sábado, outubro 07, 2017

Eu Li: Renato e a Trasladação - Armando Moraes

Essa capa do Joe Bennet eu acho
realmente muito boa!
Título: Renato e a Trasaladação
Autor: Armando Moraes

Editora: Chiado Editora

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Você realmente acredita que o Planeta Terra não acabou em 2012?
Acompanhe a história de Renato para desvendar o que de fato aconteceu sem ninguém perceber. As ações se desenrolam durante a semana do Círio em um ritmo frenético onde o final de cada capítulo é apenas a ansiedade pelo início do próximo. Surpreenda-se com as verdades por trás das mitologias e suas ligações com a milenar e secreta batalha entre aqueles que se dizem anjos e demônios.

Confesso que, quando eu comecei a ler Renato e a Trasladação, o meu conceito inicial do livro era algo completamente diferente do seu conteúdo. Livro do autor paraense Armando Moraes e com ilustrações do quadrinista também paraense Joe Bennet, o livro traz uma narrativa singular: uma mistura muito boa da cultura paraense, com lendas amazônicas, vários pontos bem conhecidos da cultura cristã e com um toque de ficção científica. Na boa, nunca imaginei que em um livro que cita o Círio de Nazaré e tem "Trasladação" no título, iria trazer teoria de universos paralelos e concomitantes no texto.

O protagonista é Renato, um professor que acabou de ser demitido de seu emprego, bem na semana do Círio de Nazaré. Levemente deprimido e revendo toda a sua vida após o acontecido, ele está em seu apartamento quando uma virada surpreendente acontece: num momento ele está avaliando sua vida, solitário, e no outro duas entidades estão enfrentando uma batalha épica bem na sua frente. Quando ele descobre que um daqueles seres é ninguém menos que Menadel, seu anjo da guarda, Renato será levado a descobrir um mundo (ou seriam mundos?) completamente diferente daquele ao qual está acostumado. E, além disso, ele ainda vai descobrir que toda a humanidade está em perigo e apenas ele, o Escolhido, tem a possibilidade de salvar o mundo do seu fim.

O Escolhido ou A Escolhida deveria realizar uma série de tarefas que provariam o valor dos humanos e evitariam, assim, o fim da última geração. Cada testes ocorria em uma região específica por algum motivo ligado ao contexto histórico. Metade deles teve sucesso. Porém, a outra metade foi seduzida pelo mal e deixou que tudo fosse reinicializado (...) O Mundo já teve 5 apocalipses e 5 adiamentos. O presente ciclo será decisivo para sabermos se o planeta continuará e evoluirá definitivamente ou se será destruído e removido para sempre do cosmos. Portanto, as almas terrenas dependem de você.

É até um pouquinho difícil de definir em qual estilo exatamente se enquadra Renato e a Trasladação. De cara, eu já consigo dizer que o livro tem um pegada bem infanto juvenil. Tem toda uma capa épica e várias batalhas condizem com isso, mas, acima de tudo, é um livro com vários trechos bem engraçados. O protagonista tem um "q" bem desajeitado e vive fazendo besteiras no meio das aventuras e garante umas cenas bem hilárias. Por outro lado, há todo um grupo de personagens coadjuvantes que trazem um pouco mais de seriedade pra trama. Além dos anjos que estão em suporte à missão do Escolhido, há também uma equipe de humanos que está motivada a descobrir todos os mistérios envolvendo as missões e salvar o mundo definitivamente.

A medida que a trama progride a história vai ficando mais exótica: desde trechos em que parte da equipe humana é transportada para uma realidade alternativa, passando por uma batalha épica na Igreja da Sé e uma luta dos anjos e dos vilões no habitat da Cobra Grande. O cenário, aliás, tem todo um detalhe especial: a trama se passa toda na semana do Círio e o limite de tempo para a salvação da humanidade culminará na data da Trasladação. Então, vemos vários pontos de Belém sendo cruciais para a missão. Só imaginei por um instante se uma pessoa que nunca veio ao Pará não teria uma certa dificuldade de entender os cenários, mas não é nada que atrapalhe a trama.

O texto também é bem fluido e descrito. Várias cenas tem o suporte das ilustrações de Joe Bennet (inseridas ao longo do livro) para seu entendimento, mas elas são apenas um extra, muito bem vindo. A descrição do Armando Moraes por si só é suficiente. Entretanto, algumas partes eu achei um pouco arrastadas. O livro tem 400 páginas (minha edição é a que saiu independente, não sei como está a edição da Chiado Editora) e acho que poderia ter sido um pouquinho mais curto. Alguns diálogos são um pouquinho complicados e ficaram um tanto artificiais, mas no geral, cumprem muito bem os objetivos.

Enfim, há tempos não via um exemplar de fantasia nacional que soubesse usar a cultura amazônica tão bem e sem ficar estereotipado (Na prática só lembro de A Arma Escarlate ter cumprido essa missão tão bem). 


É isso pessoal. A Semana Especial de Literatura Fantástica acaba nesse post. Aguardem que mais tarde divulgaremos o grande ganhador do Box da Biblioteca de Hogwarts. 

Maaaaas, a comemoração dos 7 anos do blog está apenas começando. Esse post além de ser o final da semana fantástica, é também um prelúdio para a próxima semana que será, olha só: a V Semana Nacional Pai D'égua!

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