terça-feira, maio 31, 2016

Eu Li: O Guia do mochileiro das galáxias - Douglas Adams




Título:O Guia do Mochileiro das Galáxias
Autor:
Douglas Adams
Editora:Arqueiro
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Arthur Dent tem sua casa e seu planeta (sim, a Terra) destruídos em um mesmo dia, e parte pela galáxia com seu amigo Ford, que acaba de revelar que na verdade nasceu em um pequeno planeta perto de Betelgeuse.
Considerado um dos maiores clássicos da literatura de ficção científica, este livro vem encantando gerações de leitores ao redor do mundo com seu humor afiado. Este é o primeiro título da famosa série escrita por Douglas Adams, que conta as aventuras espaciais do inglês Arthur Dent e de seu amigo Ford Prefect. A dupla escapa da destruição da Terra pegando carona numa nave alienígena, graças aos conhecimentos de Prefect, um E.T. que vivia disfarçado de ator desempregado enquanto fazia pesquisa de campo para a nova edição do Guia do Mochileiro das Galáxias, o melhor guia de viagens interplanetário. Mestre da sátira, Douglas Adams cria personagens inesquecíveis e situações mirabolantes para debochar da burocracia, dos políticos, da "alta cultura" e de diversas instituições atuais. Seu livro, que trata em última instância da busca do sentido da vida, não só diverte como também faz pensar.

Olá, pessoal.
Hoje vamos falar sobre um livro que é um dos maiores símbolos da cultura nerd e de onde vem as homenagens do dia da tolha.

Pra resumir de uma forma em que não se falem spoilers, vale dizer que a história inicialmente se divide em duas: a primeira  começa "muito além, nos confins inexplorados da região mais brega da Borda Ocidental desta Galáxia", mais precisamente na Terra. Era para ser um dia bem comum na vididinha pacata (e inglesa) de Arthur Dent, não fosse o fato de que o conselho municipal resolvera demolir sua casa para a criação de um desvio. E apesar de toda a sua argumentação de que não havia sido avisado da demolição, ou de que não tivera chance alguma de reverter o fato, os operários insistiam que a casa devia ser demolida.
— O senhor teve um longo prazo a seu dispor para fazer quaisquer sugestões ou reclamações, como o senhor sabe — disse o Sr. Prosser.
— Um longo prazo? — exclamou Arthur. — Longo prazo? Eu só soube dessa história quando chegou um operário na minha casa ontem. Perguntei a ele se tinha vindo para lavar as janelas e ele respondeu que não, vinha para demolir a casa. É claro que não me disse isso logo. Claro que não. Primeiro lavou umas duas janelas e me cobrou cinco pratas. Depois é que me contou.
— Mas, Sr. Dent, o projeto estava à sua disposição na Secretaria de Obras há nove meses.
— Pois é. Assim que eu soube fui lá me informar, ontem à tarde. Vocês não se esforçaram muito para divulgar o projeto, não é verdade? Quer dizer, não chegaram a comunicar às pessoas nem nada.
— Mas o projeto estava em exposição...
— Em exposição? Tive que descer ao porão pra encontrar o projeto.
— É no porão que os projetos ficam em exposição.
— Com uma lanterna.
— Ah, provavelmente estava faltando luz.
— Faltavam as escadas, também.
— Mas, afinal, o senhor encontrou o projeto, não foi?
— Encontrei, sim — disse Arthur. — Estava em exibição no fundo de um arquivo trancado, jogado num banheiro fora de uso, cuja porta tinha a placa: Cuidado com o leopardo.
Eis que surge o melhor amigo de Arthur, Ford Prefect (que descobrimos não ser exatamente um humano, mas sim, um alienígena nascido em Betelgeuse) que resolve levá-lo para tomar algumas cervejas, apesar da iminente destruição da casa. Ao chegarem no bar, Ford conta a Arthur que talvez não seja necessária tanta preocupação com sua casa, afinal, a Terra inteira seria destruída dali a alguns minutos. Os Vogons, uma raça de alienígenas burocráticos, também estava interessado em fazer um desvio para uma grande via pela galáxia e, infelizmente a Terra estava bem no meio do caminho. E você que estava imaginando que a Terra seria o cenário dessa aventura, ledo engano, ela é destruída logo no início do livro.

A segunda parte de história começa do outro lado do universo, onde o presidente do Governo Imperial Galático, Zaphod Beeblebrox, estava participando da inauguração de uma nova nave: a Coração de Ouro. Movida com um Motor de Improbabilidade Infinita, um item único. Zaphod chegou ao cargo de presidente, apenas para poder chegar perto dessa nave e roubá-la e é exatamente isso que ele faz. Consigo acompanha uma humana: Trillian, que o ajuda a fugir e controlar a Coração de ouro para um objetivo bem específico. As histórias de Arthur, Ford, Zaphod, Trillian e Marvin (o robô altamente inteligente e maníaco depressivo, pertencente ao comando da nave Coração de Ouro) se interligam quando Arthur e Ford estão em grande perigo, soltos no espaço e o Motor de Improbabilidade Infinita da nave acaba por salvá-los.

Mas agora, você deve estar de perguntando, por que raios o nome do livro é O Guia do Mochileiro das Galáxias? Muito simples: Ford, é um colaborador de um livro muito conhecido pela galáxia inteira chamado O Guia do Mochileiro das Galáxias. Ele é um repositório onde todos os verbetes do universo podem ser consultados em qualquer língua conhecida ou desconhecida. Ford estava na Terra para realizar algumas atualizações de verbetes (o da Terra por exemplo foi atualizado de "Inofensiva" para "Praticamente inofensiva"). E é justamente o Guia que traz os maiores fatores non-sense para a trama do livro.
(...) É também a história de um livro, chamado O Guia do Mochileiro das Galáxias – um livro que não é da Terra, jamais foi publicado na Terra e, até o dia em que ocorreu a terrível catástrofe, nenhum terráqueo jamais o tinha visto ou sequer ouvido falar dele. Apesar disso, é um livro realmente extraordinário.
Na verdade, foi provavelmente o mais extraordinário dos livros publicados pelas grandes editoras de Ursa Menor – editoras das quais nenhum terráqueo jamais ouvira falar, também. O livro é não apenas uma obra extraordinária como também um tremendo best-seller – mais popular que a Enciclopédia Celestial do Lar, mais vendido que Mais Cinqüenta e Três Coisas para se Fazer em Gravidade Zero, e mais polêmico que a colossal trilogia filosófica de Oolonn Colluphid, Onde Deus Errou, Mais Alguns Grandes Erros de Deus e Quem É Esse Tal de Deus Afinal? (comentário: Douglas Adams era extremamente ateu).
Em muitas das civilizações mais tranqüilonas da Borda Oriental da Galáxia, O Guia do Mochileiro das Galáxias já substituiu a grande Enciclopédia Galáctica como repositório-padrão de todo conhecimento e sabedoria, pois ainda que contenha muitas omissões e textos apócrifos, ou pelo menos terrivelmente incorretos, ele é superior à obra mais antiga e mais prosaica em dois aspectos importantes. Em primeiro lugar, é ligeiramente mais barato; em segundo lugar, traz impressa na capa, em letras garrafais e amigáveis, a frase NÃO ENTRE EM PÂNICO .
A trama do livro é bem louca (dando uma resumida absurda). Zaphod tem um plano que ele mesmo não sabe de onde veio, pois ele mesmo apagou da sua memória o motivo para estar executando (eita). Mas mesmo assim ele rouba a nave Coração de Ouro e parte junto dos outros personagens em uma missão que a cada página vai ser tornando cada vez mais desvairada. Ao mesmo tempo, o texto é intercalado com quotes do que seriam os verbetes do Guia do Mochileiro das Galáxias. Vemos a definição de amor ("geralmente doloroso. Se puder evite-o"), sobre o álcool ("o melhor drink que existe é a dinamite pangalática") e até sobre toalhas ("é um dos objetos mais úteis para um mochileiro interestelar").

Mas os mais interessante do texto de Douglas Adams é o sarcasmo. A trama em si e até o Guia servem de pano de fundo para um grande crítica que ele faz a uma enormidade de coisas. E é essa crítica sarcástica, metafórica e louca que é o principal ouro do livro. Eu poderia passar mais algumas horas escrevendo aqui sobre o livro e não seria suficiente pra falar sobre tudo que ele descreve na enormidade de 186 páginas, por isso eu realmente recomendo que todo mundo leia. Até porque ele pe bem rápido. Uma vez que você comece a ler, é bem difícil parar.

Por isso paro por aqui, dando minha nota final:


PS: Pra quem já leu o livro e sentiu falta da vida, o universo e tudo mais ou de 42, ou dos ratos, não tinha como falar sobre isso sem dar spoilers....


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