terça-feira, junho 09, 2015

Eu Li: Anardeus. No Calor da Destruição - Walter Tierno



Título:
 Anardeus. No Calor da Destruição
Autora:
Walter Tierno
Editora:
Giz Editorial
Onde Comprar:
Saraiva | FNAC | Submarino

Anardeus nasce feio, cresce ignorado e se torna um adulto desagradável. Sente muito frio, o tempo todo, e só desfruta o conforto do calor quando testemunha tragédias e horrores. Ele odeia tudo e todos, menos sua irmã gêmea, Isabel, sua antítese: linda, amável e cheia de calor.
Anardeus, com a sua personalidade detestável, é um anti-herói incomum e, por isso mesmo, tão interessante. O mundo não deseja Anardeus. Anardeus não deseja o mundo. Mas terão que viver juntos até o final apocalíptico e perturbador.
Anardeus, no calor da destruição tem como cenário São Paulo e seus personagens cínicos, loucos, egoístas. Um romance sem rótulos ou lugar-comum, para ler e sentir tudo - menos indiferença.


Silêncio e estupor: foi a reação desta que vos escreve assim que conclui esse livro. Constatei nesse dia que o silêncio é tão inquietante quanto à leitura de Anardeus. Depois de uns 10 segundos, minha mente voltou a trabalhar no 220 volts.

Essa resenha devia estar escrita há semanas, mas eu simplesmente não sabia como colocar para fora o que é esse livro. Walter Tierno escreveu uma obra insanamente diferente que dá espaço a várias analogias e perspectivas e estou curiosa para saber mais sobre as outras teorias. 

Anardeus representa tudo o que há de ruim. Ele é feio, desagradável e ninguém que o conhece jamais se sentiu realmente à vontade em sua presença. 

Apenas Isabel. 

Isabel que é sua irmã gêmea. Isabel que é o inverso de Anardeus. Ela representa tudo o que há de bom. Ela é bela, agradável e todos morrem de amores por ela. Isabel exerce uma atração irresistível nas pessoas. 

Anardeus vive com frio. Isabel vive com calor. 

“O homem à minha frente é uma caricatura viva. Só o havia visto pela minha objetiva. Sem esse filtro, a feiura incomoda bastante. Imagino se o mesmo acontece com a irmã, mas de forma invertida. Pela câmera, uma delícia. Pessoalmente, impossível não pedir em casamento.
Infelizmente, não foi ela quem marcou o encontro. Foi este homem feio. (...) Lá fora está um sol torturante e ele nem sua, mesmo enterrado sob três camadas de roupas pesadas... os olhos são o que mais perturba. Difícil não sentir arrepios ao fita-los. Quando diz que seu olhar é invasivo, sabe o que está falando. Evito contato direto. É como ser despido além da pele. Por várias vezes, tenho a impressão que ele consegue ouvir o que penso.”


O leitor é apresentado a esse contexto com uma aleatoriedade muito bem planejada pois o enredo não segue um padrão normal. São fragmentos atemporais que vislumbramos da infância até a vida adulta de Anardeus que nos dá essa perspectiva tão bem definida de sua personalidade e de Isabel. O curioso é que mesmo com esse tom fantástico, o enredo se passa em meio ao cotidiano. 

Anardeus é casado, tem sua casa e sua vidinha medíocre e seu único companheiro inseparável é o frio. Ele só sente um calor confortável quando destruições completamente sobrenaturais começam a acontecer pela cidade. Um calor que o transforma em um deus. 

“Eu sinto culpa. Não a culpa paralisante, que tortura. Sinto a culpa excitante, criminosa, implácavel.”

O texto de “Anardeus. No calor da destruição” é enxuto e pragmático. É um livro curto, mas tão denso que me senti meio transtornada. A narrativa é alternada entre Anardeus, Isabel e um terceiro personagem bastante singular, o fotógrafo. 

A narrativa é simples, mas dura e direta que contém palavrões e algumas cenas (todas) fortes. “Anardeus. No calor da destruição” é perturbador em seu pragmatismo e, confesso, o livro terminou tão rápido que queria mais detalhes, queria um pouco mais de esperança. Mas Anardeus, tal qual a vida, é o que é. 

O trabalho da editora Giz foi impecável. O livro é muito bonito esteticamente com ilustrações incríveis do próprio autor (vide a capa). Walter Tierno também escreveu “Cira e o Velho” e em breve vocês terão resenha sobre ele também aqui no blog. Recentemente, o autor assinou com a Verus então logo teremos mais obras dele circulando por aí. 

Enquanto isso, conheçam suas obras já lançadas pela Giz e se apropriem de seus livros. “Anardeus. No calor da destruição” me despertou um sentimento bem intenso; só me resta descobrir se isso é bom ou ruim. 

.

3 comentários:

  1. Li sua resenha, Fernanda, mas não sei o que pensar do livro. Primeiro fiquei intrigada com a sinopse e o início da resenha, mas depois que você falou em destruição sobrenatural, perdi o interesse pela leitura (não gosto do gênero). Mas aí quando li que esse autor era o mesmo de Cira e o Velho, sobre o qual só li resenhas positivas, fiquei balançada em lê-lo. Ainda não decidi se quero ler.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Amália! Creio que é importante dá uma chance se estás balançada.
      Acredite, esse livro é incrível e, por mais que venhas a não gostar, seria bom dar uma conferida.
      Também estou extremamente curiosa por "Cira e o Velho". Em breve teremos notícias sobre ele aqui no blog (em nome de Jesus! hahaha).
      Obrigada pelo comentário e, caso leias, não deixe de comentar o que achastes.

      Beijo.

      Excluir
  2. Caramba! Fiquei impressionada com seus comentários sobre este livro. Não conhecia ainda,mas fiquei agradavelmente feliz por ser tudo isso que coloca aqui. Você conseguiu me deixar curiosa. Os trechos que colocou aqui, são perfeitos e impressionantes. Gamei na trama de Anardeus.
    Beijos.

    ResponderExcluir

Quer fazer um blogueira feliz? Então deixa um comentário neste post! Você vai fazer todo o trabalho valer a pena rsrs
Mas tem um porém: Comentários ofensivos serão deletados.

Muito Obrigada por comentar! Volte sempre!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
© Garota Pai D'égua - Todos os direitos reservados.
Criado por: Bianne Souza.
Tecnologia do Blogger.
imagem-logo