sexta-feira, janeiro 25, 2019

Eu Li: Quem tem medo do feminismo negro? - Djamila Ribeiro

Título:
Quem tem medo do feminismo negro?
Autora:
Djamila Ribeiro
Editora:
Companhia das Letras
Ano:
2018

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Quem tem medo do feminismo negro? reúne um longo ensaio autobiográfico inédito e uma seleção de artigos publicados por Djamila Ribeiro no blog da revista CartaCapital, entre 2014 e 2017. No texto de abertura, a filósofa e militante recupera memórias de seus anos de infância e adolescência para discutir o que chama de “silenciamento”, processo de apagamento da personalidade por que passou e que é um dos muitos resultados perniciosos da discriminação. Foi apenas no final da adolescência, ao trabalhar na Casa de Cultura da Mulher Negra, que Djamila entrou em contato com autoras que a fizeram ter orgulho de suas raízes e não mais querer se manter invisível. Desde então, o diálogo com autoras como Chimamanda Ngozi Adichie, bell hooks, Sueli Carneiro, Alice Walker, Toni Morrison e Conceição Evaristo é uma constante.
Muitos textos reagem a situações do cotidiano — o aumento da intolerância às religiões de matriz africana; os ataques a celebridades como Maju ou Serena Williams – a partir das quais Djamila destrincha conceitos como empoderamento feminino ou interseccionalidade. Ela também aborda temas como os limites da mobilização nas redes sociais, as políticas de cotas raciais e as origens do feminismo negro nos Estados Unidos e no Brasil, além de discutir a obra de autoras de referência para o feminismo, como Simone de Beauvoir.

Nesses últimos tempos, muito se tem debatido sobre questões de ordem social, não apenas no país como no mundo. No entanto, reitero a importância de debatermos questões como feminismo e racismo no Brasil pois ainda me assombra o fato de sermos um país com uma alta taxa de miscigenação e ainda sim sermos extremamente racistas. Assim como me causa pavor o fato de sermos um país com uma das taxa assustadora de feminicídio (fonte).

Djamila Ribeiro é mestre em filosofia política e militante de Direitos Humanos no país. Seu nome é um dos mais relevantes quando trazemos questões como feminismo e racismo pois ela traz uma perspectiva ampla sobre os temas. A partir de suas estudos e, claro, de sua vivência, Djamila vai abordar nesta o quão relevante é debatermos e expormos o feminismo negro. 

O livro é construído com um compilado de textos escritos por ela na CartaCapital entre 2014 e 2017 onde serão levantados assuntos como racismo, sexualização e objetificação da mulher negra, violência constitucional e até sobre o tão famoso políticamente correto. 
O feminismo negro é um pauta pouco compreendida pois, para algumas vertentes do feminismo, é considerada desagregadora. No entanto, nesta obra, Djmila traz questões importantes a serem levadas em consideração neste debate. 

"Mulheres não são um bloco único - elas possuem pontos de partida diferentes. Sueli aponta a urgência de não universalizar essa categoria, sob risco de manter na invisibilidade aquelas que combinam ou entrecruzam opressões. Ou seja, ela fala da importância de se dar nome e trazer à visibilidade para restituir a humanidade." 

Em diversos textos, além de usar do contexto histórico que causa o cotidiano em estamos inseridos, Djamila também usará da nossa própria realidade atual para ilustrar exemplos práticos. São situações que aconteceram no país, que tiveram certa circulação midiática, que servem como amostra em uma pesquisa. São fatos reais e cruéis que naturalizamos no dia-a-dia e que precisam ser problematizados, não apenas dentro da academia, mas na sociedade como um todo. 

É importante olhar além e Djamila nos convida a um novo prisma de analisarmos as causas e não apenas criticamos as consequências. Em muitas situações, o próprio Estado é o violador de direitos que ele, constitucionalmente, deveria garantir a todos nós. Essa crítica não saiu batida nesta obra. Assim como é apontado o papel de certos influenciadores midiáticos que tem uma alcance incrível e que servem apenas para a tentativa de perpetuação do papel subalterno da mulher, da negra. 

"Quem tem medo do feminismo negro?" é um livro incômodo, porém necessário. Uma leitura fabulosa que desperta no leitor o anseio de mudança, de querer fazer mais. 
Acolho esse anseio de transformação pessoal que, mesmo à mim, como mulher negra, é fundamental. 


Leiam


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