma tão passiva, que nosso coração também dói por ela e por sua realidade cruel.
É o desejo de um amor adolescente num velho de 90 anos por uma criança. 
E não me refiro à desejo amaroso ou sexual, apesar de que tudo indica que essa foi a intenção primária do velho. Acontece que ao vê-la dormir, surge a idealização de uma história que nunca foi vivida por ele. É uma narrativa bem intensa e é completamente possível um incômodo quando lembramos que o foco dessa personificação é uma criança. 

No entanto, como supracitado acima, apesar dos temas polêmicos, a narrativa do autor é (e nunca vou cansar de dizer) incrível. 

Gabriel García é isso. 

As duas obras que li desse autor maravilhoso fizeram me sentir afogada nas palavras que fazem todo o sentindo do mundo, mesmo sendo irreal, mesmo que eu nunca as tenha vivido.
Espero sinceramente poder me afogar mais.


Assistente social apaixonada por livros. Militante da transformação social através da literatura.

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