quinta-feira, fevereiro 04, 2016

[Quinta em Outra Língua #29] Carry On - Rainbow Rowell


Título:
Carry On

Autora:

Rainbow Rowell

Editora:

St. Martin's Griffin

Simon Snow é o pior escolhido que já foi escolhido.
Isto é o que o colega de quarto dele, Baz, diz. E Baz pode até ser do mau e um vampiro e um completo babaca, mas ele provavelmente está certo.
Metade do tempo, Simon nem sequer consegue fazer a sua varinha funcionar, e na outra metade, ele bota fogo em alguma coisa. O mentor dele o está evitando, a sua namorada terminou com ele, e tem um monstro comedor de mágica andando por aí usando o rosto de Simon. Baz estaria tendo a maior diversão com isso, isso se ele estivesse aqui — é o último ano deles em Watford School of Magicks, e o nêmeses enfurecedor de Simon nem sequer se incomodou em aparecer.
Carry On é uma história de fantasmas, de amor, um mistério e um melodrama. Nele tem a quantidade que se espera de beijos e conversas de que se espera de um livro de Raibow Rowell — mas muito, muito mais, monstros. (Tradução da sinopse do Goodreads)


Para quem leu Fangirl essa premissa não é estranha. Lá, a principal Cath escreve uma fanfic de uma saga de livros ficcionais chamada The Simon Snow Saga, e justamente essa fanfic é Carry On. Depois que terminou de escrever Fangirl, Rainbow Rowell resolveu escrever a sua própria versão de Carry On e até hoje eu não acredito que esse livro existe. Afinal, é uma fanfic de livros ficcionais que se baseia em Harry Potter.

Isso é completamente meta
Esse é o primeiro livro de fantasia da Rainbow Rowell e adicionar magick (sim com K mesmo) e feiticeiros e monstros à escrita dela, sempre repleta de romance e diálogos incríveis, deu muito certo. Há várias tramas acontecendo ao mesmo tempo, e no final temos um clímax onde todas essas tramas colidem epicamente.

A estrutura de Carry On, como em Elenor & Park, é repleta de vários pontos de vistas, sendo o do Simon o principal, e depois entra o do Baz. Essa estrutura além de nos fazer ver o mundo de Carry On através dos olhos de vários personagens, também ajuda a construir brilhantemente a história. Dividida em quatro partes, onde a primeira o Baz não aparece, logo de cara nós somos apresentados ao nosso principal problemático. Logo depois, temos o ponto de vista da melhor amiga dele, a incrível maravilhosa (e nossa Hermione) Penny. Com um único capítulo de Penny nós conseguimos ver Simon por outros olhos e até perceber um pouco dos seus defeitos. Rainbow Rowell é sempre maravilhosa em criar personagens perfeitamente falhos, muito humanos, e mesmo num livro de fantasia, ela faz isso magistralmente. 

Penny é a melhor amiga de Simon, que também cuida dele com toda sua garra e força. Logo no início Penny diz as vezes que pensa em simplesmente em pegar Simon, mandar tudo a merda, e deixar Simon viver. O complexo de herói é muito forte em Simon, e se não fosse por Penny sendo tão inteligente e cuidando dele, talvez Simon não tivesse sobrevivido por tanto tempo. É Penny a voz da razão de Simon, mesmo que ela também tenha seus defeitos e seja um pouco viciada demais em mistérios.

Quem manda no mundo? GAROTAS (Basicamente a Penny)
A falta de Baz logo no início deixa Simon louco. Colegas de quarto há anos, os dois são completos opostos. Simon vem de abrigo para órfãos, Baz é o último herdeiro de uma longa linhagem de feiticeiros; enquanto Simon mal consegue controlar os seus incríveis poderes, Baz é quem é o melhor aluno da escola (Penny, é claro, discorda dessa afirmativa). Os dois vivem em constante pé de guerra des de que foram escolhidos para serem colegas de quarto, e assim como Simon, nós leitores, ficamos completamente obcecados em saber onde está o Baz.

E Simon pensa sobre ele [Baz] o todo tempo.
(Sim, eu tenhos gifs específicos para esse livro) (e esse gif resume todo o livro)

Há toda uma expectativa sobre o retorno do Baz, e quando ele aparece, é numa entrada triunfal. E logo descobrimos, que a obsessão de Simon é completamente correspondida. Como Penny diz, (falar com Simon sobre Baz “é que nem falar com Chapeleiro sobre chá”). O ponto de vista do Baz só torna a história mais rica, e ele e Simon são os grandes protagonistas dessa história maluca com feiticeiros, vampiros e melodrama. Mas sobre essa última parte, eu me recuso a dar spoilers. 

Além de Penny, Simon e Baz, para fechar o quarteto temos Agatha. Ela é a clássica garota linda e perfeita. Agatha é sempre descrita como quem está sempre com a aparência impecável, não há quem não se encante com a beleza dela. Então nada mais natural que a garota perfeita namore o nosso herói, certo? Nesse livro, onde há inúmeros clichês, há também a desconstrução de vários. Afinal, nem tudo que soa certo no papel funciona na vida real. Agatha é um personagem complicado para mim, é muito fácil odiá-la por ser a empata-ship (e eu odeio quem fica no meio dos meus ships), mas as vezes ela é a única pessoa sã no meio de adolescentes que toda hora só se metem em confusão. É ela quem questiona se vale a pena viver num mundo de magia quando toda hora parece que surge algo que quer te matar, e nem todo mundo tem vocação ou quer ser herói. (Mas ela é bem irritante por ser inútil) (aí ela admite que é inútil e eu começo a respeitar ela...) 

A maestria de Carry On é o fato de como a Rainbow Rowell desconstruiu o mito do escolhido. Esse mito está muito presente, principalmente, na literatura de fantasia. Temos vários exemplos, como o próprio Harry Potter, Senhor dos Anéis, etc. Simon é o profetizado e escolhido des do seu nascimento para salvar o mundo dos feiticeiros. Todavia, a relação de Simon com o seu destino é algo extremamente problemática, e até perturbadora muitas vezes. O livro todo é um grande “e se”, que levanta questões para os leitores deste tipo de literatura. Mas além de Harry Potter, assim como Fangirl, Carry On fala com nós leitores que estamos nesse mundo de fandoms e fanfics.

E tem mapinha, quem não ama livro com mapinha? Quem?!
Por si só Carry On é um ótimo livro, mas a sua linguagem metalinguística, que fala tanto com tantas coisas dessa nossa cultura pop e principalmente Harry Potter, o torna melhor ainda. Ele tem tramas micro e macro que se entrelaçam num clímax arrebatador. Possui personagens brilhantemente construídos que, como outros da Rainbow Rowell, não te deixam em paz depois que você termina de ler o livro. Esse livro me fez fazer sons inumados com os seus twists, e eu ainda não superei o capitulo 61 (e tem fanfic gente, cada mais a cada dia) (amo muito esse fandom). Já quero reler ele. E também quero ler todos os oito livros (ficcionais T-T) de Simon Snow. 

Todos os bolinhos de cereja para esse livro!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Quer fazer um blogueira feliz? Então deixa um comentário neste post! Você vai fazer todo o trabalho valer a pena rsrs
Mas tem um porém: Comentários ofensivos serão deletados.

Muito Obrigada por comentar! Volte sempre!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
© Garota Pai D'égua - Todos os direitos reservados.
Criado por: Bianne Souza.
Tecnologia do Blogger.
imagem-logo