sábado, outubro 08, 2016

Eu Li: Azincourt - Bernard Cornwell

TítuloAzincourt
Autor: Bernard Cornwell

Editora: Record
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O arqueiro inglês Nicholas Hook tem uma aptidão sem igual para se meter em problemas. Quando seu senhor o envia a Londres em uma força especial designada para conter uma possível insurreição dos lolardos, Nick se descontrola durante uma briga e é declarado fora-da-lei. Refugiando-se do outro lado do Canal, Nick se junta a uma força mercenária da Inglaterra que protege a torre de Soissons contra ataques franceses. Lá, ele presencia as atrocidades que chocaram a Europa e o conduziram de volta para a Inglaterra, onde se alistou na companhia de arqueiros de Sir John Cornwaille, um dos líderes do exército de Henrique V.
O exército é implacável, mas doenças e a inesperada investida francesa em Harfleur o reduzem a frangalhos. O rei se recusa a aceitar a derrota e, sob condições climáticas avassaladoras, lidera o restante dos homens ao que aparenta ser sua ruína.
Azincourt é uma das mais grandiosas batalhas da História. Travada entre dois exércitos desiguais que se enfrentam em condições desastrosas no dia de São Crispim em 1415, resultou em uma vitória extraordinária, celebrada na Inglaterra anos depois de Shakespeare tê-la imortalizado na peça Henrique V. O notável triunfo do arco grande, conhecido como longbow, sobre cavaleiros de armaduras, e do homem comum sobre a aristocracia feudal são alguns dos mitos que a batalha criou.
Bernard Cornwell sempre quis escrever sobre Azincourt e sua versão retrata a realidade por trás desses mitos. É um relato vívido, de tirar o fôlego e meticulosamente pesquisado sobre essa grande batalha e suas consequências. A partir do ponto de vista de nobres, camponeses, arqueiros e cavaleiros. Cornwell retrata habilmente as horas de luta implacável, o desespero de um exército mutilado pela doença e a coragem excepcional dos soldados ingleses.

Bernard Cornwell é aquele tipo de autor que só escreve um gênero de livros (romances históricos) e é extremamente competente nele. Seu romances (os mais famosos são a trilogia Arthur e a série das crônicas Saxônicas) possuem sempre um personagem fictício como protagonista e esse irá testemunhar algum grande acontecimento histórico ou a vida de alguma figura lendária.

Em Azincourt não é diferente. Situada historicamente no terceiro período da Guerra dos Cem Anos, a trama conta a história de Nicholas Hook, um arqueiro inglês, desde sua infância até a participação na batalha que dá nome ao livro. Com a história inteira situada numa guerra, a vida de Nick sempre foi permeada de problemas relativos à vida medieval, à dificuldade da pobreza e ao conflito. Outro problema é uma rixa antiga de sua família com os Perril. A trama, inclusive, começa com Nicholas tentando matar um dos irmãos dessa família com uma flechada. Ele falha e é punido pelo ataque recebendo uma missão para auxiliar a Igreja Católica numa tentativa de sufocar uma rebelião herege dos lolardos.

Em Londres, Nicholas descobre que na verdade a "missão" era um massacre aos hereges: várias pessoas estavam sendo queimadas em fogueiras e seu grupo deveria auxiliar um padre a executá-los. Até que, entre os prisioneiros, um em especial que reconheceu o porte físico alargado de Hook, e notou que ele era um arqueiro, suplicou ao garoto um último desejo: que ele salvasse uma garota, que assim como ele, estava para ser queimada viva. Apesar, do pedido, Hook não consegue salvá-la de ser estuprada e assassinada pelo padre e o máximo que ele consegue fazer é agredi-lo. Essa agressão fez com que ele se tornasse um fora da lei e desse início a sua jornada em fuga. Ao longo da trama ele acaba participando de vários episódio históricos da Guerra dos Cem anos como o o a batalha de Soissons, o cerco a Harfleur e a própria Batalha de Azincourt, título do livro.

Bernard Cornwell é semprecompetente ao realizar a pesquisar histórica dos fatos que permeiam a tramas dos seus livros. Todas as batalhas que aparecem em Azincourt são bem reais e bem descritas. O texto é pesado e forte: muito diferente dos livros do gênero, as guerras não são campos gloriosos onde os heróis viram lendas. Aqui tudo é cruel, seja a batalha sangrenta, seja a Igreja Católica e corrupta que usa de seu poder para matar indiscriminadamente quem discorda ou seja mostrando o quão desagradável e repulsivo pode ser um cerco a uma cidade ou uma marcha de guerra. O texto vai a detalhes piores demonstrando como as pessoas da Idade Média achavam o hábito de se limpar (tomar banho, lavar os cabelos e outros) errado e como isso permitia que várias doenças (como a desinteria) se propagassem entre os soldados em marcha.

O único ponto fraco do livro é o desenvolvimento do próprio Nicholas. Há um lado meio místico/religioso de Hook em que ele ouve as vozes de São Crispim e Crispiniano dando ordens a ele, mas nunca há uma certeza se as vozes são reais ou se é imaginação do arqueiro. Mas essa parte da trama é um tanto mal desenvolvidae anticlimática. Em meio a todos o caos da guerra (mesmo com a trama da rixa com a família inimiga), achei ele um tanto apagado.

Entretanto, isso não diminui o valor de Azincourt. O livro é muito bom e recomendo para todo mundo que goste de um relato histórico bem real e detalhado. Pela quantidade de mortes, acredito que os fãs de Game of Thrones devem gostar também... Minha nota final para o livro é:


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