quarta-feira, fevereiro 13, 2019

#Diferentona 05 - Capitães da Areia - Jorge Amado


Título:
Capitães da Areia
Autor:
Jorge Amado
Editora:
Companhia das Letras


Desde o seu lançamento, em 1937, Capitães da Areia causou escândalo: inúmeros exemplares do livro foram queimados em praça pública, por determinação do Estado Novo. Ao longo de sete décadas a narrativa não perdeu viço nem atualidade, pelo contrário: a vida urbana dos meninos pobres e infratores ganhou contornos trágicos e urgentes.
Várias gerações de brasileiros sofreram o impacto e a sedução desses meninos que moram num trapiche abandonado no areal do cais de Salvador, vivendo à margem das convenções sociais. Verdadeiro romance de formação, o livro nos torna íntimos de suas pequenas criaturas, cada uma delas com suas carências e suas ambições: do líder Pedro Bala ao religioso Pirulito, do ressentido e cruel Sem-Pernas ao aprendiz de cafetão Gato, do sensato Professor ao rústico sertanejo Volta Seca. Com a força envolvente da sua prosa, Jorge Amado nos aproxima desses garotos e nos contagia com seu intenso desejo de liberdade.

Depois de um longo e tenebroso inverno, a coluna #Diferentona voltou! 
Para quem já tinha esquecido (rsss), relembrem a proposta do projeto AQUI

Eu poderia chorar muitas pitangas sobre falta de tempo hábil e poucas leituras concluídas - e seria tudo verdade -, porém, também quero apontar a minha falha de estar consumido poucos livros de temáticas mais clássicas. 
O livro em questão, por exemplo, li em meados de 2018 e de lá para cá se li mais 2 livros do nipe foi demais. 
No entanto, quero muito mudar essa rotina e adicionar mais essas leituras diferenciadas das temáticas abordadas no blog, sobretudo de autores nacionais, em minhas listas para 2019. 

Com relação a "Capitães da areia", acredito eu que seja daqueles tipos de livros que todos já ouviram falar, apesar de não ter lido. 
Escrito por Jorge Amado em 1937, a representação dos garotos de rua intitulados Capitães da areia
seguem existindo em suas tristes realidades pelo Brasil afora causando de terror à temor na sociedade.
Nessa obra, o autor aborda a vivência de meninos abandonados pelas ruas de Salvador, na Bahia, que vivem em trapiches sem famílias e sem Estado. 
A figura da igreja ainda se apresenta no personagem do padre, que os ajuda como pode, mas sempre com aquele viés de bondade para o dever de Deus; Ficou meio distante da justiça social que eles precisavam de fato. 

Apesar do caráter ficcional, "Capitães de areia" segue como um soco no estomago mesmo após todos esses anos de publicação. Jorge Amado expõe uma realidade que não conseguimos superar neste país, mesmo com todos os dispositivos legais e amparo social na atualidade. 

As críticas são pontuais e duras e oferecem um olhar diferenciado do que é sobreviver nas ruas sem proteção. Por conta disso, os capitães da areia constroem uma família e fazem suas próprias leis. Eles trabalham, roubam, amam e enganam, tudo às suas maneiras e a mercê de suas necessidades. Não se enganem, Jorge Amado não romantiza nada nessa obra; muito pelo contrário, acredito que seja um retrato fiel e infeliz de um Brasil na não-ficção. 

E é interessante apontar que a obra foi censurada e queimada em praça pública. Que poder é esse que incomoda um governo à esse ponto?
Talvez porque histórias como a de Pedro Bala, Sem-Pernas, Gato e Volta Seca são ultrajante para um Estado Novo que queria se ver como progressista, porém claramente não o era. Na verdade, até hoje não é. 

Os personagens são palpáveis e incômodos. São tão realistas que os apelidos são suas marcas registradas, como é comum entre adolescentes e jovens. São meninos que sofrem com o paradoxo de serem livres e ao mesmo tempo solitários. 
"Capitães da areia" foi uma obra que mexeu muito comigo durante a leitura e que guardo marcas até hoje. Um livro importante para refletirmos a importância de uma transformação societária. E é urgente! Já era urgente na década de 30 e continua sendo em 2019. 

Outro diferencial marcante foi a forma de acesso que tive a obra: através do projeto Livro Viajante, que consiste em fazer circular os livros entre o maior número de pessoas possíveis.
O peguei em um dos encontros do PA Book Club e confesso que demorei um pouco começa-lo, no entanto, após as primeiras páginas segui direto. Ao termino, passei o livro adiante. 
Espero que ele alcance muitos leitores e promova muitas reflexões e aprendizados. 
Eis o mistério da fé na literatura. 


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