segunda-feira, abril 21, 2014

Eu Li: Vinte Garotos no Verão - Sarah Ockler



Título:
Vinte Garotos no Verão
Autora:
Sarah Ockler
Editora:
Novo Conceito
Onde Comprar:
Submarino | Saraiva | FNAC

Quando alguém que você ama morre, as pessoas perguntam como você está, mas não querem saber de verdade. Elas buscam a afirmação de que você está bem, de que vocêaprecia a preocupação delas, de que a vida continua. Em segredo, elas se perguntam quando a obrigação de perguntar terminará (depois de três meses, por sinal. Escrito ou não escrito, é esse o tempo que as pessoas levam para esquecer algo que você jamais esquecerá). As pessoas não querem saber que você jamais comerá bolo de aniversário de novo porque não quer apagar o sabor mágico de cobertura nos lábios beijados por ele. Que você acorda todos os dias se perguntando por que você está viva e ele não. Que na primeira tarde de suas férias de verdade você se senta diante do mar, o rosto quente sob o sol, desejando que ele lhe dê um sinal de que está tudo bem.


Frankie e Matt são irmãos e vizinhos de Anna. Os três são amigos inseparáveis desde pequenos. Frankie, a amiga que sabe de todos os segredos e Matt, o amigo que faz o coração de Anna palpitar. Em sua festa de 15 anos, Anna repetiu o mesmo pedido que fazia há anos, desde que descobriu que era apaixonada. E naquele ano, ele se transformou em realidade. Matt finalmente a tinha beijado.

“... Esqueci o tempo. Esqueci meus pés. Esqueci as pessoas lá fora esperando que voltássemos à festa. Esqueci o que acontece quando amigos cruzam esse limite. E, se meus pulmões não se enchessem, se meu coração não batesse e meu sangue não pulsasse contra a minha vontade, eu teria me esquecido deles também.”

Foi um momento inesquecível. E o mês que se seguiu foi igualmente especial entre encontros furtivos, olhares cúmplices e sentimentos a flor da pele. Mas Frankie ainda não estava preparada para saber. Matt prometeu que contaria a ela quando eles viajassem com seus pais para a Califórnia naquele verão.

No entanto, ele nunca contaria.

Matt teve um ataque cardíaco pouco antes da viagem e morreu antes de poder se abrir com a irmã. Anna prometeu a ele que guardaria segredo. E cumprirá.

É um tempo difícil após a morte de Matt. Tudo fica diferente. Frankie muda, seus pais mudam; A morte de um filho é uma ferida que não se fecha e eles não conseguem superar, mesmo depois de 1 ano. A autora, Sarah Ockler, trabalhou bem a reação dos personagens. A família de Matt ficou completamente desnorteada, o que é normal e aceitável. Cada um reage à perda ao seu modo. Frankie muda completamente seu comportamento casto e se transforma na bitch da escola. Sua mãe ficou obcecada com decoração e seu pai nunca toca no assunto. Matt é um tabu.

Para Anna, resta levar seu segredo a sete chaves e sofrer categorizada como a melhor amiga. Ninguém sabe a dor que ela leva ao pensar no que poderia ter sido, mas nunca será.

O texto é bem focado nas lembranças de Anna naquele mês especial - do primeiro beijo à morte de Matt - mas também nos dá vislumbres da personalidade do Matt de antes. O leitor tem a oportunidade de conhecer e se afeiçoar a ele e, assim, compreender melhor os sentimentos de Anna. É uma narrativa triste e cheia de razão. É injusto uma garota de 15 anos perder seu primeiro amor, de 17 anos, por uma fatalidade do destino. Na mente, ficam as lembranças de seus últimos momentos e a tentativa de encontrar possíveis saídas para um desfecho que ela não conseguiria evitar.

Após 1 ano, é preciso seguir em frente. A família de Matt fará sua primeira viagem de férias sem ele e Anna é convidada para fazer companhia a Frankie. Em meio aos preparativos, Frankie propõe que a  “melhor férias de todos os tempos” precisa de um desafio.

Vinte garotos.

Elas devem tentar conhecer um garoto por dia e, quem sabe, até se divertir e conseguir seus primeiros amores de verão.Anna não nega, porque não tem como explicar a dificuldade que esse desafio trará. Afinal, o ultimo garoto que ela se envolveu, e que coincidentemente foi seu primeiro amor, está morto e ela não quer macular suas lembranças.

“As pessoas não querem saber que você jamais comerá bolo de aniversário de novo porque não quer apagar o sabor mágico de cobertura nos lábios beijados por ele. Que você acorda todos os dias se perguntando por que você está viva e ele não. Que na primeira tarde de suas férias de verdade você senta diante do mar, o rosto quente sob o sol, desejando que ele lhe dê um sinal que está tudo bem...”

Juntas, Anna e Frankie vão passar por várias situações típicas de adolescentes comuns, como flertar com garotos ao tentar alcançar a meta dos vinte. Mas também vão ter que lidar com coisas que fogem ao controle: reações intempestivas de uma saudade que nunca vai embora. É difícil para a família viver uma nova realidade sem Matt, porém a Califórnia mudará suas vidas. As lembranças serão vívidas e dolorosas, mas necessárias para tentar ver uma perspectiva nova.

Esse livro é incrível. Ele é emocionante, e doce, e verdadeiro. Impossível não sentir empatia pelos personagens e a cada lembrança que Anna tinha de seu Matt, eu chorava mais porque ele era uma pessoa maravilhosa e que, de fato, merecia lágrimas por ter partido.

A narrativa em primeira pessoa de Anna dá um tom muito pessoal à dor, mas o leitor consegue ser atingido pelo sofrimento tangível da família de Matt.

Recheado de citações dolorosas, porém bonitas, “Vinte Garotos no Verão” é um livro com perspectivas reais e plausíveis. Não retrata apenas a dor da perda. Mostra que seguir em frente é inevitável, mesmo que as lembranças nunca nos deixem.

“... Agora sei que jamais serei capaz de apagá-lo. Ele sempre fará parte de mim – só que de uma forma diferente. (...) Na verdade, as coisas não vão embora. Elas se transformam em algo diferente. Algo mais bonito.” 





Fernanda Karen Estudante de Serviço Social com o coração no curso de Letras. Apaixonada por séries, dramas e café. Bookaholic irrecuperável e promiscua literária. Eventualmente estou trocando um de meus rins por livros muito desejados. (Qualquer coisa é só entrar em contato). Amo YA, ficção-fantasia, clássicos (brasileiros, portugueses, ingleses, latinos etc), chick-lits... Perceberam que meu preconceito literário é zero? Ops, quase zero; não leio auto-ajuda.

Um comentário:

  1. Confesso que esperava uma história diferente pela capa.. rssrsr

    Mas... acho que não leria ele por enquanto, já tive tristeza pós morte suficiente em Por toda eternidade, vou querer um pouquinho de alegria agora.. rsrs

    O livro parece ser bem bacana, essa proposta de conhecer 1 cara por dias nas férias.. sei não.. rsrsrsr

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