quarta-feira, julho 23, 2014

Eu Li: Julieta - Anne Fortier



Título:
Julieta
Autora:
Anne Fortier
Editora:
Arqueiro
Onde Comprar:
Submarino | Saraiva | FNAC



Julie Jacobs e sua irmã gêmea, Janice, nasceram em Siena, mas, desde que seus pais morreram, foram criadas nos Estados Unidos por sua tia-avó Rose. Quando Rose morre, deixa a casa para Janice. Para Julie restam apenas uma carta e uma revelação surpreendente - seu verdadeiro nome é Giulietta Tolomei. A carta diz que sua mãe havia descoberto um tesouro familiar muito antigo e misterioso. Intrigada, Julie parte para Siena. Mas tudo o que a mãe deixou foram papéis velhos - um caderno com diversos esboços de uma única escultura, uma antiga edição de Romeu e Julieta e o velho diário de um famoso pintor italiano, Maestro Ambrogio. O diário conta uma história trágica; há mais de 600 anos, dois jovens amantes, Giulietta Tolomei e Romeo Marescotti, morreram vítimas do ódio irreconciliável entre os Tolomei e os Salimbeni. Desde então, uma terrível maldição persegue as duas famílias. E, levando-se em conta sua linhagem e seu nome de batismo, Julie provavelmente é a próxima vítima. Tentando quebrar a maldição, ela começa a explorar a cidade. À medida que se aproxima da verdade, sua vida corre cada vez mais perigo.



Particularmente, estava esperando mais do mesmo do que são feitas das adaptações de “Romeu e Julieta” mundo a fora, porém a autora, Anne Fortier, foi além; ela me surpreendeu. Remexendo em fatos históricos, a autora adicionou uma boa dose de criatividade, juntou ao seu obvio talento como contadora de histórias e, voilá, uma versão interessante e bem contata da ~maior história de amor de todos os tempos~. 

Para começo de conversa, acho que preciso confessar que não gosto de Romeu e Julieta. Percebam, não tenho nada contra a história shakespeariana. Meu problema é com os personagens mesmo. Eles são imbecis e fazem todas as escolhas erradas. O fato é que Julie Jacobs discorda plenamente de mim. (Adoraria uma conversinha sobre o assunto com a personagem.) Julie sabe “Romeu e Julieta” de cor e salteado e, inclusive, costuma passar os verões ensaiando crianças para apresentar a famosa peça. As coisas começam a mudar quando sua tia, Rose, morre e deixa para Janice, a gêmea má, toda a sua fortuna e apenas uma carta para Julie com instruções, e com a notícia que seu verdadeiro nome é Giulieta Tomolei, para voltar à Itália e lá recuperar um tesouro deixado por sua mãe. Depois do susto inicial e da evidente revolta (como assim sem herança?? Eu faria o maior barraco!), Julie parte para Verona atrás do bendito tesouro. 

O verdadeiramente interessante de toda a história no livro é que descobrimos que a Julieta, de “Romeu e Julieta”, se chamava Giulieta Tomolei e que sua tragédia é diferente da que Shakespeare oficializou. E a partir daí teremos uma perspectiva diferente da primeira pessoa que Julie/Giulieta nos apresenta. O livro é dividido entre Verona nos tempos atuais e Verona de 1340, onde vislumbramos uma versão diferente de “Romeu e Julieta” e, francamente, bem mais emocionante. A autora, Anne Fortier, é super detalhista e nos dá uma bela perspectiva da história, enfatizando até a linguagem. Esse ponto em questão me cativou logo de cara. 


“Que tal um brinde a vosso amigo, Deus, e a todas as peças que Ele nos prega?”


Em contra partida, a nossa Guilieta Tomolei contemporânea se envolve em diversos apuros para seguir as pistas de sua herança e com a ajuda de Alessandro Salimbeni, o homem lindo da família rival, Guilieta vai tentar sobreviver aos perigos e aos mistérios de sua aventura. 

“Julieta” é um romance genuíno e recheado de aventuras. O modo que a autora trabalhou a história deixou o livro tão interessante que eu lia devagar para o bendito não acabar. Só para constar pela primeira vez na minha vida shipei Romeu e Julieta. Eles são adoráveis. Todos os elementos da história Shakespeariana estão lá, mas são recontados de uma forma tão mais... sei lá, interessante. Longe de mim dizer algo como a história de Shakespeare ser ruim. Definitivamente não é o caso. Mas o modo como a tragédia clássica se desenvolve na perspectiva da autora é mais palpável. Em contraste com a narrativa culta de 1340, a contemporaneidade traz vários pontos de vistas interessantes sobre a história. Sem falar nos diálogos deliciosos entre Julie/Giulieta e Alessandro. No final tem uma treta digna de livro policial. Eu, particularmente, gostei. Mas para quem não curte, o romance e o mistério da narrativa já é um prato cheio. 

É obvio que Anne Fortier sabe contar uma boa história. Sua narrativa é gostosa e fácil, e vai enredando aos poucos. Quando se percebe, já estamos gostando de personagens que supúnhamos não gostar jamais. Affo. 

Para quem curte um bom romance, “Julieta” é uma leitura mais do que indicada. A Editora Arqueiro caprichou na nova edição e juntando ao texto, é muita lindeza para um livro só.







Fernanda Karen Estudante de Serviço Social com o coração no curso de Letras. Apaixonada por séries, dramas e café. Bookaholic irrecuperável e promiscua literária. Eventualmente estou trocando um de meus rins por livros muito desejados. (Qualquer coisa é só entrar em contato). Amo YA, ficção-fantasia, clássicos (brasileiros, portugueses, ingleses, latinos etc), chick-lits... Perceberam que meu preconceito literário é zero? Ops, quase zero; não leio auto-ajuda.

Poderá também gostar de:
- See more at: http://www.garotapaidegua.com.br/2014/05/eu-li-mar-de-rosas-quarteto-de-noivas-2.html#.U88j70DBH6M






Fernanda Karen Estudante de Serviço Social com o coração no curso de Letras. Apaixonada por séries, dramas e café. Bookaholic irrecuperável e promiscua literária. Eventualmente estou trocando um de meus rins por livros muito desejados. (Qualquer coisa é só entrar em contato). Amo YA, ficção-fantasia, clássicos (brasileiros, portugueses, ingleses, latinos etc), chick-lits... Perceberam que meu preconceito literário é zero? Ops, quase zero; não leio auto-ajuda.




Fernanda Karen Estudante de Serviço Social com o coração no curso de Letras. Apaixonada por séries, dramas e café. Bookaholic irrecuperável e promiscua literária. Eventualmente estou trocando um de meus rins por livros muito desejados. (Qualquer coisa é só entrar em contato). Amo YA, ficção-fantasia, clássicos (brasileiros, portugueses, ingleses, latinos etc), chick-lits... Perceberam que meu preconceito literário é zero? Ops, quase zero; não leio auto-ajuda.
- See more at: http://www.garotapaidegua.com.br/2014/05/eu-li-mar-de-rosas-quarteto-de-noivas-2.html#.U88j70DBH6M

4 comentários:

  1. Adorei a resenha! Não sou fã da tragédia Shakesperiana mas me senti um pouco atraída a ler esse livro. Parabéns!

    ResponderExcluir
  2. Tenho esse livro há uma eternidade e, justamente por ser uma adaptação do clássico, não tive vontade de ler, mas como sempre tu me deixaste com vontade. Hahaha.
    Adorei a resenha, Fê! Bjs bjs.

    ResponderExcluir
  3. Oiiiee
    Nunca li o clássico romeu e julieta e acho que nem tenho vontade.Essa adaptação da Anne deve ter ficado mesmo boa,adorei a ótima narrativa e o romance,esse sim eu seria sem dúvidas.

    ResponderExcluir
  4. Tenho muita vontade de ler Romeu e Julieta...
    Agora preciso de ler essa adaptação que parece estar muito boa
    *-*

    ResponderExcluir

Quer fazer um blogueira feliz? Então deixa um comentário neste post! Você vai fazer todo o trabalho valer a pena rsrs
Mas tem um porém: Comentários ofensivos serão deletados.

Muito Obrigada por comentar! Volte sempre!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
© Garota Pai D'égua - Todos os direitos reservados.
Criado por: Bianne Souza.
Tecnologia do Blogger.
imagem-logo