sábado, junho 13, 2015

Eu Li: A Arma Escarlate - Renata Ventura


Título:
A Arma Escarlate
Autora:
Renata Ventura
Editora:
Novo Século
Onde Comprar:
Submarino | Saraiva | FNAC

O ano é 1997. Em meio a um intenso tiroteio, durante uma das épocas mais sangrentas da favela Santa Marta, no Rio de Janeiro, um menino de 13 anos descobre que é bruxo.
Jurado de morte pelos chefes do tráfico, Hugo foge com apenas um objetivo em mente: aprender magia o suficiente para voltar e enfrentar o bandido que está ameaçando sua família. Neste processo de aprendizado, no entanto, ele pode acabar por descobrir o quanto de bandido há dentro dele mesmo.


Quem buscar informações sobre “A Arma Escarlate” vai perceber que o livro é vendido como “Harry Potter brasileiro”. Entretanto, apesar de utilizar toda a temática de um universo mágico paralelo e escondido do mundo comum, de nos levar a acompanhar o dia a dia de uma escola de magia e de utilizar um protagonista que há pouco tempo estava completamente alheio a esse universo, as semelhanças param por aí.

A Arma Escarlate apresenta uma ambientação bem mais agressiva e violenta (a favela Santa Marta no Rio de Janeiro, no ano de 1997). Nosso protagonista, Idá/Hugo Escarlate (que, em favor da leitura, não explicarei porque ele possui dois nomes) não é um típico herói. Ao contrário, no início do livro o vemos muito próximo aos traficantes do morro, constantemente brigado com a mãe e tratando a morte e a violência comuns ao seu bairro como algo cotidiano. Malandro, pavio-curto e inconsequente, Hugo lembra bem o estereótipo do brasileiro, com um toque bem mais caótico.

Logo no início já acontecem algumas reviravoltas que culminam num tiroteio de larga escala (digno de uma cena em Tropa de Elite) com Hugo sendo jurado de morte e correndo perigo. No meio da confusão, ele recebe seu convite para a “excelentíssima escola de bruxaria Notre Dame do Korkovado”, entregue por um pombo as pressas, pois as aulas já se iniciariam dali a poucos dias.

“Venha para a Nossa Senhora do Korkovado, a melhor escola de bruxaria do Brasil. Do Ensino Fundamental ao Ensino Profissionalizante em apenas 10 anos”

E é a partir daí que somos apresentados ao maravilhoso mundo da magia localizado no Rio de Janeiro, com direito a escola de magia escondida dentro do Corcovado, passagens secretas escondidas nos Arcos da Lapa e até um Beco Diagonal alternativo com produtos mágicos de procedência duvidosa a preços espetaculares. Afinal, como seria o mundo mágico brasileiro? Óbvio que teria corrupção, nepotismo, desvio de verbas e toda essa realidade que a gente já conhece desse amado país tupiniquim.

“SUB-SAARA – Para quem não quer gastar os olhos da cara! Sub-SAARA! Tudo por um Zero a menos! Satisfação Garantida! Arcos da Lapa, nº 11. Centro. Rio de Janeiro Brasil.”

A Escola de Bruxaria do Korkovado é um dos pontos altos da história também. Sua construção louca, história interligada a vários personagens históricos reais (a Rainha Louca já foi diretora) e, claro, os professores e alunos. Não é porque estamos fora do mundo dos azêmolas (os não-bruxos) que não encontraremos aqueles professores super dedicados, ou os extremamente fdp’s ou aqueles que nem se lembram que precisam dar aula. Vemos até como são mal pagos.

E até o mundo do ensino mágico tem suas panelinhas: logo que chega a escola, Hugo é acolhido pelos Pixies, os populares de Korkovado. Viny, Caimana (arrasando corações), Capí e Índio são coadjuvantes dignos (senão melhores) de serem comparados a Rony e Hermione. Existe também um time inverso, digno de fazer parte da Sonserina caso aparecessem em Hogwarts, os Anjos, outros ótimos personagens que trazem boas reviravoltas a trama.

O texto de Renata Ventura é muito fluido e agradável de ler. É possível pegar o livro e ler de ponta a ponta sem parar. Vicia. E muita crítica social é acrescentada a história, abordando desde tráfico de drogas até o nacionalismo (força, Viny!). E, além disso, a história, a cultura e o folclore brasileiros são utilizados e reverenciados de uma forma extremamente natural, como dificilmente encontramos em livros nacionais. Não existem personagens clichê: o próprio Hugo é caótico e inconsequente e suas ações passam muito longe das que seriam tomadas por Harry Potter.

Em resumo, A Arma Escarlate é um mundo de magia pensado no Brasil, com personagens únicos e um senso de realidade bem adulto.

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Resenha feita por Victor Rogério, convidado especial. Obrigada! Você pode encontrá-lo no Facebook, no Twitter e no Instagram.



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