quarta-feira, janeiro 13, 2016

Eu Li: Putrefação - Andrei Simões

Título:
Putrefação
Autor:
Andrei Simões
Editora:
Novo Século
Onde Comprar:
Submarino | Saraiva | FNAC

Do Dicionário Aurélio: "Putrefação [Do lat. putrefactione]
1. Decomposição das matérias orgânicas pela ação das enzimas microbianas. 2. Estado de putrefação: apodrecimento, corrupção."
Mas esta palavra pode alcançar significados que vão muito além dos literalismos.
Um homem consciente e preso ao seu corpo, apodrecendo a sete palmos enquanto tenta lembrar de uma vida que ele, de fato, nunca teve. Nesta condição grotesca, uma história de amor das mais belas é contada. Esta é a premissa deste livro, escrito dentro dos moldes clássicos do realismo fantástico.
A narrativa crua, minimalista, densa e às vezes cruel, transcende uma possível história de maor e terror aglutinados. Putrefação é uma obra de horror existencialista tão profunda quanto os mais gigantescos abismos filosóficos.
Um livro moderno e intenso, uma metáfora sobre a condição humana contemporânea, um retrato sobre a omissão e a ausência de fé em nossas próprias existências.
Em uma época de alienação literária, musical e religiosa, Putrefação surge como um livro que incita o leitor a alcançar regiões profundas de sua mente, que provoca e resgata o poder ativo e reflexivo da arte literária.
No final das contas, uma história sobre paixão e outras doenças do homem.
Atreva-se. Ouse abrir este livro e se entregue ao desafio.

Andrei Simões me atinge de forma única. Em “Zon – O rei do nada”, lançado pela Editora Empíreo em 2013 (e sua primeira obra lida por mim), fiquei em estado de perturbamento encantado. A sua narrativa tem o dom e – por que não abrir o jogo de uma vez? – a intenção de perturbar o leitor. 

“Putrefação” foi seu primeiro livro lançado, em 2005, pela Editora Novo Século, e chegou em minhas mãos pelo próprio autor em um dos encontros do PA Book Club que acontece na cidade. E na dedicatória ele constou: “Fernanda, o caos começa na morte.”

O caos começa na morte. 
Nada mais propício para um livro que fala sobre uma pessoa que morreu e tem plena consciência do fato. 
E não ache, Aquele que Lê (como o narrador chama carinhosamente o leitor), que ele expõe uma visão romantizada da outra vida. 
Andrei Simões é brutal. 
Ele nos apresenta a uma existência que se considera medíocre em vida e a joga no padrão complexo que é a morte; Não apenas fechar os olhos e descansar em paz, mas sentir sua decomposição, aceitar a batalha vencida de nunca mais se mover, ouvir os ecos eternos do mais profundo silêncio.

“Ah, que imensa sensação é esta a maldita que desfilibra meus músculos como se rasgasse papel? Sinto cada centímetro do meu corpo exigindo uma atenção especial, o chamado da dor. Tento me forçar a lembrar de algo agradável, mas não consigo dar atenção a nada que não seja a vontade de gritar e morrer. Como uma nuvem negra, espessa, tomando conta da razão e de quaisquer sensações que possam provocar sorriso ou silêncio. Intenso como mergulhar em um mar de mercúrio. Dor, moleca mimada e travessa, chama tua mãe, eu preciso conversar com ela. Eu preciso morrer!”

O narrador nada tem de semelhante com Brás Cubas, que ofereceu ao primeiro verme sua carne fria. Ele não tem esse privilégio de oferecimentos. Ele não tem escolha. 
O enredo é de uma agonia sem fim, com trechos que me farão dormir de luz acesa por alguns dias. 
Andrei Simões escreve um terror sutil que vai se apoderando aos poucos do leitor. Sei que o autor é fã confesso de H.P. Lovecraft e Edgar Alan Poe e isso explica muita coisa.

“Putrefação” é um livro pequeno (96 páginas), porém de uma leitura densa. A prosa de Andrei flerta muito com a poesia e adoro isso; A narrativa é crua mas há uma beleza inegável na composição das palavras. Portanto, meu livro está mergulhado em grafite.
Sem falar na desconstrução intensa do personagem e na forma reflexiva que o leitor é inspirado. É interessante que o personagem parece mais vivo quando está morto, pois imóvel e enterrado sua consciência exige que ele sinta plenamente; mesmo que um sentimento aflito.
Sim, é de uma aflição incrível. 

Andrei é um autor que admiro cada vez mais e estarei acompanhando seu trabalho sempre de perto, pois para minha sorte ele é meu conterrâneo. Ele também tem um conto no livro colaborativo “O Corvo”, lançado pela Editora Empíreo no final do ano passado. Vários autores incríveis tem contos no livro e Andrei não tinha como estar de fora.
Quem quiser acompanhar o trabalho de Andrei Simões, pode curtir sua página no facebook. Tem informações relevantes e dicas preciosas de livros por lá.
E, claro, leiam as obras dele! 

Tem que ler!

Um comentário:

  1. Sempre ansioso por ver resenhas dos meus livros neste blog. Feliz por ser resenhado por quem entende e ama literatura.

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