quinta-feira, fevereiro 26, 2015

Garota Pai D'égua Entrevista Salomão Larêdo.

Olá gente! 

Curtindo nossa semana especial? Eu também, tenho adorado tanto ler os posts das minhas amigas, como fazer esses posts um pouquinho diferentes das resenhas convencionais.

Então como comentei anteriormente, eis um pouquinho mais sobre o nosso amigo Salomão Larêdo, que gentilmente aceitou um pedido no meio da tarde de domingo, para responder as perguntas dessa que vós escreve.

Nessa entrevista, o que mais me impactou foi o fato de que a leitura pode significar bem mais do que um prazer (meio caro as vezes) ela pode significar muito mais para tantas outras pessoas, e a gente nem faz ideia da proporção dessas significativas coisas.

Então sem mais delongas, vamos descobrir o que o nosso amigo tem a falar sobre o universo literário e sua experiência em meio aos livros, e palavras.

1 - Como surgiu a iniciativa de levar livros a beira do rio? Hoje essa proposta atinge quantos municípios? Como é a sistemática desse trabalho?

Surgiu no campus da UFPA, em Cametá, com o prof. Orlando Cassique, que ampliou sua sala de aula no sentido de que os seus  alunos tivessem atividades começando um pequeno espaço de leitura que se tonasse célula à formação de leitor crítico. Cada professor e cada aluno   - era uma ação que vimos juntos, ou seja, professores e alunos da universidade -  tornava-se  co-participante e co-responsável , em cada módulo , de avançar essa ideia  e ia com os seus alunos  realizar essa ação política  e como eu já desenvolvia  em Belém e pelo interior do Pará meu projeto que objetiva  cooperar na    formação de leitor crítico chamado " O escritor na escola" , convidado pelo prof. Doriedson Rodrigues,  fui   ministrar uma disciplina e numa tarde de sábado, contando com a ação voluntária dos alunos , atravessamos  o belíssimo rio Tocantins , fomos a  esse  lugar chamado Cuxipiari, uma ilha  do município  de Cametá  e levei  à comunidade alguns livros meus e outros para ajudar no acervo do espaço de leitura e com meus alunos fizemos atividades de contar histórias e ouvir o que eles tinham a dizer e foi um excelente troca, comunhão e  compartilhamento e um exercício  efetivo de cidadania , de pensar no outro, de ajudar na promoção humana, abrindo os olhos de quem queria  , através da leitura, fazer suas descobertas.Contávamos com o apoio  e parceria da colônia de pescadores de Cametá que cedia a embarcação. Infelizmente por uma série de razões esse projeto não prosperou, inobstante eu continuar com  meu projeto pessoal de formar leitor em toda parte , doando livros para que a comunidade  faça  uma pequena biblioteca para  uso da comunidade e   um dia tenhamos  um Pará de leitores.É uma luta muito grande, árdua, difícil, mas é uma missão que tenho, um apostolado que exerço, questão  de consciência cidadã minha como pessoa,  como escritor, professor, como quem está no mundo  para ajudar, facilitar para que o outro cresça, se promova, apareça. 

2- Que tipo de literatura o projeto leva a beira dos rios? E de que forma podemos contribuir?

Meu projeto "O Escritor na Escola"  ( que sempre contou com apoio das bibliotecárias, minhas queridas amigas verdadeiros anjos da guarda do livro, da leitura  e de quem gosta de ler ), que tem mais de 30 anos, continua em toda parte onde posso ir  - conforme minha disponibilidade de tempo, condições, saúde  - e fazer alguma coisa. Normalmente procuro conscientizar professores, alunos, a comunidade para a importância da leitura e concretamente levo livros para que  iniciemos um pequeno acervo cuja tendência é crescer e se transformar em biblioteca comunitária. Faço doação de livros meus, de leitura literária, livros para crianças, revistas, jornais, tudo serve  e peço às pessoas que queiram contribuir e repasso onde pedem, solicitam.É uma ação política que não é fácil e preciso que o outro aceite e queira colaborar, pois é sempre um trabalho coletivo, de todos, quem cede espaço, tempo, etc.

3 - Você acha que a semente ´´club do livro`` é uma proposta que poderia ser implementada com sucesso em outros municípios paraenses?

Meu sonho é de que em cada comunidade haja um " Club do Livro" ou coisa similar, para incentivar a leitura, fazer as pessoas gostarem  de ler, a encontrar prazer na leitura e  partir daí, aflora a consciência cidadã e tudo muda, porque quem lê, pensa e quem pensa, muda o seu entorno e vamos ampliando isso e daqui a pouco todo o Pará será leitor e certamente, teremos mais escolas, mais  ensino, mais educação de qualidade, mais livros, mais bibliotecas, mais justiça social, menos desigualdade, menos presídios, menos violência, uma vida melhor e mais feliz para todos, todos. 

4 - Qual dica você poderia dar para nossos amigos que almejam escrever um livro futuramente?

Quem quer escrever, penso que deve antes querer  ler, ler muito, ser leitor, ler muito, muito e ler tudo que cair na rede.  Ser um bom observador da vida e do mundo, das pessoas. Primeiro passo de quem quer ser escritor é ser leitor, sempre. A leitura é a base para o conhecimento, para ampliar vocabulário, raciocínio, fala, ver como o outro desenvolve um texto, que técnica usa. Leitura é sempre o caminho para o escritor e não parar nunca de ler, ler mais que escrever.Quem quer se  escritor  tem que sentar e escrever a obra, ler, reler, revisar, retirar excessos, reolhar, rever, reler , mostrar aos parentes e amigos e  participar  de concursos literários  e jamais  se dar por vencido, ultrapassando todas as barreiras e dificuldades  e os nãos que vão surgir . Mas, vencidos todos os interditos e vicissitudes , quando o livro está na mão  do leitor, exercendo sua função social, é muito prazeroso, gostoso e  deixa o autor muito feliz e  percebe-se   que todo sacrifício vale a pena.  

5 - Como produtor e propagador de conhecimento, qual a mensagem para incentivar outros jovens a ter amor pela leitura, você poderia nos dar?

Tenho uma teoria de que o leitor se forma no ventre da mãe, em casa, na família, com os pais, avós, tios, primos, amigos, que contam casos, histórias, conversam, que são carinhosos, atenciosos, afetuosos. Quando a criança nasce, continuar contando histórias, falando das coisas, mostrando o cotidiano, levando em ambientes culturais como livrarias, cinema, teatro, ouvir música e continuar lendo, adquirindo livros. Porém o melhor exemplo que alguém pode dar, é ser leitor. Não precisa dizer leia. Basta dar o exemplo e o outro vê que tu estás, lendo, que és leitor  e vai também querer ler. A escola tem uma participação importante porque é da colaboração com a família que o leitor e se desenvolve , cresce , mas o  professor tem que ser leitor, em que gostar de ler, se empolgar com livro e leitura , cultura e arte, tem que ter biblioteca na escola e , completando o tripé,  vem o  Estado  que  tem obrigação  - por ser um direito de toda pessoa humana -  de  dotar nos espaços públicos,  boas e muitas bibliotecas, bons acervos, proporcionar meios de leitura e de que haja bens culturais a serem usufruídos por todos pois é  um direito. Toda pessoa tem direito a educação, ler, escrever, ter cultura e quem deve proporcionar isso é o poder público,  é a família , é a escola, todos formando um  conjunto. Essa é, digamos a situação ideal e quando não acontece assim - o que é mais comum - cada um de nós  tem que dar seu contributo: ler para as pessoal, difundir a leitura, o livro, falar de livro, de biblioteca, deixar livros nas rabetas, nos ônibus, nas balsas, na vans, em toda parte, doar livros, presentar com livros, etc etc. 

Gostaria de esclarecer , que com algum tempo nessa missão, nesse propósito, nessa ação  cidadã, de ajudar na formação do leitor crítico, hoje vejo mais produtivo incentivar  os professores à leitura , contar com a colaboração  deles, com o efeito multiplicador  dessa ação de ler, principalmente a leitura de autor local. Precisamos valorizar o que é nosso, não apenas a literatura, mas a nossa cultura em geral, nossa história, nossa gente, nosso sotaque, nossa fala , nosso jeito, nosso cinema, música, teatro, dança   todas as vertentes da arte, tudo que fazemos. Temos que valorizar para conhecer, amar, defender o que é nosso. É muito importante o que vem de  fora e nos enriquece, mas, temos que conhecer e entender o que se passou e se passa aqui, por isso, trabalho também com a memória ou literatura de testemunho, com o lendário e o imaginário da minha  amada região Amazônico porque sou mesmo é ficcionista, romancista e adoro meu povo, minha gente, minha história e gosto de contá-la  para encantar.  Gosto de seduzir leitor, fazendo, tecendo um bom livro e para isso, preciso ler, ler muito, muito e eu gosto muito de escrever, mas sou fascinado pela leitura. e como nós temos bons autores, aqui temos o melhor da literatura brasileira produzida no Pará, por paraenses. 


Quero parabenizar você Anne, pelo empenho com seu grupo que se reúne no café da Fox. Fico muito contente e e feliz quando chego na Fox e é o dia da reunião de vocês e me sinto orgulhoso e feliz de ver tantos leitores jovens e gente interessada em livro e em leitura , em discutir literatura e estar alegre e e feliz  no meio dos livros, cuidando da arte e cultura  e isso me enche de orgulho que  corro pra fotografar  e postar no meu FB e no blog como uma maneira de incentivar ainda mais  vocês, chamar a atenção de outros e porque valorizo muito o que vcs fazem  e que se propaga para um dia sermos tds, leitores. Bjs e , parabéns a vc e a toda turma desse importante Club do Livro que tem muito a fazer mas já tem muita história pra contar e uma coisa que me agrada é que me sinto membro do grupo de vocês e tenho tds vocês como meus amigos e amigas queridas. Grato, obrigado  Bjs

Mais uma vez obrigada por essa oportunidade de entrevista!

Espero que todos tenham gostado e refletido tanto quanto eu após essa entrevista.

Abraços de urso, e até a próxima.
 

2 comentários:

  1. Estou emocionada! Amei a entrevista, Anne!
    É inspirador saber que projetos sociais de disseminação a leitura existem em lugares distantes. Acredito piamente que a educação mudará o mundo. E acredito que, um dia, a humanidade será melhor. Mas para isso, todos precisam ter acesso. Todos precisam ter a chance de se conectar a algo maior que a própria realidade.
    Os autores, com a criatividade aguçada, são os responsáveis por esses "outros lugares" e, nós, como cidadãos, somos os responsáveis por oferecer essa "passagem".
    O PA Book Club é um meio e me orgulho muito dele, mas ainda é pouco.
    Salomão me inspirou, de verdade.
    Espero ter oportunidade de fazer o que ele fez e sair por aí oferecendo cultura em prosa/poesia/música para as pessoas.
    Muito obrigada, Salomão.

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  2. Que massa essa entrevista, hein?!?! Achei o máximo esse projeto que leva a leitura para as beiras dos rios. Quem dera que todos os lugares tivessem pessoas que lutassem por projetos como esses. Espero que ela vá ampliando cada vez mais e consiga atingir lugares inimagináveis.

    @_Dom_Dom

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